Polícia

Homem mata mulher e comete suicídio

Por Tisa Moraes | Colaborou Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 5 min

Um episódio triste e brutal chocou os moradores do município de Barra Bonita (cerca de 70 quilômetros de Bauru) na manhã de ontem. O motorista de ônibus Rogério Vinícius Cornachini, 39 anos, assassinou a facadas sua amásia, a microempresária Daiane Pereira dos Santos, 24 anos, e em seguida se enforcou com uma corda.

O cenário da tragédia foi a casa em que ambos viveram juntos nos últimos sete anos, no bairro Sonho Nosso 2. Segundo informações da Polícia Militar (PM) de Barra Bonita e de parentes do casal, Daiane teria decidido pôr fim ao relacionamento, o que teria deixado Rogério inconformado.

A microempresária havia deixado o imóvel do bairro Sonho Nosso 2, localizado na rua Leonardo de Aguiar, no último domingo. Desde então, o motorista tentava uma reconciliação. Na noite de sexta-feira, ela teria retornado à residência para buscar peças de roupa e conversar com o amásio.

Avisou a irmã mais velha, com quem estava morando desde a separação, de que não tardaria a voltar. Foi a última vez que parentes a viram com vida.

Segundo relato de vizinhos, Rogério foi visto por volta das 22h em frente de casa, tomando cerveja, sozinho. Às 23h, o carro de Daiane já estava estacionado em frente ao imóvel e o portão da casa estava fechado.

"A gente imagina que, nesta hora, eles já estavam lá dentro, brigando", comenta a irmã de Rogério, Zélia de Fátima Cornachini, 54 anos. A vizinhança afirma não ter ouvido nenhum barulho naquela noite, mas os sinais de luta por toda a sala e a quantidade de sangue no cômodo e na roupa do motorista impressionaram quem viu o local do crime.

De acordo com policial militar que atendeu a ocorrência, soldado Aparecido Figueiredo, duas facas com lâminas de aproximadamente 20 centímetros foram utilizadas durante o homicídio. Cogita-se a possibilidade de que Daiane tenha pego uma delas para tentar se defender.

Mas Rogério, bem mais forte, teria conseguido dominá-la e desferiu entre seis e oito facadas, que atingiram o abdôme, o ombro esquerdo, as costas e o punho da vítima. Em seguida, ele pegou uma corda e se enforcou na garagem do imóvel.

"Quando chegamos, ele ainda estava suspenso na corda e ela, de bruços, na sala, ao lado das duas facas. A televisão estava ligada e o cômodo, todo ensanguentado", comenta o soldado. O homicídio seguido de suicídio só foi percebido por volta das 8h da manhã de ontem, quando a irmã com quem Daiane estava morando estranhou o fato de a microempresária ainda não ter retornado. "A irmã falou para ela não ir, mas a Daiane disse que iria só conversar. Como não voltou, a irmã resolveu ir até o local e descobriu o que tinha acontecido", conta o cunhado da vítima, Maicon Douglas Malachias, 31 anos.

Segundo ele, Rogério era uma pessoa tranquila e não havia relatos na família de que ele e Daiane costumassem brigar com frequência. "Tinham as briguinhas comuns de casal, mas eles se davam bem. Ele não era violento, era boa pessoa, não era de beber. O que aconteceu foi uma surpresa para todo mundo", reconhece.

Conforme Zélia, irmã de Rogério, o motorista era ?perdidamente apaixonado? pela microempresária e ficou desesperado com o fim da relação. "Ela também o amava muito, mas ele não soube lidar com a separação. A Daiane já tinha saído de casa outras vezes, depois de brigas, mas dessa vez parece que não queria voltar. A gente aconselhou o Rogério a ter paciência e esperar, mas ele não conseguiu e acabou fazendo o que fez."

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Brigas eram recentes


Segundo descrevem parentes, Rogério Vinícius Cornachini e Daiane Pereira dos Santos viviam um relacionamento tranquilo. Ela, inclusive, já teria tentado engravidar do amásio, que já tinha dois filhos adolescentes de um casamento anterior.

Mas, nas últimas semanas, as brigas teriam se tornado recorrentes em razão de dívidas contraídas pelo casal. Este, inclusive, teria sido o motivo pelo qual a microempresária teria saído de casa.

"Eles se gostavam muito e as famílias tinham uma boa convivência. A gente não tem notícia de que ele a tenha agredido algum dia. As brigas, pelo que soubemos, começaram recentemente", revela a irmã de Rogério, Zélia de Fátima Cornachini.

O motorista era primo do vereador do município vizinho de Igaraçu do Tietê, José Donisete Cornachin (PV), que também recebeu com surpresa a notícia do homicídio e suicídio do parente. "Tinha perdido quase que completamente o contato com ele, mas ele era uma pessoa trabalhadora, tranquila, nunca ninguém teve queixa dele. A gente ainda não sabe muito bem porque tudo isso aconteceu, mas é uma notícia terrível", comenta.

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Acidente envolvendo Rogério resultou em morte em 2008


Antes de assassinar a amásia e cometer suicídio, Rogério Vinícius Cornachini já havia se envolvido em outro episódio trágico. Em agosto de 2008, ele atropelou acidentalmente um menino de 7 anos, que morreu antes de ser socorrido.

Paulo Sérgio de Oliveira Justino foi colhido pelo ônibus da prefeitura que Rogério guiava na rua Leonardo de Aguiar, no bairro Sonho Nosso 1, bem próximo no cenário da tragédia de anteontem. O motorista parou e acionou socorro, mas não foi possível salvá-lo.

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Microempresária sonhava em crescer na profissão


Daiane Pereira dos Santos, morta na noite de anteontem pelo amásio, estava realizando um sonho profissional. Há três anos, ela abriu uma banca (pequena oficina) de calçados para prestar serviços de acabamento para o setor calçadista da cidade vizinha de Jaú.

Em pouco tempo, o negócio prosperou e a microempresária já havia contratado três funcionárias para dar conta do crescimento da demanda. "A fábrica mandava o sapato para a Daiane fazer pesponto, bordado e depois ela mandava de volta para a fábrica. Ela estava realizando o sonho dela, porque sempre gostou do ramo calçadista. Estava feliz com o andamento dos negócios", comenta o primo Maicon Douglas Malachias.

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