Articulistas

Upa, paparapapá...

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A repetição de problemas estruturais na Saúde local é por deficiência de gestão política. O governo Rodrigo Agostinho (PMDB) vai concluir seu mandato com os mesmos gargalos de quando assumiu. E que não se enganem com as quatro UPAs. Elas vão apenas confirmar a falta de estrutura no atendimento básico, até porque atenderão a serviços intermediários no sistema.

Mas o que espanta é que o prefeito de plantão continua a falar sobre o tema com muito espírito jovem e pouca responsabilidade. A Saúde local consome em torno de R$ 110 milhões anuais para servir de porta regional à urgência e emergência e realizar atendimentos precários nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A divisão per capita desse significativo volume de verbas públicas espanta ainda mais em razão de mais da metade dos 360 mil bau-ruenses contar com plano de saúde privado. Assim, o sistema municipal está engolindo recursos sem relação com resolutividade e, o que é pior, com o que seria a menor parcela da população local.

De um lado, o Pronto-Socorro anestesia procedimentos, em boa parte, que não são de sua virtude operacional. É como dar um analgésico para quem tem dor de cabeça. Não é traumatismo craniano e, por concepção, é paciente que não deveria ir para o PS. Mas, como os "programas colaterais" não funcionam, a prefeitura "prescreve" como "porta de entrada" dos serviços de saúde a mesma condição entre quem rachou a cabeça em um acidente e o cidadão que tem mais uma daquelas crises de enxaqueca.

Há de se indagar: por que R$ 110 milhões anuais divididos por cerca de 140 mil bauruenses não são suficientes? Uma resposta antiga é que a pirâmide dos serviços está invertida. Ocorre que a estrutura do programa de saúde da família é muito parecida com o que se viu em 1 de janeiro de 2009. E as UBS continuam falhando. Mas isto é simplista demais, sabemos.

O atual governo inflou os gastos com pessoal e reduziu jornada, com o PCCS, sem relação sistêmica com o meio, vai continuar com dificuldades para atrair mão de obra especializada, aprofundou o corporativismo de jaleco branco e não enfrentou o efeito beliche nos fundos do Pronto-Socorro, nem tampouco o foco da regulação dos recursos e da distribuição dos serviços entre os agentes.

Por isso, a prefeitura fica com a conta do cidadão que se arrebentou em acidente rodoviário em Duartina. Mas por que o governo local não enfrentou o gargalo da regulação do sistema? Vai esperar o Estado empurrar o que sobrou do precário Hospital de Base? Por que os programas preventivos, de mapeamento e regionalização dos indicadores de saúde não avançaram?

E esperem os próximos meses e, sobretudo, 2012, para que o jovem prefeito descerre as placas de inauguração das UPAS pregando que agora vai! As Unidades de Pronto-Atendimento só terão eficácia se o atendimento básico funcionar. Sem isso, vão apenas confirmar o que está nas planilhas. E o cara que voltou a ter enxaqueca vai correr para uma dessas unidades. E o profissional de plantão vai repetir o diagnóstico de nossa roda vida sem limites. Upa, lá vem mais um paliativo! E há de se repetir o paparapapá. Lembra, prefeito?

O autor, Nélson Gonçalves, é jornalista

Comentários

Comentários