Quem passa pelo cruzamento das ruas Azarias Leite e Capitão Gomes Duarte, no Altos da Cidade, em Bauru, pode contemplar um belíssimo som de violino. Para Zaqueu Fernandes, de 54 anos, os timbres do instrumento tocam além dos ouvidos: trazem paz, tranquilidade e, também, desenvolvem a espiritualidade.
Há pouco mais de cinco anos, Zaqueu, o personagem que irá nos contar sobre sua paixão por violinos, artesanato e fé, diz que "encontrou a si mesmo" após passar por algumas turbulências em sua vida.
Com música e fé em Deus, Zaqueu encontrou uma forma de driblar problemas e solidão. Sua história serve de exemplo para muitos: ele conseguiu enxergar, na simplicidade e na música, uma oportunidade para se sentir mais feliz e se aproximar de Deus.
O violonista trabalha como cabeleireiro no Altos da Cidade em um ambiente bem diferente de outros salões. De modo bastante criativo, dentro do estabelecimento Zaqueu procura demonstrar sua paixão pela música, pelas artes e sua devoção a Deus.
Em meio a tesouras e escovas, o salão abriga uma pequena oficina onde Zaqueu fabrica miniaturas de violinos e outros instrumentos musicais. Também pinta quadros, ouve músicas clássicas e toca o violino nas horas livres.
Os afazeres artísticos encantam clientes e despertam a curiosidade de pedestres que passam pelo salão. "Muitos chegam a parar e elogiam o tocar do violino", comenta.
Mudança de vida
Desde que optou por trabalhar sozinho como cabeleireiro, Zaqueu decidiu mudar totalmente o seu cotidiano. Trocou uma vida profissional badalada na Capital por um salão simples na pacata cidade do Interior.
Ele veio para Bauru após trabalhar em grandes salões de beleza de São Paulo, chegando a atender uma clientela de elite.
"Hoje minha vida mudou, se transformou mesmo. Eu quis vir para o Interior, pois a família de minha esposa mora aqui. Na Capital ganhei muito dinheiro, trabalhei com instituições de renome e grandes profissionais. Mas somente hoje posso dizer que me encontrei e realmente me realizei neste salão, sozinho", contou.
Quando mudou-se para Bauru com família, na década de 90, o artista, que atua desde os 20 anos como cabeleireiro, chegou a trabalhar com sete salões de beleza em variadas regiões da cidade.
"Mas as equipes de funcionários não se fixavam e eu tinha que ficar sozinho, não conseguia me estabilizar. Foi assim durante anos, e nesta época fiquei muito mal, quase entrei em depressão", revelou.
Após muitas dificuldades, conseguiu estabilizar-se com o pequeno salão, onde atende ao público masculino e, eventualmente, feminino.
Quem ouve a história pode indagar por que um profissional consolidado na carreira em uma grande cidade largou tudo para morar no Interior com um simples salão e para se dedicar ao violino e às artes.
Mas para Zaqueu, a resposta está na ponta da língua: "Passei por uma transformação e deixei que Deus conduzisse minha vida", salientou. Com fé em Deus na condução de sua vida, ele afirma que hoje é um homem realizado e feliz.
Tocar violino era antigo desejo do cabeleireiro
Em meio ao processo de autoconhecimento, o sensível cabeleireiro Zaqueu Fernandes decidiu aprender a tocar violino, um antigo desejo seu.
"Eu sempre tive vontade de tocar violino e Deus me deu essa oportunidade por meio da própria igreja que comecei a frequentar. Lá, tive contato com uma orquestra, que aguçou mais ainda a vontade em conhecer este instrumento", relatou Zaqueu.
Assim, o então cabeleireiro ganhou um violino de membros de uma igreja evangélica. Começou a estudar música, aprendeu a lidar com o instrumento e passou a compor a orquestra da igreja que frequenta.
O novo companheiro de todas as horas passou a fazer parte até dos afazeres profissionais. "Comecei a trazer o violino para o salão para treinar. Virou meu companheiro, principalmente quando estava abatido. Foi um presente divino", disse.
Com o violino, o pacato salão e a crença em Deus, Zaqueu se sente hoje muito mais realizado. "Eu passei por uma transformação. Em situações que me sentia fraco e desorientado, busquei a Deus, que mostrou o melhor caminho para minha vida. O violino me traz paz, alegra as pessoas que passam por aqui, acalma ouvidos e mentes, edifica a alma, é gratificante. O som cativa, entra na alma da gente", ressaltou.
"Eu cresci espiritualmente, não dou mais valor para coisas materiais, não fico mais nervoso. As pessoas têm que deixar Deus conduzir a vida delas. Todos que me conhecem, me veem hoje transformado", expõe Zaqueu.
Através da fé e do violino, Zaqueu garantiu um ambiente agradável e harmonioso para seus clientes. "Hoje tenho uma clientela fixa e as pessoas têm gosto pelo ambiente, gostam mesmo de vir aqui."