Pesca & Lazer

História de Pescador: Pesca proibida


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Uma caravana de pescadores saiu de Bauru com destino ao rio Paraná, na região de Castilho, nas proximidades da barragem de Jupiá, entusiasmada com a notícia de que ali estavam pegando muito peixe, principalmente o rei dos rios, o dourado.

Para que tivessem sucesso nesse evento, lembraram-se logo do Zé Birruguinha, a quem foram convidar para fazer parte da equipe, na condição de chefe e piloteiro da embarcação, fazendo valer assim toda a sua experiência de pirangueiro, como também de profundo conhecedor dos segredos dos rios.

Chegaram no local bem cedinho, colocaram o barco na água, testaram o motor e em seguida foram para o rancho afim de tomarem café e prepararem os seus molinetes.

Enquanto isso, o Birruguinha para ganhar tempo, talvez querendo pegar um dourado para garantir o almoço, ligou o motor e saiu sozinho rio acima para soltar alguns cavalinhos (anzol com metro de linha preso à uma bóia). Com isca viva largou umas quinze armadilhas e saiu acompanhando-as de longe. E nada de peixe.

Em dado momento, quando um casal de biguás que passava voando baixinho sobre o rio, inesperadamente, um enorme dourado saltou saindo totalmente da água, pegando uma das aves e a devorando. Foi uma passagem marcante para o Zé, uma vez que jamais tinha visto uma cena como aquela.

Sem desanimar, desceu até o porto do rancho, tentando de tudo para faturar e nada de dourado. Após atracar o barco alguém tirou o sarro:

É pessoal, a coisa está preta. O Zé que é considerado campeão voltou com o dedo atolado, imagine nós. Como consolo o campeão tinha somente a história do biguá para contar, que minunciosamente narrou em seus mínimos detalhes. Mas como ninguém põe fé em histórias de pescador, riram bastante, fizeram gozações e piadas com o chefe, deixando-o bem encabulado.

A resposta só veio mais tarde, quando próximo do local do acontecimento narrado pelo Zé, de molinete um dos pescadores fisgou e embarcou um dourado muito grande. No momento em que foram limpar o peixe para congelar, para a surpresa de todos, encontraram em seu bucho, já se decompondo, o biguá da historia contada pelo nosso Zé Birruguinha. É Mole?

Do livro "Coisas da caserna e estórias do Zé Birruguinha", de Orlando Álvares de Araújo

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