Nos últimos dias a imprensa pegou firme no caso dos funcionários do Senado que estão eximidos de bater ponto eletrônico. São centenas deles. Talvez isso tenha um motivo de ló-gica geométrica: se todos tivessem de ir ao "trabalho", não haveria espaço para todos. Enquanto isso, aqui em Bauru protestos pela precarização (a palavra do momento) no sistema de saúde, falta de médicos no Samu, postos de saúde com precariedade no atendimento. Mais: a revelação de que o serviço de saúde pública bauruense ficou do mesmo tamanho, mesmo depois de vinte anos e acréscimo de oitenta e quatro mil usuários.
Salário de médico da saúde pública continua sendo aviltante, daí a escassez de oferta de mão-de-obra. Mas há funcionários e "funcionários" do Senado ganhando mais que ministro do STF. Por que isso acontece? Simples: porque pode. Eles, os "homes du pudê", podem decidir que têm dinheiro para pagar assessores e funcionários fantasmas, mas que não têm para melhorar o atendimento ao do-ente no corredor do hospital público sucateado e com médicos em greve. Ou sem médicos.
Nossos governantes às vezes lembram o chefe de família pervertido, que têm grana sobrando para dar presentes caros à amante, mas alega falta de recurso para pagar uma escola decente para os filhos, ou quem sabe para um simples aluguel de uma casa num bairro melhor. Mas o povo parece se esquecer facilmente disso tudo. No último carnaval, nosso prefeito foi ovacionado numa visita ao sambódromo. Em vez disso, poderia ter ido a um posto de saúde com pacientes esperando horas e horas para ser atendidos. Ou quem sabe mandar usar o mesmo sistema que detecta casa de cachorro na residência do contribuinte de IPTU para identificar buracos na cidade.
Sidnei Rodrigues