Polícia

Polícia registra 4 roubos em 3 horas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Uma onda de assaltos fez uma série de vítimas na noite do último domingo, em Bauru. Em intensa atividade entre 21h e 0h, criminosos realizaram quatro roubos em vários pontos da cidade. Até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso.
A primeira ocorrência foi registrada por volta das 21h10. Um grupo de quatro adolescentes entre 11 e 17 anos caminhava na esquina entre as ruas Júlio Maringoni e Saint Martin, na Vila Santa Teresa, quando foi abordado violentamente por três desconhecidos. Um deles agarrou uma das vítimas pelo pescoço, que foi derrubada no chão após outro criminoso aplicar-lhe uma rasteira.

O adolescente foi ainda arrastado por alguns metros, quando os ladrões exigiram que ele lhes desse o aparelho celular, R$ 1,50 que tinha no bolso e um boné. A vítima mais nova, de 11 anos, também chegou a ser agarrada, mas conseguiu escapar. Segundo testemunhas, os três homens fugiram em um Gol branco de quatro portas e aparentavam ter entre 25 e 30 anos.

A suspeita é de que o grupo tenha participado ainda de outro assalto, registrado às 22h30 na esquina da avenida Duque de Caxias com a rua Antônio dos Reis, no Jardim Brasil. Da mesma forma que o primeiro roubo, os autores eram três homens que fugiram em um Gol branco de quatro portas. As vítimas também eram adolescentes - neste caso, quatro estudantes entre 16 e 17 anos.

Eles estavam a pé quando foram abordados e tiveram uma carteira, um relógio, dois aparelhos celulares, uma blusa de moletom e até um contrabaixo roubados. Os ladrões, um deles encapuzado e armado, fugiram sem ser identificados.

Antes disso, no entanto, um outro roubo ocorreu em um ponto distante. Eram 21h20 quando dois homens entraram em um ônibus circular na quadra 12 da rua Maria Benedita Cury, no Parque Jaraguá, e renderam o motorista sob a ameaça de uma faca. Coagido, o condutor entregou cerca de R$ 28,00 em moedas e cédulas que estavam no bolso de sua camisa e no caixa do veículo. A vítima não sofreu ferimentos e os criminosos fugiram sem deixar pistas.

O último assalto ocorreu às 23h50 na quadra 7 da rua Campos Salles, na Vila Falcão. A vítima, um homem de 36 anos, caminhava no sentido bairro-Centro quando foi abordado por um casal armado com um revólver e uma faca. Os ladrões levaram um par de tênis, documentos, dois celulares e R$ 50,00 em dinheiro.


Momento propício


Segundo o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o fim de semana que passou foi propício para a ocorrência deste tipo de crime em razão de dois principais motivos. Um deles é o fato de que a primeira quinzena do mês acaba atraindo os ladrões para as ruas, já que, com o pagamento de salários dos trabalhadores, há mais dinheiro correndo no mercado.

A outra é o período de saída temporária, quando, só em Bauru, quase 3 mil detentos são postos em liberdade. "O que a gente sabe é que, em época de saída temporária, os índices tanto de roubos quanto de furtos sofrem aumento. Não se trata de uma simples coincidência", aponta o coronel. Segundo ele, alguns detentos beneficiados com a "saidinha" - geralmente aqueles pouco interessados em seu processo de reinserção à sociedade - praticam pequenos crimes para obter dinheiro fácil e rápido como forma de se manter nos dias em que estão longe das unidades prisionais.

"Eles têm um tempo muito curto em liberdade e saem dos presídios sem nenhum dinheiro para gastar. Mas é possível que alguns criminosos não sentenciados também acabem se aproveitando da situação para roubar e furtar mais que o de costume", acrescenta.

O fato de cerca de 120 homens da PM terem sido mobilizados para garantir a segurança do jogo entre São Paulo e Noroeste também pode ter colaborado para a ação dos criminosos no último domingo, conforme reconhece o próprio comandante. Ainda que não considere o trabalho realizado no Estádio Alfredo de Castilho menos importante, ele frisa que o patrulhamento teve de ser reduzido em alguns bairros da cidade.

"Não há como fugir disso. Numa situação como esta, os pontos que poderiam estar sendo cobertos pelo policiamento deixam de estar. Nosso desejo é que, em eventos grandes como este, os organizadores tenham condições de contratar seguranças particulares para evitar que tantos policiais precisem ser destacados", aponta.

____________________

PM reestuda estacionamento na Getúlio


O sequestro-relâmpago seguido de roubo e estupro de que dois casais foram vítimas nas imediações da avenida Getúlio Vargas, na última sexta-feira, mobilizou a Polícia Militar (PM) a repensar as condições de estacionamento para os consumidores que frequentam os barzinhos e casas noturnas instaladas naquela região. Uma das principais sugestões a serem estudadas será negociar com o Aeroclube de Bauru a instalação de bolsões de estacionamento no talude próximo ao alambrado que divide a calçada da avenida e a área do aeroporto.

Há alguns anos, o estacionamento na Getúlio foi proibido durante o período da madrugada no sentido bairro-Centro com o objetivo de evitar que veículos permaneçam no local com som alto e que pessoas consumam bebidas alcoólicas em frente aos estabelecimentos comerciais. Atualmente, os motoristas podem ser multados e terem o carro guinchado se pararem às sextas-feiras das 23h à 0h, aos sábados das 23h às 3h, aos domingos das 0h às 12h e das 17h às 22h, e aos feriados das 7h às 12h.

Como resultado, os frequentadores se viram obrigados a estacionar seus carros nas ruas das imediações, nem sempre muito bem iluminadas e quase sempre ermas, palco propício para a ação de criminosos. Com o crime do último fim de semana - ainda não esclarecido, mas que tem como principal suspeita o envolvimento de detentos beneficiados com a saída temporária de Páscoa -, o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, pretende estudar a viabilidade de um novo investimento na região.

A intenção seria negociar com o Aeroclube a cessão desta faixa paralela ao alambrado instalado em toda a extensão da Getúlio. Nela, seriam criados bolsões de estacionamento, com entrada e saída controlada - mas gratuita - para evitar a aglomeração de pessoas que ocorria quando o estacionamento naquele sentido da avenida era permitido.

"Seria uma faixa de quatro ou cinco metros de largura, que não prejudicasse a movimentação das aeronaves e, ao mesmo tempo, fosse suficiente para os carros pararem em segurança. O Conseg (Conselho Comunitário de Segurança Pública) já havia aventado esta possibilidade em um outro momento e acho que, agora, ela pode ser retomada", defende o comandante, acrescentando ainda como medida de segurança a melhoria da iluminação pública nas ruas tranversais e paralelas à Getúlio.

Consultado pela reportagem, o departamento jurídico do Aeroclube informou que irá aguardar manifestação oficial da PM para se pronunciar, mas adiantou que a diretoria está aberta para discutir qualquer proposta que vise garantir a segurança dos frequentadores da avenida. Da mesma maneira, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) também preferiu optar pelo silêncio até que a sugestão seja apresentada.

Comentários

Comentários