Bairros

PM: dono de bar é ?fiscal? contra crime

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Observar melhor o comportamento de frequentadores, não admitir a venda de bebidas alcoólicas para adolescentes e denunciar o uso de entorpecentes. Essas são algumas medidas que podem ajudar os donos de bares a garantir um ambiente mais seguro em seus estabelecimentos.

Essas e outras dicas estratégicas foram discutidas durante palestra ministrada na tarde de ontem, por policiais militares, a proprietários de estabelecimentos noturnos de Bauru. Infelizmente, grande parte desses estabelecimentos virou palco de vários crimes, inclusive assassinatos.

A reunião, realizada na sede do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), teve fraca participação, reunindo apenas 15 donos de bares de diversas localidades da cidade. Funcionários da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) também estiveram presentes, já que o órgão é responsável por fiscalizar os estabelecimentos.

O tenente Vitor Melo, comandante da Base Sul, passou as orientações para o público no sentido de prevenir práticas delituosas. "90% da segurança de um estabelecimento pode ser garantida através de medidas preventivas", alegou.

Entre as principais dicas, a observação se torna aliada no combate à criminalidade. "Eu acredito que a maioria dos donos de bares e outros estabelecimentos não deseja a frequência de pessoas que possam causar transtornos em seus estabelecimentos. Assim, é importante observar o comportamento e conduta dos frequentadores do estabelecimentos. E antes que aconteça algo, ou ao levantar qualquer suspeita, a Polícia Militar deve ser acionada através do 190", alerta Vitor Melo.

Observar se o cliente porta arma de fogo, não reagir durante assaltos e evitar irregularidades em relação às normas do alvará são outras recomendações da polícia aos donos de estabelecimentos.

O dono de um bar no Jardim Europa, Antonio Carlos Egidio, concorda que os proprietários dos estabelecimentos devem assumir papel de "fiscal" para evitar registros de violência.

"Eu, por exemplo, não vendo de jeito nenhum bebidas aos adolescentes e observo se há algum maior de idade que pede a bebida e depois leva para o menor consumir. É preciso tomar bastante cuidado com isso" , comentou.


Ocorrências


Conforme informou o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM-I) de Bauru, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, de 102 ocorrências registradas em bares no decorrer do ano passado, cerca de duas ou três são homicídios, mas a maioria se refere a apreensões de máquinas caça-níqueis.

Porém, por mais que haja autuações da polícia, as ocorrências desse tipo não param de crescer e, em alguns casos, o mesmo bar sofre apreensões repentinas. O número de autuações gera uma certa sensação de impunidade, já que o crime de apreensão de máquinas caça-níqueis é de menor potencial ofensivo.

Em um dos episódios mais recentes, registrado no último dia 8, mais um dono de bar foi autuado por facilitar jogos de azar. Em operação no início da tarde, o Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), da Polícia Civil de Bauru, flagrou um pequeno cassino montado em uma casa localizada na quadra 4 da rua Silveira Martins usada, supostamente, como depósito pelo dono do "Bar do Cigano". Quatro máquinas caça-níqueis foram encontradas.

O comandante da PM, Nelson Garcia Filho, também lembra que, ao instalar máquinas desse tipo em seu estabelecimento, o proprietário acaba contribuindo, mesmo que indiretamente, com quadrilhas especializadas em contrabando de armas, tráfico de drogas, entre outros crimes graves que têm suporte nesse tipo de exploração.

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Medidas punitivas


Para coibir a violência nos estabelecimentos noturno, a lei municipal 5.241 prevê multa e até mesmo a cassação do alvará de locais onde haja registros de violência, crime e agressão. Diversos delitos são, com frequência, registrados pela polícia e encaminhados à Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), que deve aplicar sanções administrativas.

Porém, apesar da fiscalização e autuação da polícia, para a prefeitura aplicar penalidades aos estabelecimentos, a lei municipal 5.241 precisa ser regulamentada.

Frente a isso, o diretor do departamento de uso e ocupação do solo, Paulo Mattos, garantiu que a Seplan está estudando como regulamentar a lei municipal 5.241. "Estamos estudando a regulamentação da lei municipal para torná-la mais aplicável", salientou.

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