Bairros

Samu fica mais de uma hora sem médico

Mariana Cerigatto, Tisa Moraes e Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 7 min

A crise na saúde em Bauru expôs, na manhã de ontem, mais uma situação preocupante. Durante pouco mais de uma hora, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ficou sem médicos plantonistas para atender a população que solicitava o atendimento de emergência pelo número 192. O caso chegou ao conhecimento do secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, que abriu sindicância para apurar o que aconteceu.

Por volta das 8h20 de ontem até 9h30, o Samu ficou sem nenhum profissional. Um médico do Pronto-Socorro Central (PSC) foi deslocado para cobrir o serviço.

O coordenador do Samu, Carlos Eduardo Sacomandi, esteve na unidade, mas estava impossibilitado de assumir sua função já que, segundo ele, está com sintomas de dengue. Contudo, há alguns dias, mesmo debilitado pela provável doença, ele tentou ajudar a cobrir as escalas do Samu.

De acordo com informações da Secretaria Municipal de Saúde, ontem a escala para atendimento no Samu, a partir das 7h, estava em ordem. Ocorreu que a médica que faria o plantão neste horário não compareceu ao serviço.

O plantonista que encerraria a escala de plantão às 7h, segundo as informações apuradas pela secretaria, permaneceu no Samu até as 8h20 e depois se ausentou, sem que houvesse qualquer comunicado à coordenação do Samu, ou à diretoria do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto-Atendimento, ou ainda ao comando da secretaria, setores que poderiam determinar a substituição.

Investigação

Em nota, a Secretaria de Saúde esclareceu ainda que, "estranhamente, a secretária da Secretaria (de Saúde) recebeu uma ligação de uma funcionária do Samu que não estava em serviço porque está em licença-prêmio, antes da ausência da plantonista responsável pelo plantão a partir das 7h, comunicando o fato e pedindo sigilo na informação, o que não poderia ser considerado um aviso oficial da ausência da plantonista", declarou.

Diante do estranhamento das ocorrências, o secretário Fernando Monti já determinou a abertura de sindicância para apurar os fatos.

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência, Luiz Antônio Sabbag, informou, ainda, que a médica plantonista escalada para trabalhar no Samu a partir das 7h, que deveria cumprir turno de 12 horas, não compareceu ao trabalho e não foi localizada. Ela estaria de licença por causa da morte de um familiar, mas até ontem, segundo Sabbag, deveria ter retornado ao trabalho.

O outro médico, que também deveria estar a serviço, foi afastado do Samu enquanto uma denúncia de atendimento envolvendo este profissional é investigada pela polícia - conforme divulgado anteriormente pelo JC. Assim, ele foi escalado para trabalhar em outra unidade de pronto-socorro da cidade.

Conforme o JC vem divulgando nas últimas edições, o Samu tem funcionado com poucos médicos. A situação esbarra na escassez de profissionais e na dificuldade que a Secretaria Municipal de Saúde tem para conseguir remanejar os profissionais e cobrir todos os serviços da saúde. "Nós temos um problema diário de escala, que se agrava diante da demanda de um serviço muito grande", indica Sabbag.

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PS Bela Vista continua sem plantão emergencial

Enquanto não se define o modelo a ser aplicado para atender à demanda de urgência e emergência do PS Bela Vista, a unidade fica sem atendimento de médicos plantonistas. Um rapaz, que teve sua identidade preservada, chegou ao local na manhã de ontem em busca de atendimento, com um dos dedos da mão bastante inchado. Ele chorava mostrando a dor insuportável que sentia e precisou ser levado por uma ambulância até o Pronto-Socorro Central.

Segundo informou o diretor do Departamento de Urgência e Emergência, Luiz Antônio Sabbag, o serviço de urgência no PS Bela Vista continuará com o atendimento diurno prejudicado até que se defina o modelo que será implantado para garantir o atendimento.

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Denúncias

O vereador Giba dos Santos (PSDB), que pertence à Comissão de Saúde da Câmara Municipal, ao saber da falta de médicos no Samu ontem, foi cobrar providências. Ele, inclusive, já constatou a equipe e estrutura defasada do Samu em ocasiões recentes e denunciou o problema em sessões na Câmara Municipal.

A equipe do Samu que socorre casos mais graves deve sair de sua base com um médico, enfermeiros e um motorista. Porém, nessas saídas, o médico não estaria acompanhando a ambulância, conforme indicou Giba.

"Falta ação para resolver esse impasse na Saúde. O certo era ter, diariamente e em qualquer horário, três médicos no Samu: um para passar as orientações via atendimento telefônico e outros dois para sair junto às ambulâncias em situações de emergência. A defasagem já havia sido constatada e a situação só piorou hoje (ontem)", alegou.

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Insuficiência de profissionais é regra

A insuficiência de profissionais para trabalhar no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é um problema grave - e constante - que prejudica o atendimento prestado à população. Segundo apurou o JC, no último sábado, o órgão só não ficou 24 horas sem médico porque um profissional se dispôs a cobrir o plantão voluntariamente.

"No domingo à tarde, aconteceu a mesma coisa. E quase todas as terças ficamos com apenas um profissional para atendimento", revela um médico que aceitou relatar o drama vivido pelos funcionários do Samu sob a condição de não se identificar. De acordo com ele, geralmente o serviço conta apenas com dois médicos para atender Bauru e 17 cidades da região, quando o preconizado seriam ao menos quatro profissionais.

Dois deles deveriam permanecer na Central de Regulação para realizar a pré-avaliação dos chamados, enquanto os demais seguiriam para atendimento nas ruas quando a Unidade de Suporte Avançado (USA), dotada de UTI móvel, precisasse ser acionada. "Um ficaria responsável pela região e outro, por Bauru. Mas, frequentemente, o plantão é coberto por apenas um médico, que, necessariamente, tem de ficar na regulação", explica a fonte. Conforme o JC noticiou recentemente, na tentativa de contornar o problema, os procedimentos dentro da USA estariam sendo realizados por enfermeiros.

Da mesma maneira, os técnicos auxiliares de regulação médica (Tarms) que atendem as ligações estariam trabalhando em número insuficiente. O necessário seria ao menos cinco telefonistas, mas normalmente os chamados são atendidos por apenas três, o que retarda o socorro de quem precisa do serviço. "Para tentar agilizar um pouco, os técnicos de enfermagem e enfermeiros acabam assumindo o papel de atendentes", aponta o médico.

A falta de ambulâncias, problema revelado pelo JC em fevereiro deste ano, ainda continua penalizando o serviço prestado pelo Samu, segundo o médico que atua no órgão. No mínimo, seria preciso ter cinco viaturas rodando, mas não raro o órgão trabalha apenas com três veículos.

"Na verdade, o Samu possui onze ambulâncias, mas a maioria está em manutenção ou são carros novos que ainda não estão com a documentação em ordem para poder circular. Nessa situação limite, muitas vezes acaba ficando uma única USA para 18 municípios. Quando ela precisa sair para a região, Bauru fica descoberta. E, quando fica com um médico só, a UTI sai sem médico para atendimento", detalha o profissional.

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Pedreiro morre e família aponta omissão em BO

A família do pedreiro Carlos Alberto Rosa, 46 anos, acusa o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) por demora na prestação de socorro ao parente, que morreu no final da tarde de anteontem, após sentir fortes dores nas costas e nas pernas. Segundo o registrado em boletim de ocorrência, uma viatura teria se deslocado até o endereço da residência da vítima, no Parque Santa Edwirges, mas ela já estava morta.

O pedreiro teria passado mal no trabalho, ainda no período da manhã, e foi até o Pronto-Socorro Central (PSC), conforme relato de seu patrão, Salvador Dias Filho. Na unidade de saúde, teria aguardado atendimento até as 15h30, quando um médico lhe aplicou injeções e, em seguida, lhe concedeu alta.

De volta para casa, por volta das 17h Rosa novamente começou a sentir dores e familiares acionaram o Samu, que não chegou a socorrê-lo a tempo. Ainda ontem à noite, o JC tentou contato com o coordenador do órgão, Carlos Eduardo Sacomandi, e também com o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, para confirmar as informações, mas eles não foram encontrados.

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