Uma imagem inusitada chamou atenção de bauruenses durante toda a manhã de ontem, quando foi avistada uma ave urutau pousada sobre fios de alta tensão no cruzamento das ruas Rio Branco e Batista de Carvalho. A mudança de rotina do pássaro surpreendeu, já que o urutau (Nyctibius griseus), nome que em tupi guarani significa ave fantasma, tem hábitos noturnos e vive em matas fechadas.
Normalmente, a ave permanece durante o dia totalmente imóvel sobre um tronco, galho ou mourões de cerca. À noite, faz ecoar um canto melancólico, parecido com um lamento humano. Bem no Centro da cidade, o pássaro foi reconhecido pelo bauruense Maurici Vanim Lelis, 36 anos. Segundo ele, o urutau acabou chamando atenção porque não é encontrado com facilidade na área urbana, e muito menos durante o dia.
"Ele é conhecido por essa característica de se camuflar e não é fácil encontrá-lo em área urbana. Eu via muito dessas aves quando ia pescar com meu pai e meu avô, em locais onde tem mata fechada ou em beira de rios e lagoas."
A reportagem do JC conversou com o biólogo Renato Pirani Guilardi, professor do Departamento de Biologia da Unesp em Bauru, para tentar decifrar o que teria levado a ave para o Centro da cidade. Segundo ele, a mudança de rotina do urutau deve-se à entrada demasiada do homem no meio ambiente, e principalmente ao desmatamento.
"Apesar de termos várias áreas de proteção ambiental, nossa região sofre com o desmatamento, e os animais que vivem em matas fechadas acabam migrando para a área urbana" conclui.
Questionado sobre o tempo em que o pássaro permaneceu no mesmo local, o especialista diz que esse tipo de ave fica totalmente paralisada como forma de defesa. Esse tipo de mimetismo é comum em animais do cerrado.
Muitas vezes os urutaus são confundidos com corujas, porque têm olhos grandes e desproporcionais ao tamanho da cabeça larga e achatada.