Nacional

Número de homicídios cai 19% no Estado

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O número de homicídios dolosos - com intenção - registrados no Estado de São Paulo caiu 19% nos primeiros três meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2010.

De acordo com dados divulgados ontem pela Secretaria da Segurança Pública, de janeiro a março foram registrados 992 casos no Estado, contra 1.224 no ano passado.

Com os 232 casos a menos, diz a secretaria, é a primeira vez desde 1996, quando começou a série histórica, que um ano começa com uma taxa de homicídios abaixo do patamar considerado epidêmico pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A taxa chegou a 9,5 homicídios por grupo de 100 mil habitantes, abaixo dos 10 por 100 mil preconizados pela OMS como epidêmico.

Ainda segundo a secretaria, os dados também representam a menor quantidade de crimes contra a vida registrada num primeiro trimestre e também a primeira vez que o número de homicídios de janeiro a março é inferior a mil.


Queda de 41% na Capital


A redução dos homicídios foi maior na capital paulista, conforme anunciado ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Foram 376 assassinatos nos primeiros três meses de 2010, contra 220 neste ano -queda de 41%.

Nos demais municípios da Grande São Paulo, os homicídios recuaram 11%, de 284 para 253 -31 casos a menos. No interior a queda foi mais tímida, 8%, com menos 45 homicídios.


Primeira vez em 15 anos


Pela primeira vez, depois de uma série histórica de 15 anos, o Estado de São Paulo não tem mais uma epidemia de homicídios dolosos. Pelos dados divulgados hoje pelo governo, nos últimos 12 meses o Estado teve 9,9 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes.

Isso representa que atingiu o considerado minimamente tolerável pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Para o órgão, acima de 10 assassinatos por 100 mil habitantes é considerado fora de controle.

É a primeira vez que isso ocorre desde 1996, quando o Estado começou a divulgar esses indicadores. Em 1999, essa taxa chegou 35,3.

"Sempre foi um sonho nosso atingirmos a meta da OMS. O Brasil tem índice de 25,4'?, disse ontem o governador Geraldo Alckmin (PSDB), durante entrega de carros para a PM. "É um exemplo para o Brasil (...) que é possível, sim, reduzir os índices de criminalidade e preservar a vida da população", afirmou.

A redução dos homicídios no Estado foi puxada, em parte, pela queda dos assassinatos na capital, que chegou a 41%. Em todo o Estado, a diminuição foi de 19%.

Outros índices de criminalidade tiveram crescimento no primeiro trimestre, levando em consideração o mesmo período de 2010. É o caso do roubo de veículos, que cresceu 8,5%, furto de veículos (7,7%), roubo de cargas (3%) e latrocínio (2,7%).


Carros não são recuperados


Segundo o órgão, mais da metade dos carros levados por bandidos não é recuperada: pelos dados anunciados, a polícia localizou, recuperou e devolveu aos proprietários somente 43% dos bens furtados ou roubados.

Ontem também foi a primeira vez que foram divulgados os dados da violência mês a mês e, também, por delegacia.

Os números mostraram que a região mais violenta da capital fica na zona sul, no triângulo formado pelos DPs Parque Santo Antônio, Campo Limpo e Capão Redondo. Dos 220 assassinatos da cidade no primeiro trimestre deste ano, 31 deles foram nesse triângulo.

O governo decidiu abrir todos os dados por DPs, que antes eram considerados sigilosos, após a revelação de que um integrante da cúpula da Segurança vendia estudos com essas informações. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo em 1º de março.

Esses dados utilizam números absolutos, sem relativizar pelo número da população. O governo do Estado não informa quantos moradores existem na área de cada um dos DPS - por isso não é possível fazer um ranking proporcional.

Comentários

Comentários