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Fora de moda, orelhão cai em desuso


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São Paulo - Ivan Alves Santos, 20 anos, tem dois celulares e já nem se lembra quando foi a última vez que usou um dos 1,1 milhão de orelhões espalhados no país. "Com as promoções, falo com todo mundo", diz.

A opção de Santos é a mesma do terapeuta ocupacional Naum Mesquita, 31 anos, que tem dois dos 207 milhões de telefones móveis registrados no Brasil. "Precisei do orelhão numa viagem ao Ceará há sete anos e nunca mais usei", diz.

Esnobar os telefones públicos não é exclusividade de Santos e Mesquita. Com o avanço dos celulares, a venda de cartões telefônicos caiu 53% desde 2004 no país.

Os dados são da Anatel (agência do governo federal que administra a telefonia).

A Oi, empresa de telefonia que atua em Estados como Rio de Janeiro e Bahia, confirma a tendência. Cerca de 40% dos seus 550 mil orelhões estão ociosos e, de 2008 para cá, as receitas com os aparelhos caíram 70%.

Já a Telefônica admite a redução no uso dos orelhões em São Paulo -mas não informa seus números.


Reversão


Os telefones públicos se espalharam no país após um decreto federal de 2003 instituir um plano de universalização, que entrou em vigor em 2006 e determinou a instalação de seis orelhões a cada grupo de mil habitantes.

Hoje, já são mais de 1,1 milhão de telefones públicos - 68 mil só na cidade de São Paulo. Ante a queda na vendas de cartões, esses números devem cair em breve.

Um novo plano de universalização já é analisado pela agência federal e, caso seja aprovado, vai reduzir, por exemplo, cerca de 18 mil orelhões só em São Paulo.

Engenheiro elétrico e professor da FEI (Fundação Educacional Inaciana), Carlos Gianoto diz que a ociosidade desses aparelhos está ligada ao crescimento econômico, que popularizou o celular.

"O uso social do orelhão já não é uma verdade absoluta. Mas as concessionárias são obrigadas a mantê-los."

Em alguns países europeus, a saída foi adaptar cabines telefônicas para acesso à Internet. Mas Gianoto é cético quanto à possibilidade de a ideia emplacar no Brasil.

"As tarifas precisam ser atraentes para dar certo. Além disso, um executivo com seu notebook já tem banda larga móvel e não precisa do telefone público."

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