A quantidade, cada vez maior de bares, choperias, pubs e similares está levando a bebida alcoólica para mais perto de casa. O aumento no número de pontos de vendas torna o acesso à bebida mais fácil. Existem em Bauru, atualmente, cerca de 700 estabelecimentos dessa natureza cadastrados na Secretaria Municipal de Finanças. A expectativa é de um número ainda maior, pois nem todos estão regularizados.
Não há um registro oficial, mas estimativas dão conta de que há cinco anos o setor era um pouco menor, com cerca de 500 estabelecimentos. De acordo com profissionais da saúde que trabalham diretamente com dependentes químicos, a facilidade de acesso ajuda a tornar o consumo mais fácil. Mas não é fator determinante. Segundo eles, as companhias fazem mais diferença, principalmente, a companhia que existe dentro da própria casa.
O JC conversou com três alcoolistas que conseguiram controlar a dependência da bebida e todos eles revelam que o exemplo que tiveram dentro de casa foi fundamental para definir o caminho trilhado por eles.
Hoje com 58 anos, Orlando (nome fictício) conta que teve contato com bebida alcoólica desde muito cedo. Ele relata que quando era criança ia buscar garrafão de pinga que o pai costumava tomar em casa junto com os amigos do trabalho. Como o clima entre eles era sempre de descontração e alegria, a bebida virou sinônimo de festa na cabeça dele.
"Eu nasci com predisposição ao álcool, porque dificilmente eu ficava bêbado e aí veio a dependência", comenta. Aos 22 anos, Orlando teve os primeiros sintomas de que algo não estava bem. Foi quando começaram a surgir os problemas no fígado e, segundo o médico, a única maneira de tratá-los era parar com a bebida.
A ordem médica entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Orlando continuou bebendo e o quadro foi piorando. Vieram a queda de apetite, a insônia, a tremedeira (em decorrência da falta de álcool no organismo), os delírios, as alucinações e outros efeitos colaterais.
Foram mais de 20 internações, sendo duas psiquiátricas, na tentativa de se ver livre do problema. Nada funcionava.
A situação só começou a melhorar quando Orlando aceitou que o alcoolismo era uma doença incurável e se não fosse tratada o levaria à morte em pouco tempo. Foi buscar ajuda, então, no Alcoólicos Anônimos (AA), numa época em que havia muito preconceito contra quem frequentava o grupo. No início, o orgulho impediu Orlando de aderir ao tratamento como deveria.
"A partir do momento que passei a levar a sério o tratamento, comecei a melhorar", admite. Isso foi há 28 anos. E desde então está "limpo", ou seja, parou com a bebida. "Não troco meu pior dia (desde a abstinência) pelo melhor dia da época que eu bebia. A vida hoje é muito mais prazerosa", afirma.
Embriaguez faz motorista andar
10 km na contramão na Rondon
"Estou arrasado e arrependido". Foi com esta frase que Rodrigo Ferreira dos Santos, 36 anos, morador de Bauru, resumiu seu sentimento em relação a uma ocorrência no início do mês passado, quando dirigiu na contramão por cerca de dez quilômetros em plena rodovia Marechal Rondon (SP-300).
Ele retornava para Bauru após ter participado de um churrasco em Lençóis Paulista. Com o raciocínio afetado pelo consumo excessivo de bebida alcoólica, ele pegou o caminho errado e só parou quando foi abordado pelo Policiamento Rodoviário.
Apesar do alto risco, não houve acidente. Conduzido ao plantão policial, Rodrigo foi autuado em flagrante por embriaguez ao volante e liberado após pagar fiança no valor de R$ 310,00. Em entrevista ao Jornal da Cidade dias depois, ele assumiu o erro e se disse arrependido por ter colocado em risco a vida de inocentes. Também afirmou que aprendeu a lição e garantiu que iria arcar com todas as consequências de seu ato, considerado por ele próprio como "irresponsável".