Ribeirão Preto - A União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) pediu, em circular distribuída aos seus 123 associados, que priorizem a produção de etanol para garantir a mistura de 25% na gasolina.
A medida foi justificada como necessária para garantir o abastecimento, uma vez que os preços elevados do etanol hidratado contribuíram para o maior consumo da gasolina.
Em nota, a instituição informou que o pedido tem como objetivo "contribuir para a estabilidade do abastecimento e evitar carências de produto nas bombas".
Uma das preocupações é com a falta do produto para o feriado de Páscoa. Eles também temem a possibilidade de o governo reduzir o percentual de anidro na gasolina, o que fará o setor perder mercado.
Com relação ao valor, o anidro remunera, atualmente, mais que o etanol hidratado e o açúcar. Na última semana, o preço do produto nas usinas alcançou R$ 2,13 o litro.
Simulação da FG/Agro aponta que a moagem de 2 milhões de toneladas de cana para fabricação de anidro gera faturamento médio de R$ 340,9 milhões. Nas mesmas condições, o açúcar rende R$ 265,6 milhões e o hidratado, R$ 250 milhões.
Precos em queda
Na última semana, postos de cidades de várias regiões do País, especialmente no Interior do Estado, começaram a remarcar para baixo seus preços e algumas distribuidoras também começaram a fazer o mesmo.
A queda chegou a passar de 10% em alguns estabelecimentos. Em Marília, os preços do litro de etanol que estavam em R$ 2,25, caíram para R$ 2,02 em pelo menos cinco postos da cidade.
De acordo com revendedores ouvidos pela reportagem do Grupo Estado, a redução de preços se dá por conta da fraca demanda por etanol, causada pela migração em massa dos carros flex para a gasolina.
Outro efeito que contribuiu para a queda dos preços do combustível é início da safra da cana de açúcar em algumas usinas do Interior de São Paulo.
Na avaliação dos revendedores, os preços do etanol devem continuar a cair ainda mais por conta da redução das cotações do combustível que já ocorreu na indústria e que deve ser repassada para os postos nas próximas duas semanas.
Conforme apurou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplica (Cepea), da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) o preço do litro do etanol na indústria caiu de R$ 1,4579 para R$ 1,3854 na semana de 4 a 8 de abril, um recuo de 5% que deve chegar aos bolsos do consumidor somente em 15 dias.
Para o Alair Fragoso, diretor do Sincopetro de Marília, a queda será ainda maior. "Os postos deverão nos próximos dias e na semana que vem reduzir ainda mais os preços por conta da fraca demanda do álcool combustível. A redução será mais acentuada com a entrada da safra na maioria das usinas, em maio", diz.
De acordo com Fragoso, a distribuidora da Petrobras reduziu o preço do álcool para os postos de sua bandeira. O preço do litro caiu de R$ 1,91 para R$ 1,80, uma redução de 5,75%. "As outras distribuidoras deverão fazer o mesmo, favorecendo ainda mais a queda de preços", diz o empresário.