Polícia

Mulher diz ter filho com o próprio pai

Por Tisa Moraes | Com Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 6 min

Uma mulher de 22 anos procurou a polícia na noite de anteontem para prestar queixa contra o próprio pai, em Bauru. Ela o acusa de tê-la estuprado ao longo dos últimos 13 anos e diz ainda que seu filho, uma criança de 1 ano e 6 meses de idade, é fruto dos atos de violência sexual sofridos dentro de casa. Desta forma, o acusado, um servente de 42 anos, seria, ao mesmo tempo, pai e avô do bebê.

Segundo o descrito em boletim de ocorrência registrado no Plantão da Polícia Civil, a vítima - que terá a identidade preservada, assim como os demais envolvidos - teria sido molestada inúmeras vezes. O primeiro episódio teria ocorrido quando ela tinha apenas 9 anos e o último, no dia 28 de março deste ano, já na residência onde ambos moravam com o bebê, no Jardim Primavera.

Segundo a jovem, na maioria das ocasiões em que o pai investia contra ela, ele a ameaçava de morte. As intimidações e o estupro seriam também acompanhados de outras formas de agressão física. Há alguns dias, inclusive, uma das mãos da vítima teria sido machucada durante uma briga com o acusado.

E foi exatamente após mais uma briga que ela teria decidido denunciar seu pai. Segundo vizinhos, sempre houve a suspeita de que ele seria o genitor da criança. Mas, na tarde da última quinta-feira, a jovem teria ido até a casa de um vizinho - com quem teria mantido um breve relacionamento - e dele cobrado o reconhecimento da paternidade da criança.

Depois de provocar um tumulto, ela teria voltado para sua residência, mas horas depois, a mãe do rapaz apontado como responsável pelo bebê procurou a jovem para confrontá-la. Acuada, ela negou a acusação e contou que seu pai a havia estuprado e engravidado. No início da noite, abandonou o imóvel carregando o filho nos braços e não foi mais vista no bairro.

"Ninguém sabe direito o que aconteceu, mas ela veio aqui na rua, brigou, xingou o rapaz e foi embora. Depois, a mãe dele foi na casa dela e xingou também. Foi aí que toda história veio à tona. Mas ninguém sabe o que é verdade e o que é mentira. O que se ouve são os boatos", afirma um vizinho, que só falou à reportagem sob a condição de não se identificar.

Procurado pelo JC, um parente da jovem que também mora no mesmo bairro negou qualquer possibilidade de o pai da garota ser o pai do bebê. "O que ela quer é chamar a atenção, quer provocar tumulto. Acha que o pai dela ia fazer um filho nela? É um absurdo", afirma.

Segundo este familiar, a jovem não estuda, não trabalha e tampouco ajuda nos cuidados com a avó, uma idosa de 92 anos que mora a uma rua de distância de sua casa. "O que ela precisa é arrumar um jeito de sustentar essa criança. Não sei o que levou ela a fazer uma acusação dessa", argumenta.

Contrariando esta versão, a vizinhança - ainda que bastante desconfiada em revelar informações à reportagem - afirmou que a vítima enfrentava "problemas de família", vivia reclusa em casa e pouco conversava com os vizinhos. Os pais dela teriam se separado quando ela tinha 9 anos, quando perdeu o convívio com a mãe e teria passado a sofrer abusos por parte do pai.

Há pouco mais de dois anos, ambos teriam se mudado para uma casa simples no Jardim Primavera, onde viveram juntos até anteontem. O JC foi até o imóvel para que o pai ou a jovem pudessem esclarecer o ocorrido, mas ninguém foi encontrado. Também não foi possível confirmar se a vítima e o bebê foram abrigados em alguma insittuição após o registro da ocorrência.


Investigação


Até o final da tarde de ontem, o caso ainda não havia sido apresentado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru. Mas ainda na quinta-feira, o delegado que registrou a ocorrência no Plantão da Polícia Civil, Carlos Creppe Júnior, já havia requisitado exame de corpo de delito e conjunção carnal para a vítima. Também solicitou a coleta de amostra de sangue da jovem e da criança, que deverá ser confrontada posteriormente com material genético do acusado para realização de teste de paternidade.

Segundo a delegada titular da DDM, Flávia Regina dos Santos Ueda, a jovem e eventuais testemunhas deverão ser intimadas já nos próximos dias e, caso exista entendimento de que o acusado possa fugir ou prejudicar o andamento do inquérito, sua prisão temporária poderá ser solicitada. "Mas ainda não é possível dizer se isso irá acontecer. Primeiro precisamos localizar a vítima para que ela seja ouvida e, depois, vamos decidir quais medidas serão tomadas", aponta.

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Segunda denúncia em uma semana


Em uma semana, esta é a segunda denúncia de estupro envolvendo pai e filha registrada em Bauru. Na última quarta-feira, um homem de 50 anos foi preso no bairro Ferradura Mirim após ter sido acusado pela própria filha de tê-la estuprado. A vítima, de 14 anos, declarou que sofria violência sexual do pai desde os 11 anos. O homem ainda teria tentado, sem êxito, estuprar a outra filha, que é apenas um ano mais velha do que a irmã.

Na manhã do último dia 20, uma garota de 20 anos foi abordada por um desconhecido e estuprada em Bauru. Ela foi rendida na altura do quilômetro 334 da rodovia Marechal Rondon, próximo à passarela de acesso ao Jardim Pagani e levada para um matagal próximo.

Na noite do dia seguinte uma jovem de 21 anos foi agarrada pelo pescoço e também levada a um matagal, mas desta vez no Jardim Nova Esperança. Ela foi obrigada a agachar-se, o criminoso despiu-se da cintura para baixo e ejaculou em suas costas, sem que houvesse conjunção carnal.

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?Brigas pareciam
de marido e mulher?


Segundo vizinhos relataram, o pai da jovem alimentava um ciúme "quase doentio" pela filha. As brigas que ocorriam dentro da casa em que moravam, no Jardim Primavera, eram constantes e ouvidas por toda a vizinhança.

Conforme contou um morador próximo, que preferiu não se identificar, as discussões se pareciam com desavenças de marido e mulher. "Eram brigas feias, eles gritavam muito, quebravam coisas. O vizinho que mora do lado da casa deles sempre reclamou, porque o bate-boca começava à noite e ninguém conseguia descansar. Era um transtorno", comenta.

De acordo com outro vizinho, nutria um sentimento de posse "anormal" pela filha, o que levou todos a desconfiar quando ela teve um filho. A gravidez da moça, inclusive, foi recebida com surpresa pelos que a conheciam. "Pelo que a gente sabia, ela nunca tinha namorado ninguém, porque nunca apareceu ao lado de nenhum rapaz aqui no bairro. E o pai era a mesma coisa. Era separado, mas nunca teve namorada também", observa.

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