O nome deste fã do Rei podia bem ser uma homenagem, mas não, porque o fenômeno Roberto Carlos veio depois do nascimento do bauruense Roberto Macedo. "Mas a minha mãe, outra fã do cantor, sempre brincava: ?você é o meu Roberto?", brinca.
Marca do músico, o romantismo é uma das características mais apreciada pelos fãs. "Me tornei fã por conta das músicas. Eu nunca fui um pé de valsa, então dançar juntinho ajudava muito e enganava bem, dançava todas as músicas dele. E hoje, o que me faz permanecer fã, são as lembranças que vêm em função dessas mesmas músicas", comenta. "Sempre fui muito romântica e admiro a tranquilidade que ele transmite", acrescenta outra fã Nivalda Rodrigues Sevilha, 54 anos.
Mesmo depois de ter assistido ao rei no Rio de Janeiro anualmente, entre 1972 e 80, Roberto diz não esquecer a emoção de ver RC cantando em Bauru. "Eu morei no Rio nessa época e a empresa em que eu trabalhava sempre promovia um show fechado com ele. Mas a alegria de vê-lo em Bauru foi diferente", afirma sobre o show realizado na Panela de Pressão, em maio de 99, data da última passagem de Roberto Carlos por aqui.
"O que eu desejo para os próximos anos do rei é que ele nunca mude esse estilo que envolveu gerações e não perca a capacidade de passar a emoção que ele sente a respeito das músicas que faz e canta para as pessoas; ao ouvi-lo parece que a gente consegue sentir o mesmo que ele", finaliza.
No decorrer da semana, o site do JC recebeu dezenas de mensagens de manifestações de carinho ao Rei, vindas não só de Bauru, mas de fãs de várias cidades da região, além de Portugal. O fã José Fernandes, radicado em Samora Correia, há alguns anos teve a oportunidade de ver RC no Pavilhão Atlântico em Lisboa. "Sou muito fã, conservo gravações em disco vinil e o considero um dos melhores representantes da música brasileira", escreveu.
Roberto Carlos tem planos para os próximos 10 anos
Bossa-novista, roqueiro, crooner sinatriano, romântico, ativista ambiental, bolerista, baladeiro, trilheiro de motéis, sertanejo, funky, soulman. Em 51 anos de carreira, é um leque de amplidão admirável, incomparável no songbook de qualquer artista vivo.
Em sua figura, fundem-se Beatles e João Gilberto, o carola e o conquistador, o amante dos carangos envenenados e o inimigo dos hábitos perigosos. É o santo e o herege, o revolucionário e o conservador. Maior ídolo popular do País, Roberto Carlos completa 70 anos na próxima terça-feira, dia 19 - e não poderia ser de outra forma: nesse dia, apaga as velas do seu bolo no palco do Ginásio Álvares Cabral, em Vitória (ES), às 21h30. Os ingressos custam de R$ 100 e R$ 320 e é show beneficente.
Há 45 anos, quando de sua assunção como ídolo do emergente iê-iê-iê, o chamavam de Rei da Juventude. Hoje, ficou apenas o título nobiliárquico, "Rei", porque a idade de suas plateias se tornou elástica - pode-se encontrar gente de 8 a 80 anos cantando suas canções nos shows. "Eu não sei ser rei, só sei cantar", diz o artista. São 70 anos de idade e 56 anos de gravações - a primeira vez que sua voz foi gravada foi em 1955, num registro feito pelo radialista e cantor Genaro Ribeiro em discos de alumínio de gravações experimentais. Roberto está longe de se comportar como um ídolo no crepúsculo. "Não penso em aposentadoria, porque vou continuar trabalhando, vou continuar cantando", disse o artista, no Rio, em dezembro. "Ainda quero realizar muito mais, principalmente no tema do amor." (Jotabê Medeiros)
?Detalhes? é a preferida do rei e do público
Eleição sempre vai desagradar alguém, mas o fato é que, como costumam dizer os estatísticos, "é o retrato de um momento".
A enquete do portal estadão.com.br sobre as canções preferidas de Roberto Carlos consagra "Detalhes", "Como é Grande o Meu Amor por Você" e "Emoções". Quer dizer: consagra ainda mais essas músicas.
E surpreende pelas ausências. Onde foi parar "Jesus Cristo", a música com que Roberto encerra de forma catártica todos os seus shows? Onde foram parar "Proposta", "Sentado à Beira do Caminho", "É Proibido Fumar", "Olha", "Sua Estupidez", "Os Seus Botões"? Mas não dá para votar em todas, não é mesmo?
As canções de natureza religiosa de Roberto Carlos sempre são muito presentes entre suas favoritas do público, mas é de fato uma surpresa que "Nossa Senhora", de 1993, se sobreponha a "Jesus Cristo", que integra um dos seus melhores discos, de 1970.
Talvez seja por estar mais fresca na memória dos públicos recentes.
O cantor já chegou a cantá-la em Aparecida para cerca de 50 mil fiéis, no ano de 1999.