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Governo amplia imposto para conter dólar

Folhapress
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Brasília - Os bancos e empresas brasileiras terão que pagar mais caro para trazer dinheiro do exterior. Preocupado com a excessiva valorização do real e com o aumento do crédito no País, o Ministério da Fazenda decidiu ontem estender a cobrança de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para todos os empréstimos tomados lá fora com prazo inferior a dois anos.

A medida, que entra em vigor hoje, tem como objetivo reduzir a entrada de dólares e, com isso, evitar uma alta ainda mais forte do real. A decisão também ajudará o governo a frear a oferta de empréstimos para pessoas físicas e empresas no Brasil, contribuindo para diminuir as pressões por alta de juros.

"Além de reduzir o fluxo de capital, procuramos reduzir a oferta de crédito que entra por esse canal. Essa porta de entrada acaba neutralizando as medidas do Banco Central", explicou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, citando as ações tomadas pelo BC em dezembro.

O novo aperto anunciado ontem é uma extensão da medida tomada na semana passada, quando o governo resolveu cobrar o IOF, com alíquota de 6%, em todos os empréstimos tomados no exterior com prazo entre 90 e 360 dias.

Na avaliação do ministro, boa parte do dinheiro tomado lá fora em empréstimos de curto prazo acaba sendo usado para fazer aplicações financeiras no Brasil, contribuindo para aumentar a valorização do real. Segundo Mantega, bancos e empresas captam recursos com juros baixos no exterior e aplicam ou emprestam no Brasil a taxas mais altas, o que garante um bom ganho financeiro.

O ministro fez questão de frisar que os juros são altos no País por conta da inflação, mas apesar do mercado financeiro apostar em uma nova alta da taxa básica de juros (Selic) na próxima semana, essa hipótese não foi considerada na definição da medida anunciada ontem. "O juro é alto por causa da inflação. O BC não olha para o câmbio, ele tem que olhar para a inflação", disse.


?Proteção?


Na avaliação do ministro, a cobrança de IOF nos empréstimos com até dois anos de prazo não deve prejudicar os exportadores, que tomam esses recursos para fazer operações de proteção (hedge) contra variações cambiais. "Basta fazer o hedge com um crédito acima de dois anos que não terá custo nenhum", disse.

A medida anunciada ontem é a 12ª tomada pelo governo desde outubro do ano passado para tentar conter a escalada do real frente ao dólar. Mantega lembrou que a crescente entrada de moeda estrangeira no País exige a adoção de medidas dessa natureza. "Isso é um problema e governo tem que agir para evitar excessos", salientou.

Mantega negou que esteja adotando uma política de anúncio a conta gotas. "Tem um rol de medidas, mas queremos tomar medidas que não interfiram muito na economia", disse. "Poderíamos tomar medidas mais drásticas, mas elas têm efeitos colaterais", acrescentou. Segundo o ministro, o governo quer reduzir o consumo, mas sem causar grandes impactos sobre a economia. "Calibrar isso não é fácil. Tem que ser uma dose de remédio sem efeito colateral", disse. "Prefiro errar para menos no início do que para mais".

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Entrada de dólar bate recorde


Brasília - A entrada de dólares no país superou a saída em US$ 35,6 bilhões no primeiro trimestre de 2011. É o maior valor da série iniciada em 1982 pelo Banco Central. É também mais que o dobro do recorde anterior, verificado no mesmo período de 2006 (US$ 17,7 bilhões).

O valor supera ainda em 46% o volume de dólares que entrou no país em todo o ano passado.

Os números mostram que houve novamente antecipação no ingresso de recursos, na última segunda-feira, diante do vazamento de informações por parte do governo de que adotaria novas medidas cambiais para evitar esse tipo de movimento.

Somente em março, entraram no país, líquidos, US$ 12,7 bilhões, valor recorde para o terceiro mês do ano.

A maior parte dessa entrada está relacionada à captação de recursos no exterior por empresas brasileiras, modalidade que foi alvo de medida do governo na semana passada, e investimentos estrangeiros em empresas. A entrada de recursos para aplicação em títulos e ações continua baixa.


Intervenções


As intervenções do BC para segurar a queda do dólar já somam US$ 24,5 bilhões no mercado à vista e US$ 1,3 bilhão no mercado futuro. Somados, os valores representam 62% das compras realizadas em 2010.

Outro dado divulgado pelo BC mostra que a medida anunciada para obrigar os bancos a reduzir as apostas na queda do dólar deu resultado. As dívidas dos bancos no mercado à vista caíram praticamente pela metade desde o final de 2010, para US$ 8,8 bilhões.

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