Rural

Sojicultor recomenda cautela com China


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Os governo e os produtores do Brasil devem manter cautela diante da perspectiva de investimentos em larga escala por parte da China na agricultura brasileira.

A opinião é do presidente da Aprosoja Brasil (Associação dos Produtores de Soja), Gláuber Silveira, que disse ver o risco de prejuízo para o setor no longo prazo.

O alerta foi feito durante o Circuito Aprosoja, em Cuiabá -evento destinado a discutir o planejamento da safra. "O chinês não gosta de fazer negócio a longo prazo. É tudo para amanhã. É por isso que acho um perigo o governo brasileiro se unir com o governo chinês e ficar contra o americano", disse Silveira.

Segundo ele, já há relatos de acordos que envolvem a troca direta de grãos por equipamentos e fertilizantes de origem chinesa. Para Silveira, o modelo pode "quebrar a indústria nacional".

"Vamos supor que façamos a troca. Iremos derrubar a indústria nacional de máquinas e fertilizantes. E se amanhã eles resolvem investir na África e dizer "não queremos mais a sua soja?? O setor irá quebrar", avalia.

Na safra 2010/2011, segundo a Aprosoja, 62% das exportações de soja de Mato Grosso tiveram a China como destino -em 2003/2004, essa proporção era de 19%.

Há duas semanas, o jornal Folha de S. Paulo mostrou que há planos bilionários de investimentos chineses para o setor.

Um dos mais recentes é o da estatal Chongqing Grain, na Bahia, que prevê investimentos de R$ 4 bilhões na implantação de uma fábrica de beneficiamento, porto seco e silos de armazenagem.

Em Goiás, a estatal Sanhe Hopefull anunciou planos de investir R$ 12,2 bilhões em agricultura e infraestrutura do Estado e assegurar a compra direta de 6 milhões de toneladas de soja por ano.

Para Silveira, o recurso chinês deve ser usado em ações de infraestrutura. "Precisamos de logística, não de fertilizantes e máquinas."

Palestrantes no evento em Cuiabá, o empresário chinês Tom Lin Tan, da Hopefull Investiments & Holdings, maior empresa privada de beneficiamento de soja na China, disse não ver problemas em acordos que envolvam trocar de soja por equipamentos e fertilizantes.

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