Bairros

Saúde teme chegada do vírus 4 da dengue

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 7 min

Até o momento, todos os 1.281 casos de dengue registrados em Bauru correspondem ao tipo 1 do vírus. No entanto, o tipo 4 da doença "saltou" em um curto período de tempo do norte do País para o Estado do Rio de Janeiro e, ontem, um caso isolado foi confirmado na cidade de São José do Rio Preto, localizada a 198 quilômetros de Bauru.

O secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, que também é médico infectologista, afirmou na tarde de ontem que teme a possível chegada do tipo 4 em Bauru. É a primeira vez que esse vírus é encontrado no Estado de São Paulo.

"Quando (o vírus) estava na Amazônia, nós ficávamos mais tranquilos. Mas São José do Rio Preto é aqui perto e a qualquer momento pode-se ter uma introdução desse tipo. Não quer dizer que o tipo 4 é mais grave do que os outros, depende muito da relação entre o vírus e o organismo humano. Mas não deixa de ser preocupante", destaca Monti.

Bauru vive uma situação que poderia funcionar como "barreira" no caso da chegada de um novo tipo de vírus da dengue, segundo a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz Rita Nogueira - conforme matéria publicada pelo Jornal de Cidade no último domingo. A cidade possui apenas um tipo de vírus circulando e isso pode ser um aspecto positivo, de certa forma.

Mas o secretário municipal da Saúde explica que as epidemias causadas por dengue são muito rápidas e que os vírus infectam os mosquitos, que transmitem a doença para uma determinada quantidade de pessoas.

"Se você ficar tendo transmissão ao longo do ano sem nenhuma interrupção nessa cadeia, você pode conviver com dois tipos diferentes de vírus. Mas em São José do Rio Preto, acredito que o vírus que estava circulando antes da chegada do 4 era outro. Por isso, é enorme a minha preocupação com a chegada do tipo 4 em Bauru", observa Monti.

Ontem, a Secretaria Municipal da Saúde confirmou em nota mais 78 casos da doença, todos relacionados ao vírus do tipo 1. No total, Bauru soma 1.281 casos, sendo 1.278 autóctones e três importados.

Explosão de casos

O número de pessoas infectadas cresce de forma "explosiva" na cidade e desemboca na superlotação de salas de espera e enfermarias do Pronto-Socorro Central (PSC), Hospital Manoel de Abreu, Hospital Estadual (HE) de Bauru, Hospital Beneficência Portuguesa de Bauru e Hospital da Unimed.

Levantamento feito pelo Jornal da Cidade juntamente com as assessorias de imprensa dos órgãos de saúde revelou que muitos casos ainda estão por aparecer. As pessoas atendidas no PSC com sintomas muito acentuados são transferidas para receber medicamento e soro no Hospital Estadual - que atendeu, somente em março deste ano, 44 notificações sendo 32 de adultos e oito crianças. Ontem havia dois adultos na internação apenas recebendo medicamento intra-venoso.

No Hospital Manoel de Abreu não havia ninguém internado ontem com dengue. A mesma unidade de saúde atendeu apenas três casos da doença neste ano. Já o Hospital Beneficência Portuguesa de Bauru recebeu na semana passada oito pessoas na ala de internação. Ontem, outros três pacientes ocupavam a ala.

O Hospital da Unimed estava com três doentes na enfermaria ontem, sendo que um deles já teve o diagnóstico de dengue confirmado e os outros aguardavam o resultado do exame preliminar.

De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, a média de atendimento diário é de 200 pacientes, sendo que pelo menos 50 apresentam sintomas clássicos da dengue. Na tarde de ontem, nenhum dos hospitais citados tinha pacientes com sintomas mais graves em atendimento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

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Com 2 filhos doentes, moradora reclama de descaso da população com a limpeza

Os filhos de Eloani Mara Aparecido, 44 anos, moradora do Parque Santa Edwirges, passaram pela triagem inicial para quem está com sintomas de dengue no Pronto-Socorro Bela Vista. Ela define a situação da dengue em Bauru como um caos geral. Todos as unidades de saúde estão lotadas, mesmo para quem possui plano de saúde ou procura atendimento particular.

Seus filhos Gabriel Aparecido da Silva, 17 anos, e Miguel Aparecido da Silva estão com sintomas acentuados: febre de cerca de 40 graus, dores no corpo e nos olhos. Miguel tem um sintoma a mais: vômitos.

"Eu fico preocupada por conta da gravidade dos sintomas, mas os dois já estão medicados e aguardando para fazer a sorologia para detectar se realmente estão com dengue".

Eloani reclama da situação em que se encontra o bairro e reclama dos proprietários de terrenos que não limpam os locais. "A nebulização tem passado sempre no bairro. Eu já vi duas vezes e não fico o dia todo em casa. Eles fizeram a catação (de entulho e lixo) também, mas o pessoal continua jogando lixo nos terrenos. Eu limpo a minha casa, olho o quintal, mas as pessoas também têm que colaborar", cobra.

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, chama a atenção para a colaboração da população. "Isso aconteceu muito em locais onde nós fizemos a catação. Nossa equipe limpou o local e alguns dias depois já havia muito lixo no mesmo lugar. A população precisa colaborar. Eu digo que mais do que um problema da saúde, a dengue é uma doença urbana que vem da sociedade", analisa.

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Dengue hemorrágica

Afinal, a chance de adquirir dengue hemorrágica após ser acometido pelo tipo comum da doença aumenta? Segundo o secretário municipal dw Saúde, Fernando Monti, que também é médico infectologista, "ter dengue antes não é sinônimo de adquirir dengue hemorrágica posteriormente. Pode ser que aconteça, mas continua sendo raro", esclarece. Tudo depende do quadro imunológico de cada paciente.

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Megaoperação

A megaoperação firmada contra a dengue em Bauru segue hoje com ações no Parque Santa Edwirges e Jardim Vânia Maria. Nestes locais serão coletados materiais sem utilidade que possam servir de criadouros para o mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue.

Na manhã de ontem, 1.014 residências foram vistoriadas, sendo que 113 visitas foram voltadas aos imóveis encontrados fechados em visitas anteriores. No total, foram recolhidas mais de seis toneladas de material inservível. A retomada da nebulização feita pela equipe da Superintendência do Controle de Endemias (Sucen) será nesta quarta-feira.

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Secretário destaca a importância de buscar atendimento médico

Apesar da grande quantidade de pessoas procurando por atendimento direcionado ao tratamento da dengue em Bauru, é importante que a população não se alarme, segundo alerta o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti.

"As pessoas devem, sim, procurar atendimento médico. Principalmente porque os sintomas da dengue são muito desagradáveis, segundo relatos de pacientes. Então, um medicamento para dor no soro e uma hidratação mais rápida e direta ajudam a diminuir os sintomas. Mas não há motivo para desespero", explica.

O vírus da dengue permanece no organismo por cerca de uma semana e não há medicamento para o combate da doença. Não são todos os remédios que podem ser ingeridos quando se está infectado. Alguns podem causar hemorragias, por isso, é importante procurar atendimento médico.

A Secretaria Municipal de Saúde orienta que a sorologia para diagnóstico da patologia deve ser feita no sexto dia após o início da febre, um dos sintomas da doença, o que evita resultados chamados de falso-negativo.

Os sintomas da dengue em geral são: febre alta, dores no corpo, nas juntas, no fundo dos olhos e dor de cabeça, cansaço, indisposição, vômitos e manchas vermelhas pela pele.

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USC nega a existência de criadouro do Aedes aegypti na cobertura de prédios

Assim como muitos outros locais da cidade, como chafarizes em praças públicas e caixas d?água de pronto-socorros, parte dos telhados da Universidade Sagrado Coração (USC) se tornou alvo de críticas por conta da lâmina de água existente sobre alguns dos prédios. Os denunciadores acreditavam que estes locais eram focos para o desenvolvimento das larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.

No entanto, na tarde de ontem a assessoria de imprensa da instituição informou em nota que as lâminas de água fazem parte de um projeto de arquitetura visando o conforto térmico existente desde a fundação da universidade.

O projeto foi idealizado pelo arquiteto Jurandyr Bueno Filho e, segundo a assessoria, completa o ideal de sustentabilidade adotado pela instituição de ensino. Segundo Fabiano Baracat, engenheiro da USC, esta lâmina de água é renovada 24 horas por dia e nunca houve foco de dengue naquele local, que possui amplo sistema de conservação.

Na nota, uma ressalva aponta que o biólogo e professor da USC Dorival José Coral acompanha há 10 anos o projeto de arquitetura e defende que no local há um ecossistema totalmente estabilizado.

"Além da lâmina de água, há plantas que vêm com o vento, germinam e se desenvolvem e há, também, algas e zooplânctons que se alimentam de possíveis larvas de insetos", disse.

A universidade garante que esse controle biológico funciona perfeitamente e é completado pelo controle químico, excluindo qualquer possibilidade de foco do mosquito Aedes aegypti. O controle químico não interfere no desenvolvimento do ecossistema, fazendo com que ambas as ações sejam efetivas.

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