Recém-chegado do Japão há aproximadamente três semanas, João César Takamatsu Salvador, 29 anos, foi assassinado com vários disparos de arma de fogo na manhã de ontem, no Núcleo Gasparini, em Bauru. De acordo com a Polícia Civil, o principal suspeito de ter cometido o crime é um policial militar rodoviário que, segundo o que a reportagem apurou, trabalha na região de Jundiaí.
O crime, que comoveu moradores do bairro e familiares, ocorreu na quadra 7 da avenida Aparecida Inês Chrispim de Matos, por volta das 10h30. As investigações apontam que a vítima era procurada pela polícia, porém, teriam sido fatores passionais que culminaram no homicídio.
De acordo com o que o JC apurou extraoficialmente, a causa do crime seria um suposto relacionamento da vítima com a esposa do policial rodoviário Ricardo Rafaeli, 30 anos, principal suspeito de ser o autor do assassinato.
O policial estaria em Bauru passando as férias, porém, trabalharia na Polícia Rodoviária na região de Jundiaí. Também não confirmado pela polícia, a história contada na região é de que a vítima já teria se relacionado com a esposa do principal suspeito do crime quando eles ainda eram jovens.
Ontem, João Takamatsu, que havia passado vários anos no Japão e voltou ao Brasil devido às catástrofes naturais que atingiram recentemente o país, se envolveu em uma discussão com um homem em uma academia localizada bem em frente ao local do homicídio.
Esse homem seria o policial rodoviário apontado como principal suspeito. De acordo com informações do capitão da 4.ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, Jorge Luís Dias, João Takamatsu foi morto com pelo menos três tiros. "Segundo relatos de testemunhas, ele foi abordado por um homem, que iniciou uma briga. Os dois estavam próximo a uma academia, que fica no meio da quadra. O homem correu atrás da vítima e atirou várias vezes", informou o capitão.
Pelos vestígios e marcas deixadas, o atirador teria alvejado a vítima entre a esquina da avenida, onde fica um bar, e a frente de uma academia, localizada no meio da quadra.
As balas atingiram uma das mãos, região do tórax e axila do homem. Quando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou para prestar socorro, a vítima já havia morrido. O corpo ficou no local por algumas horas até a finalização da perícia. Posteriormente, foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru.
Suspeito principal
Ao todo, a polícia localizou oito projéteis na cena do crime. Além de vários depoimentos colhidos, o delegado seccional de Polícia de Bauru, Benedito Antônio Valencise, afirma que essa munição ajudou a guiar as investigações.
"A perícia constatou que essas balas são de pistola .40, que é a arma utilizada pela Polícia Militar. Com isso e com os depoimentos que reunimos, conseguimos chegar à identidade desse policial rodoviário", explica.
O delegado confirma que as investigações apontam o crime como passional e que Ricardo Rafaeli é o suspeito principal. Entretanto, João Takamatsu já tinha passagens por porte de entorpecentes e um mandado de prisão preventiva expedido por assalto a uma padaria no bairro.
"Estamos investigando. A Polícia Civil foi ao local e reuniu todas as pistas necessárias. Iremos seguir todos os procedimentos necessários da Polícia Judiciária cabíveis", completa Valencise.
Décimo assassinato
Segundo levantamento feito pelo JC e confirmado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo, esse foi o décimo assassinato ocorrido em Bauru em 2011.
A última ocorrência foi registrada no dia 26 do mês passado, quando Aluízio da Silva, de 41 anos, foi alvejado com vários tiros em um bar localizado na quadra 1 da avenida Hipódromo, no Bauru 22.
No mesmo mês, houve outro homicídio. Ainda foram mais três em fevereiro e quatro em janeiro, que foi o mês mais violento do ano até agora. Em 2010, a cidade contabilizou 46 mortes violentas e ultrapassou o limite considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas (ONU), de 36 assassinatos.
Família e conhecidos da vítima ficam chocados com a brutalidade do crime
Sem saber que João César Takamatsu Salvador era procurado pela polícia por roubo, a família do rapaz ficou chocada com a violência do crime. A irmã e a mãe da vítima estiveram no local e ficaram muito abaladas com a notícia. Elas não quiseram conversar com a reportagem e seus nomes não foram divulgados pela polícia. A reportagem apurou que o primeiro nome da mãe dele é Izabel.
Quem falou sobre a morte do homem foi Maria Paula Benedito, de 31 anos. Ela havia namorado com João César e teve uma filha com ele. A menina tem 11 anos atualmente.
De acordo com ela, João César morava com os pais em uma casa próxima ao local do crime e era querido pela família. "Ele estava no Japão há oito anos e foi para lá a trabalho. Quis voltar por conta própria", contou Maria Paula. Entretanto, há informações de que a vítima havia morado por aproximadamente seis anos no Japão.
"Ele era uma pessoa tranquila, boa, tínhamos uma ótima convivência. Chegou aqui e foi logo passear com a filha. Eu não sei o que pode ter motivado esse assassinato", lamentou.
A mãe, quando soube da morte, entrou em estado de choque. "Por que fizeram isso?", questionava.
Diversos moradores se concentraram no local após o ocorrido. Alguns deles presenciaram o crime, mas preferiram não falar com a reportagem. Alguns vizinhos do jovem, que não quiseram se identificar, disseram que João César era um rapaz tranquilo. "A gente nunca ouviu falar que ele tivesse envolvimento com drogas ou qualquer outra coisa, era um rapaz bom", disse um dos conhecidos da vítima.
Já outro vizinho acredita que o crime possa ter sido motivado por vingança. "Eu acho que foi vingança, só não sei o que teria motivado o crime", comentou.