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Combate ao câncer ganha impulso com equipamento nuclear de ponta

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 7 min

O combate ao câncer em Bauru e região ganhará impulso com um equipamento nuclear de ponta, que promete tratar vários tipos de tumores com mais eficácia, em aproximadamente um mês. Trata-se do Acelerador Linear de Partículas mais moderno da América Latina, segundo o médico idealizador do Centro Oncológico Professora Nair Araújo Antunes e diretor do serviço que funciona da cidade, Carlos Eduardo Araújo Antunes. "O segundo funcionará no Hospital do Câncer, em Barretos, a partir de outubro. E faço questão de atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), além de planos de saúde. Tumor tem que ser tratado igualmente, independentemente do convênio", diz.

De acordo com ele, que é também o oncologista na área cirúrgica, três modalidades serão utilizadas em tratamentos multidisciplinares de oncologia, no centro. Além do Acelerador Linear de Partículas (equipamento de radioterapia que tratará uma ampla gama de cânceres ? veja info nesta página), a Braquiterapia (modalidade de radioterapia utilizada principalmente no tratamento da enfermidade cancerígena no colo uterino) e a Betaterapia, que focará o tratamento em superfícies de pele.

Apesar dos três equipamentos serem modernos, a grande novidade é mesmo o Acelerador Linear de Partículas, que graças a uma série de novas ferramentas integradas, será capaz de reduzir a exposição do paciente à radiação, atingindo de forma mais precisa os tecidos doentes (tumores), diminuindo os efeitos colaterais. Foi produzido pela Varian norte-americana.

"Os tratamentos com o uso dessa tecnologia terão uma toxidade muito baixa, com resultado superior. Alguns tratamentos tradicionais que poderiam durar até 30 dias podem ser feitos com uma aplicação em poucos dias e com menos sequelas", explica o onco-hematologista Marcelo Bernardini Antunes, do corpo clínico do centro.


Convênios


Os equipamentos, inclusive o Acelerador de Partículas, que estarão disponíveis centro situado no Núcleo Presidente Geisel, em Bauru, foram adquiridos com recursos privados, por meio de um grupo de especialistas em oncologia e radioterapia que reconheceu a necessidade de trazer a tecnologia para Bauru. "Sem qualquer vinculação política ou com instituição pública", ressalta Carlos Antunes. Ele e Marcelo Antunes, médico do corpo clínico, afirmam que o objetivo é tornar o serviço acessível a qualquer pessoa, por meio de convênio privado ou público. Até então, equipamentos dessa natureza só eram disponibilizados em grandes centros de referência oncológica, como o Hospital do Câncer e Albert Einstein, em São Paulo.

"Havia necessidade de ter um serviço desses na nossa região, que cresceu bastante nos últimos anos. Trazer esse maquinário para Bauru partiu de uma iniciativa de especialistas bastante experientes da área que trabalham em centros de referência, como Hospital do Câncer e Albert Einsten, ligados à radioterapia, entidades que dominam essas tecnologias avançadas. Eu trabalhei um tempo com esses especialistas e formamos uma associação", explicou Carlos Antunes.

O responsável por calcular a dose de radiação de cada tratamento, por exemplo, trabalha no Einsten há 24 anos e é PHD. Já o radioterapeuta, João Vitor Salvagioli, é professor e chefe do serviço de radioterapia do Hospital do Câncer há 20 anos.

"Foi feito um trabalho em conjunto, com recursos próprios, para trazer essas máquinas e oferecer a estrutura física. Esse processo ocorreu ao longo de dois anos, em etapas que exigem desde a aprovação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o planejamento do projeto, a parte de edificação necessária até a parte de importação e chegada do aparelho importado. É um processo burocrático, moroso", detalhou Marcelo Antunes.

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Acessível


A próxima etapa do grupo de médicos que está trazendo o Acelerador Linear de Partículas para Bauru é tornar o serviço acessível à população.

"O Acelerador é de última geração, detém tecnologias consideradas as mais modernas, de referência mundial. Todas as patologias vão estar bem cobertas pelas modalidades de tratamento da clínica e vamos buscar credenciamento com o SUS (Sistema Único de Saúde), pois nosso objetivo é atender a todos", diz o médico Marcelo Antunes.

"Estaremos à disposição de universidades e de toda a comunidade. Bauru vai se tornar uma referência para toda a região", salienta Carlos Antunes.

Marcelo promete que, como a novidade, Bauru vai passar de uma situação deficitária de radioterapia para uma situação privilegiada, sendo possível receber pacientes de fora.

"Dessa maneira, não vai haver justificativa para o paciente sair daqui (para fazer o tratamento em outras cidades). Outros serviços de oncologia poderão completar o tratamento se beneficiando dessas novas tecnologias", frisou. O prédio onde o centro funciona dispõe de uma área para o departamento de radiação planejado especificamente para receber os equipamentos nucleares, com paredes de até 2,6 metros de espessura de concreto - sendo Miguel Jorge Diban Readi o engenheiro responsável.

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Portal Vision


Além do feixe de lâminas, a precisão da radiação é reforçada com o detector de imagens digitais, chamado de Portal Vision. "Antes de fazer o tratamento, o detector reproduz digitalmente uma imagem e, assim, é possível conferir se as lâminas estão posicionadas corretamente. E então, com essa imagem, a gente consegue visualizar o local real onde vai ser tratado", diz o físico.

Sem essa ferramenta digital, o procedimento anterior era processado através de um filme que teria que ser revelado para que a imagem da região a ser tratada pudesse ser visualizada. "Até obter essa imagem e fazer a visualização dela através de revelação, havia um problema: o paciente poderia ter se mexido neste meio de tempo, desfocando a área tratada. Então, com esse detector, que se chama Portal Vision, a gente ganha precisão nessa questão", acrescenta Leandro.

A radioneurocirurgia também leva vantagens diante a utilização do Acelerador Linear de Partículas. O paciente submetido a essa modalidade de tratamento possui lesões cerebrais pequenas, que exigem maior precisão ainda na radiação. "Para isso, é fixado um acessório de imobilização na cabeça do paciente, na mesa de tratamento do Acelerador, uma espécie de anel. Assim, é possível atingir o alvo com mais objetividade", explica o físico, responsável por operar e planejar a ação dos equipamentos.

Leandro salienta ainda que o Acelerador recém-adquirido possui um sistema de gerenciamento digital que acompanha todas as etapas da radioterapia, aperfeiçoando o tratamento e cura do paciente.

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Alta precisão de radiação


Segundo o físico Leandro Barros Amaral, que trabalha com José Carlos Cruz, o Acelerador Linear de Partículas, que contemplará o tratamento dos mais variados tipos de câncer - como de mama, pulmão e próstata -, permite ao paciente ser beneficiado com um sistema de planejamento de alta precisão de radiação que, até então, somente era encontrado em centros de referência no tratamento aos pacientes de câncer.

Ele aponta algumas das várias vantagens e recursos da tecnologia e seus acessórios que estarão disponíveis no Centro Oncológico Professora Nair Araújo Antunes. "Esse sistema faz com que seja possível obter uma alta precisão da radiação. Assim, os outros tecidos sadios do corpo são menos prejudicados", aponta o físico.

Ele detalha como acontece a radioterapia por meio do novo aparelho. "O Acelerador Linear de Partículas chega com mais exatidão às áreas do tumor através de técnicas de radioterapia conformacional tridimensional e da Intensity Modulated Radiation Therapy (IMRT). Ambos métodos ajudam a checar o tumor e planejar o tratamento", frisa Leandro Amaral.

Assim, o tratamento através dessas tecnologias "tops de linha" permite selecionar os tecidos doentes com mais facilidade e exatidão. "Com essas técnicas, é possível fazer um desenho e conformar o feixe de radiação na região de células que se pretende modificar. Com isso, o volume de tecido sadio irradiado será minimizado. Dessa forma, o tratamento contra o câncer se torna mais sofisticado e ágil", frisa Amaral.

A técnica conformacional faz a emissão do feixe de radiação conforme desenho de um conjunto de lâminas, que vão atuar na área do tumor. Em seguida, através da técnica de IMRT, as lâminas se movimentam e aplicam doses de radiação em determinados pontos, de maneira que essas doses sejam maiores em tecido doente e menores em tecidos sadios.

Amaral tenta esclarecer como tudo isso acontece. "Há uma janela no Acelerador em que temos a saída do feixe de radiação. Em seguida, a partir de um conjunto de lâminas, consegue-se direcionar o feixe num volume determinado em certos pontos dos tecidos", indica.

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