Bauru e região assistem, mais uma vez, ao renascimento de uma batalha que surgiu na década de 58 do século passado, quando o parlamento paulista, por iniciativa do deputado Ferreira Keffer, aprovou a criação de nossa Faculdade de Medicina. Gostaria de reproduzir aqui editorial do JC, edição de 10 de maio de 1990, redigido por mim. Peço a atenção do leitor para seu texto, que se aplicaria "ipsis literis" aos dias atuais:
"A luta continuada pela Medicina"
"A luta pela conquista da Faculdade de Medicina, que já vem de longa data - desde a aprovação da lei Ferreira Keffer, em 1958, que criou essa escola superior em Bauru -entra agora numa fase em que terá dificuldades de tramitação por causa das eleições de outubro. É verdade que o período eleitoral costuma fazer milagres no tocante à conquista de reivindicações, porque interessa aos governantes agradar o eleitorado. Mas há o problema da troca de governador. Se o atual titular, Orestes Quércia, der apoio à instalação da Medicina, confirmando decisão favorável dos reitores da Unesp e da USP, o fator tempo deverá pesar na concretização da medida. Supondo-se que o sucessor de Quércia não seja o candidato por ele indicado ao PMDB, fica no ar uma pergunta: será que o novo inquilino do Palácio dos Bandeirantes estará disposto a ratificar uma decisão do seu antecessor?
Independente de tais considerações, merece acolhida e incentivo o trabalho que vem sendo desempenhado pelos poderes públicos e pelos representantes da classe médica e da coletividade em geral. É um absurdo que a escola superior criada há mais de 30 anos continue no papel, como letra morta, enquanto cidades bem menores de nossa região já têm sua faculdade de Medicina.
Bauru é um centro universitário muito respeitado. Milhares de estudantes se formam aqui, todos os anos, valendo-se não apenas da qualidade das escolas mas também da situação geográfica do município, que facilita o acesso dos interessados. Temos hoje quatro universidades, incluindo-se a ITE, para complementar o ambiente propício à instalação da Faculdade de Medicina.
As comissões que tratam da conquista da nova escola têm agido com determinação incansável. As forças políticas da região, representadas por quase todos os prefeitos e vereadores, emprestaram seu apoio à reivindicação bauruense e a opinião pública cerra fileiras em torno desse trabalho. Se não houver chances de formalização dessa conquista até o final do ano (1990), ainda na gestão do atual governador, a luta deve continuar. Se a Faculdade de Medicina vier finalmente a instalar-se aqui, estará completo o universo de escolas superiores de Bauru. E nenhum jovem com capacidade e espírito de luta poderá reclamar que precisa sair daqui para alcançar lá fora o seu canudo de cursos superiores."
Queira Deus - na inspiração do governador Alckmin - que o augúrio de meio século desta vez se torne realidade.
O autor, Nilson Costa, é jornalista e ex-prefeito municipal