O que mais se repete na seção de cartas dos jornais é a discussão em torno da religião. O tal do chover no molhado. Um não reconhece o outro, um mais iluminado que todos os outros, só a dele é original e por aí afora. A maioria renega a ciência, deixam de lado o comprovado por séculos de evolução e estudo para ficarem ao lado de crenças. Obscurantismo total. O que nos levará a isso? Tempos inquisitoriais, intolerância cada vez maior e principalmente com aqueles que pensam e se negam a caminhar como manada. Isso tem pouco conserto, pois tudo é permitido, em nome de uma suposta liberdade, falam o querem, defendem absurdos, profanam verdades históricas. A fé cega leva qualquer um ao abismo. A contestação deveria mover o mundo, instigar, provocar, querer saber, buscar respostas e não seguir dizendo amém sem entender direito o que lhe é imposto. O medo de um suposto castigo celestial cega e cala a maioria inculta.
Querem uma séria discussão para já? Ouçam o rádio, qualquer uma das rádios, daqui e de qualquer lugar, liguem as TVs, quase todas e constatem as aberrações. Um crime de lesa consciência. E vamos ficar indiferentes? Controlar e criminalizar isso é mais do que necessário, mas não só dos que cospem aquelas imbecilidades nos nossos ouvidos e olhos, mas também em quem vende horário para isso. Todo crime tem dois lados, o do corrompido e o do que corrompe. Aqui explícito algo a demonstrar que por dinheiro alguns vendem a alma para o capeta e ficam posando de santinhos. Do pau oco, afirmo eu.
Está mais do que na hora de regular a massificação religiosa no rádio e na TV. A tal da finalidade democrática da comunicação é ferida diariamente pela pregação criminosa e desmedida, dando sustentação a algo contra qualquer legislação existente. Concessão pública de comunicação não foi feita para isso. Trata-se de um exercício de poder o visto hoje, pois não é mais necessário ir a templo algum, bastando um mero clicar e o dinheiro é transferido de um bolso para outro. Como não quero ver pregações políticas ostensivas nos meios de comunicação, idem para a religião. O espaço público está sendo privatizado. Tem rádio e TV loteados com contratos de gaveta, todos ilegais e com aberrações no ar. O que mais se vê são manifestações preconceituosas e de intolerância religiosa e todos do lado de cá de mãos atadas, como se nada estivesse em curso. Não discuto liberdade de crença, cada um acredita no que lhe convier, mas o uso abusivo e indiscriminado dos meios de comunicação para massiva pregação e até sua sustentação econômica é algo a merecer ampla discussão e uma regulação imediata. Esse pessoal já passou dos limites do tolerável. Alguns já deveriam estar sentados no banco dos réus e outro tanto detidos. Até quando vamos tapar o sol com a peneira?
Henrique Perazzi de Aquino- www.mafuadohpa. blogspot.com)