Internacional

ONU cerca presidente da Costa do Marfim

Folhapress
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Abidjã - Um dia após as forças da ONU promoverem inesperada intervenção na Costa do Marfim, ontem, o presidente Laurent Gbagbo se encontrava cercado por forças oposicionistas e negociava a sua renúncia. A polêmica ação militar da entidade, lançando mísseis contra alvos ligados a Gbagbo, motivou críticas sobre seu papel.

A principal, da Rússia, membro com poder de veto do Conselho de Segurança, que questionou a legalidade dos ataques. "Estamos estudando o aspecto legal da situação, porque as forças de paz têm um mandato que as obriga a ser neutras e imparciais. Até agora não tivemos respostas claras para nossas perguntas??, disse o chanceler Sergei Lavrov.

A ex-metrópole França, que lidera na prática a força de paz, diz que os ataques foram autorizados pelo Conselho de Segurança e estão dentro do mandato de proteger civis. A ONU tem 10 mil "capacetes azuis?? no país.

Os ataques ocorrem pouco mais de duas semanas do começo das ações na Líbia -também com aval da ONU.

A Costa do Marfim vive crise desde dezembro, quando Gbagbo se recusou a deixar o cargo depois de ter perdido as eleições para o oposicionista Alassane Ouattara.

Desde então, milícias pró-Ouattara tomaram mais da metade do país.

Hoje, circularam informações de que Gbagbo, cercado no palácio presidencial de Abidjã -principal cidade marfinense-, renunciaria. Mais tarde, o próprio presidente negou os relatos.

De acordo com o jornal britânico "Guardian??, três generais ligados a Gbagbo mantinham contato com a ONU. Ele estaria pedindo garantias de vida. Sua renúncia ainda era dada como provável até as 20h.


ONU


Tanto o ataque em Abidjã quanto a zona de exclusão na Líbia são frutos da doutrina "responsabilidade de proteger", que estabelece que a comunidade internacional deve agir quando um Estado falha em cuidar da população.

Ela começou a ser discutida em 1994, quando a ONU não interveio para impedir 800 mil assassinatos em Ruanda, e adotada em 2005.

"A partir dos anos 90, as missões de paz são cada vez mais centradas na proteção dos civis, por isso começaram a ser criadas forças mais robustas, como no Haiti e na Costa do Marfim", disse Giancarlo Summa, diretor do Centro de Informações da ONU no Brasil.

Mas, diferentemente dos demais casos, na Líbia não havia uma missão de paz estabelecida.

Numa iniciativa cujo precedente foi a zona de exclusão aérea na Bósnia (1995), a ONU deu aval a uma ação militar.

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