Tribuna do Leitor

Moldura de honra


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Quero pintar com palavras uma tela imaginária para a minha moldura. Trabalho dos mais difíceis, se eu tivesse a pretencão de estampar aqui toda imensidão de valores da personalidade que eu quero apresentar, o dr. Lauro de Souza Lima. Sim, porque jamais conseguiria adjetivos que elevasse a minha imaginação  à altura do dr. Lauro. Mas, leitor amigo do Jornal da Cidade, vamos à minha meta. Nesta tela, eu pintaria...

 Um verdadeiro bandeirante da Ciência Brasileira,desbravador das selvas onde os internos da antigas colônia de isolamento do Estado de São paulo vivia no mais completo abandono sem a esperança da cura. Alma de alpinista que jamais desceu até nós com olhares de piedade, mas, isto sim, que nos fez subir sempre, levando-nos ao reerguimento moral, meio caminho andado à recuperação! Depois, como somente o tratamento da Alma não fosse o suficiente, foi em busca da recuperação orgânica: e eis a realidade da cura pelas sulfônas. Viajou para Paris em busca do medicamento tão sonhado e esperado por milhares de internos nos sanatórios do nosso Estado! O desejo de viver, idealizar e realizar, depois de uma longa pausa de decadência física e espiritual, foram as conquistas do dr. Lauro, pai e missionário dos hansenianos, que deixou seu imenso legado que tanto estimulou seus discípulos.

Em Bauru deixou alguns dos seus seguidores no Instituto "Lauro de Souza Lima", que vai completar 78 anos de história no próximo dia 13 de abril de 2011. Ainda cultua a memória do cientista hansenólogo brasileiro uma das maiores autoridades no mundo no combate à antiga lepra que foi o dr. Lauro de Souza Lima, discípulos como o prof. dr. Diltor Wladimir Araújo Opromolla (em memória), os doutores Osvaldo Cruz, ex-diretor do atual instituto, Ivander Bastazin e Claudio Tonello, que conheceram o mestre em sua visitas ao anti-go Hospital Lauro de Souza Lima. Em Bauru, são testemunho do meu relato como cidadão bauruense apaixonado pela história, muito embora sem reconhecimento.

Por seus trabalhos como um dos maiores cientistas, a seu crédito alinham títulos como: diretor do Departamento de Profilaxia da Lepra do Estado de São Paulo; Consultor Científico da ONU; representante brasileiro nos Congressos Internacionais de Leprologia no Cairo (Egito) e Havana (Cuba); membro da Conferência Pan-Americana de Leprologia do Rio de Janeiro; diretor do Instituto de Terapêutica Científica; membro da Associação Paulista de Leprologia; diretor do Sanatório Padre Bento durante 20 anos; e foi o iniciador do tratamento sulfônico no Brasil.

A minha tela está incompleta: muito simples nos coloridos para estampar um grande cérebro e um coração de ouro. Carece de retoques, eu sei. Mas isto eu deixo a cargo da sua imaginação, meu caro amigo leitor deste conceituado orgão da nos-sa imprensa escrita, pois somente esta possue fertilidade bastante para um trabalho que não pode ser expresso na íntegra em palavras, que ficaram autenticadas simplesmente pela rubrica do tempo.


Jaime Prado - mtb: 038076 - Funcionário/servidor há 35 anos no Instituto, preservando a história sem reconhecimento

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