Pensar é examinar com a mente, combinar idéias, refletir...
É um processo progressivo, que o ser humano desenvolve ao longo de sua existência, uns em maior profundidade que outros.
Nos tempos atuais, profissionais que trabalham diretamente na formação de jovens, como professores, sociólogos, psicólogos, especialistas em educação, constatam que a inconstância, a superficialidade e o desinteresse são características cada vez mais presentes nas novas gerações.
No mundo atual, os chamados são tantos e tão variados que o homem moderno vive disperso em sua realidade, atraído no seu dia a dia por estímulos intensos e contínuos como a internet, a televisão, cinema, rádio9, cartazes, vitrines, ruídos, movimentos, drogas e atrativos da vida noturna, deixando de lado a reflexão e o senso crítico.
Aos poucos vamos perdendo o maravilhoso dom da concentração e não são muitos os que conseguem atingir a própria essência.
Na modernidade, a cultura de massa despeja uma quantidade tão grande de informações que o indivíduo, muitas vezes sem condições de selecionar, pensa cada vez menos, critica pouco e ao tomar posicionamentos, opta com freqüência pelo meio termo ou pela omissão.
É comum uma memória tecida com retalhos aleatórios de momentos vividos, de textos lidos, de experiências narradas, como se a memória fosse um sótão repleto de informações desordenadas.
Para desenvolver o dom da concentração é preciso despertar a antiga capacidade de meditação, o desligar-se dos sons exteriores e por momentos, ouvir os próprios sons. É preciso não ter medo da solidão, não ter medo de si mesmo.
Muitos são os que vivem, ou melhor, passam pela vida sem se conhecerem, não sabem seus limites, ignoram suas potencialidades.
Mas não podemos nos esquecer de que a grandiosidade de sermos humanos é poder ver além da nossa humanidade. É olhar para o nosso interior e, no âmago, na profundidade do nosso ser, contemplar DEUS, a cuja imagem e semelhança fomos feitos.
Somente o enfrentamento diário em busca da introspecção desperta essa força que nos enobrece.
Tanto que Feuchterslenben em um de seus textos conclui que "se quisemos compreender a vida, devemos começar por dentro de nós mesmos e na calma poderemos nos dizer aquilo que ninguém seria capaz de dizer".
Mas para se chegar a isso, os grandes agentes são o silêncio e a meditação, aliados a capacidade de admirar o belo e o simples,
È o parar diante da flor..., é perceber ao entardecer, um novo colorido no céu...
É sorrir ante a pureza da criança..., é descobrir uma borboleta pousada no arbusto..., é sentir a presença de Deus no voo agitado de um beija-flor...
Josefina de Campos Fraga, é escritora e colaboradora do Ju Machado escritório de arte.