Abuja - Os nigerianos votaram em massa ontem, no que será a sua primeira eleição presidencial legítima em décadas, dando um exemplo para a África. Filas se formaram em toda a Nigéria, incluindo vilas de barracos com telhado de zinco no Delta do Níger, onde o favorito presidente Jonathan Goodluck votou e a ruela empoeirada na aldeia de Daura, no norte, onde seu principal rival, o ex-presidente militar Muhammadu Buhari, foi votar .
Na maior parte do país de 150 milhões de habitantes não houve nenhum sinal do caos e da violência que dominaram eleições passadas, embora duas bombas tenham levado eleitores ao pânico na conturbada cidade do nordeste Maiduguri. Não houve relatos de vítimas.
As pesquisas indicam que Jonathan, o primeiro chefe de Estado do país produtor de petróleo do Delta do Níger, está na frente de Buhari, um muçulmano do norte com reputação de disciplinador.
O gigante africano, que abriga mais pessoas do que a Rússia, não conseguiu realizar eleições presidenciais livres e justas desde que o regime militar terminou em 1999, deixando muitos de seus cidadãos com pouca fé nos benefícios da democracia.
Mas uma eleição parlamentar relativamente bem-sucedida há uma semana, considerada legítima pelos observadores, apesar de atos isolados de violência, renovou a confiança dos eleitores. O comparecimento às urnas parece ter sido muito maior do na eleição parlamentar.
Liderando um grupo de observadores estrangeiros do Instituto Democrático Nacional, o ex-primeiro-ministro canadense Joe Clark disse: "As coisas parecem estar bem ordenadas."
Os líderes votam
Abuja - O presidente Jonathan Goodluck, um ex-professor de zoologia de uma família de fabricantes de canoas, é o favorito. Ele é apoiado pela máquina estatal do Partido Democrático Popular (PDP), cujo candidato ganhou todas as eleições presidenciais desde 1999.
"A Nigéria tem agora a experiência da verdadeira democracia, em que os políticos têm que ir ao povo," disse Jonathan, votando com sua mulher, Patience, e sua mãe, antes de sair em uma carreata em meio à multidão, que o saudava.
Parte da população do Norte se ressente de Jonathan, pois acredita que agora seria a vez de um nortista assumir o comando do país, e esse direito está sendo usurpado por ele. Ele herdou a Presidência quando seu antecessor, o nortista Umaru Yar?Adua, morreu no ano passado, durante seu primeiro mandato, interrompendo uma rotação entre o norte e o sul.
Buhari, um muçulmano conhecido por sua "guerra contra indisciplina" espera se capitalizar diante desse ressentimento e é provável que conquiste o apoio do Norte, apesar de seu partido, o Congresso para Mudança Progressiva (CMP), ser novo.
O ex-general disse à Reuters que temia que o partido do governo estivesse tentando manipular o voto por puro desespero.
"Podem fazer qualquer coisa e estão tentando de tudo, mas felizmente as pessoas estão muito sensíveis desta vez e estão determinadas a garantir que seu voto valha," disse ele.
Para ganhar de Jonathan no primeiro turno, Buhari precisaria de pelo menos um quarto dos votos em dois terços dos 36 estados, o que é improvável apenas com o apoio do Norte.