Pequim - A presidente Dilma Rousseff está preocupada com o comunicado conjunto a ser lançado pela 3.ª Cúpula dos Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China e que integrará a África do Sul no próximo dia 14, em encontro na cidade de Sanya. Motivo: até agora não houve acordo em relação à posição do grupo para o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Dilma chegou ontem a Pequim e passou o dia em reuniões, no elegante hotel Saint Regis Beijing. Para relaxar, fez sessão de acupuntura com Gu Hanghu, o médico chinês no Brasil que integrou a comitiva juntamente com cinco ministros e a filha da presidente, Paula.
A presidente vai pedir reciprocidade nas parcerias e cobrar uma relação comercial mais justa e equilibrada. Hoje à tarde, Dilma tem reunião com o presidente da China, Hu Jintao, e participa da cerimônia de assinatura de atos entre os dois países. Depois, é homenageada com um banquete pelo presidente da China.
Nas conversas com assessores Dilma foi informada de que a África ainda está indefinida sobre o Conselho de Segurança da ONU. Brasil, Japão, Índia e Alemanha, que formam o G-4, querem assentos naquele fórum e incluíram no pacote o pedido de mais duas vagas permanentes para o continente africano.
A Tunísia e o Egito deram sinais de interesse pelas cadeiras, mas ainda não há consenso sobre o tema. A posição africana, até agora, é a de que novos membros permanentes do Conselho de Segurança precisam ter poder de veto imediato para impedir a adoção de resoluções. Os integrantes do G-4, porém, avaliam que a questão do veto não deve entrar na pauta de negociações nesse primeiro momento.
Embora tenha prometido várias vezes dar aval à pretensão do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, a China recuou e decidiu não manifestar apoio. Na prática, não quer jogar água no moinho do Japão, país que se associa ao Brasil nesse projeto.
Os nós a desatar na 3.ª Cúpula dos Brics não param por aí. Os problemas com o câmbio, a desvalorização artificial da moeda chinesa e os conflitos no Oriente Médio são assuntos obrigatórios no encontro.
Em reunião com os ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), o embaixador do Brasil na China, Clodoaldo Hugueney, e o assessor Marco Aurélio Garcia, Dilma também reviu os discursos que fará ontem para empresários e autoridades chinesas.