A exemplo do Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a contagem populacional, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) iniciará, em agosto, o Censo Arbóreo da zona urbana de Bauru. A intenção é contabilizar a quantidade de árvores existentes nas vias públicas e catalogá-las de acordo com sua posição geográfica, tamanho e estado de conservação. Esta é a primeira vez que um estudo como este é realizado na cidade.
A partir do levantamento, a pasta pretende retirar e substituir os exemplares que estiverem condenados e diagnosticar as áreas carentes de arborização para que recebam investimentos. A contagem deverá servir ainda para o desenvolvimento de uma etapa mais aprofundada do Censo, que terá como objetivo identificar quais espécies utilizadas atualmente para plantio melhor se adaptaram ao meio urbano.
"Quando as planilhas com os resultados estiverem prontas, iremos avaliar o que será necessário em termos de pessoal e equipamentos para fazer um planejamento fitossanitário mais amplo, com a identificação das espécies, inclusive", aponta o secretário municipal do Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalves.
O embrião da iniciativa proposta pela Semma nasceu em reuniões realizadas pela pasta junto à diretoria do Jornal da Cidade. Após uma série de discussões, secretaria chegou ao entendimento de que a cidade precisava do estudo para melhor aproveitar os benefícios oferecidos por estas plantas, que além de embelezar, fornecem sombra e melhoram a qualidade do ar dos centros urbanos.
Segundo Gonçalves, a previsão é de que a contagem comece dentro de quatro meses. Como esta fase inicial será realizada por funcionários do Departamento de Água e Esgoto (DAE) durante a leitura dos hidrômetros, este prazo será necessário para o treinamento dos profissionais e também para a adaptação dos computadores de mão que registram o consumo de água.
Será neste equipamento que os 20 leituristas irão inserir os dados do Censo Arbóreo e, por este motivo, novos campos de informação terão de ser adicionados ao programa utilizado pela autarquia. "Enquanto esta adaptação é feita, as equipes serão montadas e treinadas principalmente para aprender a detectar quando uma árvore está condenada e, portanto, com a necessidade de ser retirada e substituída. Será uma forma mais eficaz de a Semma impedir a ocorrência de acidentes ocasionados pela queda de árvores", considera o secretário.
Margem de erro
Gonçalves reconhece que, em razão de os funcionários não serem altamente capacitados para desenvolver este trabalho, uma margem de erro terá se der considerada no estudo. Mas a expectativa é de que número final não fique muito distante da realidade.
Após a coleta de dados, que deverá ser realizada em 30 dias, os técnicos da Semma irão avaliar os resultados e determinar as ações a serem implementadas. "Além de detectar árvores condenadas ou muito grandes que possam estar em contato com a fiação elétrica, poderemos ter uma noção mais exata dos espaços sem plantações, que poderão receber mudas", detalha.
Atualmente, as árvores mais comumente utlizadas pela secretaria para plantio nas vias públicas são o oiti, o resedás e a falsa murta, além de ipês e quaresmeiras, que são bastante requisitadas pelos munícipes. Com a conclusão da etapa inicial do censo e o prosseguimento da segunda fase, a ideia é elaborar um plano de gestão de arborização que, entre outras atribuições, terá a função de revisar a lista de espécies consideradas pela Semma como apropriadas para o plantio em área urbana.
"A intenção é aplicar, da melhor maneira possível, nossos recursos. As árvores que causem algum tipo de transtorno ou que não estejam bem adaptadas serão eliminadas da lista e substituídas por outras espécies", observa o secretário.
Aposentado ?abraça? conservação do pequizeiro, nativa do cerrado
Árvore nativa do cerrado brasileiro considerada de importância prioritária devido ao seu valor econômico, social e ambiental, o pequizeiro está praticamente extinto da zona urbana de Bauru. Mas um aposentado estudioso da espécie abraçou a ideia de conservar o pequizeiro e já conseguiu, em cinco anos, fazer ?vingar? ao menos 10 pés que foram plantados em vias públicas.
O número parece pequeno, mas diante da dificuldade de fazer a semente da árvore germinar, pode ser considerado um sucesso. Responsável pela iniciativa, Antônio Cícero de Oliveira, 56 anos, explica que, diferentemente de outras sementes, a do pequizeiro precisa ser escarificada para conseguir brotar.
Trata-se de um processo mecânico, feito com uma faca ou canivete, para retirar a camada mais externa do grão antes do plantio. "Na Natureza, esse trabalho era feito pela fauna. Mas, com a degradação do cerrado, esses animais desapareceram e a germinação expontânea deixou de acontecer", aponta ele.
Mesmo escarificando as sementes, Oliveira explica que apenas 10 de cerca de 100 mudas já geradas por ele conseguiram sobreviver na área urbana. "É uma espécie que está incluída na lista de árvores recomendadas pela Semma, mas nem mesmo a secretaria possui mais essas mudas, por causa dessa dificuldade de fazer germinar", aponta.
De acordo com Oliveira, o pequizeiro é caracterizado por uma copa densa e galhos mais finos. Seu fruto, o pequi, é utilizado na culinária, como fonte de vitaminas e na extração de óleos para a fabricação de cosméticos. Para ter mais chances de suas mudas se tornarem árvores adultas, é preciso que a planta tenha acesso à umidade, calor e boas condições de solo.