Rio - Alan Mendes Ferreira da Silva, 13 anos, já decidiu: à escola Tasso da Silveira, onde cursa a 7.ª série, não volta mais, mesmo com saudade da turma.
Ele está internado, após ter sido baleado na cabeça, na mão e no ombro.
Foi o garoto que, ferido, fugiu para avisar o sargento Márcio Alves, que entrou na escola e evitou um massacre ainda maior.
Alan se lembra com detalhes da ação do assassino na sala 4 da escola Tasso da Silveira. "Ele chegou à sala, botou tipo uma mala na mesa, tirou a arma e deu um tiro na cabeça da Samira (Ribeiro, 13 anos, que morreu). Aí ele foi para mim, virei a cara, só que o tiro pegou aqui (aponta para o olho esquerdo). Eu joguei a mesa, a empurrei em cima dele. Ele me deu outro tiro, mas eu consegui levantar." Alan correu em direção à sua casa, mas viu Márcio Alves e disse: "Tem um maluco atirando na gente na escola".
Ontem, o rubro-negro Alan recebeu da presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, a notícia de que será visitado pelo ídolo Ronaldinho Gaúcho, o que o deixou feliz.
Além de Alan, outras nove crianças seguem internadas, duas em estado grave.
Perfil de assassino
O titular da Delegacia de Homicídios do Rio, Felipe Ettore, disse que vai se concentrar na análise de depoimentos já prestados e do material recolhido pela perícia na casa de Wellington Menezes de Oliveira para "traçar o perfil psicológico" do assassino-suicida. Segundo Ettore, a investigação está praticamente concluída. "Só falta ver o que o levou a fazer isso", disse o delegado.
A origem do revólver calibre 32, uma das armas usadas por Wellington, foi esclarecida. Já a arma calibre 38 também usada no massacre apresenta a numeração raspada, e sua origem está sendo investigada pela Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae).
Wellington destruiu pertences de sua casa e ateou fogo a seu computador, mas a polícia tenta recuperar dados do disco rígido para obter informações sobre o assassino.
Dupla presa por vender arma é levada para presídio
Rio - Os dois homens acusados de vender um revolver calibre 32 a Wellington Menezes de Oliveira, 23, atirador do massacre em uma escola do Rio, foram transferidos ao presídio Ary Franco, em Água Santa, na zona norte do Rio.
A prisão do chaveiro Charleston Souza de Lucena, 38 anos, e do segurança desempregado Izaías de Souza, 48 anos, aconteceu na última sexta-feira. Em depoimento, eles confessaram terem intermediado a venda da arma para Wellington.
A arma, que pertencia a um criminoso da região, considerado desaparecido desde o Carnaval. O revólver tinha sido furtado do sítio de seu dono em 1994.
Lucena, que tem um quiosque nas proximidades da casa de Wellington, em Sepetiba (zona oeste), disse que o atirador lhe perguntou se conhecia alguém que pudesse lhe fornecer uma arma para se proteger, já que morava sozinho.
Casa em que atirador morou volta a ser depredada
Rio - Após ser pichada e ter seu portão arrombado anteontem, a casa onde o atirador Wellington Menezes de Oliveira viveu até o ano passado, em Realengo, voltou a ser depredada na madrugada de ontem.
Vândalos destruíram o portão da garagem e tentaram invadir a casa, onde morou também uma das irmãs adotivas de Wellington. Ela, no entanto, deixou a casa no dia do massacre na escola municipal Tasso da Silveira e não retornou ao local. A polícia prendeu em flagrante duas pessoas que quebraram os portões.
A Polícia Militar informou que, a partir de agora, deixará uma patrulha permanente vigiando a casa, que fica a três quadras da escola Tasso da Silveira, já que a tendência é a de que aumentem as tentativas de depredação.
Homenagem
Cerca de 200 pessoas participaram na manhã de ontem de um culto ecumênico em frente à escola.
O culto, que contou com pastores e um padre, foi organizado pela igreja presbiteriana próxima à escola, que desde quinta-feira vem prestando assistência aos sobreviventes do massacre e a familiares das vítimas.