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Japão levará meses para cessar vazamento


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Tóquio - O governo do Japão alertou ontem que pode levar meses para parar o vazamento de material radioativo da usina nuclear atingida por um forte terremoto e um tsunami, há três semanas, enquanto mais corpos eram encontrados em áreas devastadas no nordeste do Japão.

Um assessor do primeiro-ministro, Naoto Kan, disse que a prioridade do governo é acabar com os vazamentos de radiação que estão assustando o povo e atrapalhando o trabalho de refrigeração das barras de combustível nuclear superaquecidas.

"Não escapamos de uma situação de crise, mas ela está, de certa forma, estabilizada", disse Goshi Hosono, um parlamentar do partido do governo e assessor de Kan. "Quanto tempo vai demorar para atingir (o objetivo de deter o vazamento de radiação)? Acho que muitos meses pode ser uma boa meta", disse Hosono, ontem.

Um funcionário da Tokyo Electric Power (Tepco), operadora da usina, encontrou uma rachadura numa parede de concreto do poço do reator número 2, no complexo Fukushima Daiichi, no fim de semana, gerando uma leitura de 1.000 miliserviets de radioatividade por hora no ar lá dentro.

O vazamento não parou depois que despejaram concreto no poço, e a Tepco passou a utilizar polímeros que absorvem líquido para evitar que mais água contaminada saísse. O último esforço para estancar o fluxo da água radioativa para o oceano Pacífico começou ontem à tarde. Funcionários cobriram os polímeros com mais concreto.

Autoridades acreditam que a rachadura pode ser uma fonte do vazamento de radiação que tem atrasado os esforços de controlar o complexo de seis reatores e fez com que os níveis de radiação no mar ultrapassassem 4 mil vezes o limite legal.

A luta para resfriar os reatores aquecidos e evitar a perigosa fusão das barras de combustível altamente radioativas já fez com que os funcionários jogassem água salgada nelas, mas isso deixou a instalação inundada, impedindo que os homens chegassem mais perto dos reatores.

Nishiyama disse que água doce estava sendo bombeada agora para os reatores 1, 2 e 3, usando energia externa, que se mostrou mais estável do que os geradores a diesel de emergência, que vinha sendo usados. Ele disse que os três reatores estavam agora estáveis.

O terremoto de magnitude 9,0 e o tsunami do dia 11 de março deixaram quase 28 mil mortos e desaparecidos e a costa nordeste do Japão arrasada. O desastre afetou a economia e trouxe um prejuízo que pode chegar a US$ 300 bilhões.


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Em três dias, mais 78 corpos


Tóquio - Dois funcionários da Tepco, a empresa que opera a central nuclear de Fukushima Daiichi, foram encontrados mortos no porão de uma das unidades da usina nuclear, informou ontem a rede de televisão NHK. Os funcionários, de 21 e 24 anos, estavam desaparecidos desde o terremoto seguido de tsunami que atingiu o nordeste do Japão no último dia 11 de março.

Os dois trabalhavam na manutenção do prédio de turbinas do reator 4 e foram achados na última quarta-feira, quando a água contaminada por radiação foi drenada do fosso dessa parte da usina.

O presidente de honra da Tepco, Tsunehisa Katsumata, lamentou a morte dos jovens "que trabalhavam pela segurança da central" e se mostrou decidido a que tragédias assim "não se repitam".


Total de mortos


O número de mortos por causa do terremoto seguido de tsunami no nordeste do Japão aumentou ontem para 12.009 e há ainda 15.472 desaparecidos, segundo o último cálculo da polícia japonesa. Além disso, cerca de 170 mil pessoas estão em cerca de 2.200 refúgios, a maioria provenientes de localidades litorâneas de Iwate, Miyagi e Fukushima, as três províncias mais danificadas pelo desastre.

Em Miyagi o número de mortos chega a 7.318, enquanto em Iwate há pelo menos 3.518 mortos e em Fukushima 1.113, ao mesmo tempo que os desaparecidos são contados aos milhares nas três províncias.

Na sexta-feira, as autoridades japonesas e dos EUA lançaram uma grande operação conjunta de três dias para procurar os desaparecidos nas áreas mais devastadas, embora até o começo da noite de ontem só se tinha conseguido recuperar 66 corpos.

No dispositivo participam cerca de 18 mil militares japoneses e sete mil dos EUA, além de 3 mil soldados da polícia, da Guarda Litorânea e dos Bombeiros.

Anteontem, parte das operações se centraram na cidade de Ishinomaki (Miyagi), onde mergulhadores das Forças de Autodefesa (Exército) e dos Bombeiros inspecionaram as águas do rio Kitakami, o principal do nordeste japonês, na busca de corpos, informou a agência local Kyodo.

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