Regional

Aluno é baleado em frente à escola

Por Tisa Moraes | Com Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 6 min

Agudos ? Uma discussão banal entre jovens ocorrida há uma semana durante uma partida de futebol em Agudos (13 quilômetros de Bauru) pode ter sido a causa, ontem à noite, de briga próximo a uma escola estadual no Jardim Europa que resultou em tentativa de homicídio. Segundo informações preliminares obtidas junto à Polícia Militar, ao "cobrar a bronca" da briga esportiva, um adolescente de 17 anos atirou no estudante Paulo Henrique Parra, 18 anos. Baleado na cabeça, o jovem foi socorrido no Pronto-Socorro (PS) do hospital da cidade, de onde foi transferido para o Hospital de Base (HB) de Bauru. Até o fechamento desta edição, ele permanecia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado regular. Os dois suspeitos não foram localizados.

Segundo a PM, a briga envolvendo dois adolescentes de 17 anos e a vítima ocorreu por volta das 19h10, na avenida Ovídio de Conti, que fica ao lado da Escola Estadual (EE) Professora Nilza Maria Santarém Paschoal. Tanto o suspeito do crime quanto a vítima são alunos da unidade. Um dos adolescentes teria segurado Paulo para que o segundo atirasse. A PM informou que ocorreram três disparos, mas que dois "picotaram" e apenas um atingiu o jovem na parte posterior da cabeça. Informações extraoficias dão conta de que a bala teria ficado alojada no crânio.

Segundo contaram alunos da instituição de ensino, Paulo teria se desentendido com o autor dos disparos há uma semana, durante uma partida de futebol em uma quadra poliesportiva localizada na Vila Vienense. Em uma dividida, a vítima teria chutado a bola contra o acusado e uma discussão seguida de socos e pontapés teria sido iniciada.

"O Paulo acabou batendo no rapaz e eles brigaram de novo neste final de semana por causa desse jogo. Como não conseguiu bater nele de novo, acho que quis se vingar de outro jeito", avalia um colega que estava na partida de futebol que teria motivado o crime.

Na noite de ontem, quando os estudantes se preparavam para entrar na escola, o adolescente de 17 anos e um amigo da mesma idade foram até a unidade e confrontaram Paulo. Mais uma vez, eles começaram a brigar. Um aluno que viu toda a cena contou que Paulo acertou um soco no rosto do acusado, momento em que o outro adolescente, que não seria estudante da escola, o imobilizou com uma "gravata".

"Assim que o cara segurou o Paulinho pelo pescoço, o outro começou a atirar. Eu ouvia o barulho do gatilho disparando, mas a bala não saía. Depois de algumas tentativas, vimos o disparo. Pelo barulho, parecia um (revólver calibre) 32, porque foi bem alto", descreve.

A vítima cambaleou e caiu logo em seguida. Socorrida por conhecidos em um carro particular, ela foi levada ao PS de Agudos e, de lá, transferido para a UTI do HB de Bauru, onde foi submetido à tomografia e avaliado por um neurocirurgião. Até as 23h05, seu estado de saúde era considerado regular e não havia previsão para que ele passasse por cirurgia para a retirada do projétil


Aulas suspensas


Na escola, as aulas noturnas foram suspensas, mas até as 22h os alunos permaneciam no local para tentar entender o ocorrido. Descrito como um rapaz "gente boa" pelos amigos, Paulo apresentava problemas de disciplina em sala de aula. Aos 18 anos, ainda frequentava o primeiro colegial por ter repetido três anos de estudo.

Segundo informações colhidas no local, um professor chegou a registrar boletim de ocorrência contra o aluno por ter se sentido ameaçado por ele dentro de sala de aula. Os amigos, entretanto, tentaram minimizar seu traço de personalidade. "Ele fazia bagunça, sim, já tinha brigado outras vezes na escola e também em jogo de bola, mas este tipo de briga acontece todo dia", analisou um colega.

A reportagem também tentou colher informações sobre o comportamento do estudante que teria atirado em Paulo, mas ninguém soube ? ou quis ? falar sobre ele. Apenas relataram que o acusado, de 17 anos, também seria aluno do primeiro ano, mas matriculado em outra turma do período noturno. Até o fechamento desta edição, mesmo com as buscas realizadas pela PM de Agudos com apoio da Força Tática de Bauru, ele e o outro adolescente suspeito de praticar a tentativa de homicídio não haviam sido localizados.

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"Fora da escola"


Por meio de nota encaminhada pela assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação, a Diretoria Regional de Ensino de Bauru informou que a briga, "que não retrata o cotidiano da escola", ocorreu fora da unidade e que, ao tomar conhecimento do fato, a direção acionou imediatamente a Polícia Militar, solicitando reforço.

"O aluno foi socorrido e a direção da unidade está acompanhando seu estado de saúde junto à família. Nesta terça-feira (hoje), a Diretoria de Ensino enviará uma equipe de supervisores à escola a fim de orientar a direção quanto às medidas sócioeducativas a serem intensificadas junto a todos os estudantes e à comunidade escolar", declara.

A Secretaria de Estado da Educação ressaltou ainda que trabalha no combate à violência escolar e que tem conquistado resultados significativos com o Sistema de Proteção Escolar (SPE), implantado em 2009. Segundo o órgão, o programa conta com manuais de procedimentos e conduta, que servem como referência para a convivência no ambiente escolar e detalham normas a serem adotados em situações de conflito.

"Além de articular ações preventivas como, por exemplo, o programa Escola da Família, que promove a integração da escola com a comunidade em atividades aos finais de semana, o Sistema de Proteção Escolar conta com a atuação de um oficial da Polícia Militar junto à polícia comunitária e à Ronda Escolar", explica.

Ainda de acordo com a secretaria, o acompanhamento é realizado por meio de um sistema eletrônico de registro de ocorrências, implantado na rede estadual. "Este monitoramento possibilita um suporte mais ágil em casos de violência nas unidades de ensino", afirma.

Com base nesse mapeamento, a Secretaria de Estado da Educação revela que consegue acompanhar as ocorrências e desenvolver ações preventivas com o objetivo de diminuir a vulnerabilidade das escolas estaduais.

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Socorrido, rapaz disse que não queria morrer


Logo após Paulo Henrique Parra ter sido baleado, os alunos que aguardavam o início da aula em frente à escola se aglomeraram ao redor do local onde o crime ocorreu, sob uma árvore na calçada lateral do prédio da escola, na avenida Ovídio Conti. Segundo descreveram amigos que presenciaram a cena, mesmo atingido, o estudante permaneceu consciente, embora não conseguisse mais permanecer em pé.

Uma pequena poça de sangue se formou ao pé da árvore, quando três amigos que já haviam acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) decidiram providenciar o socorro por meios próprios. Colocaram Paulo dentro de um carro e o levaram até o Pronto-Socorro (PS) de Agudos. No caminho até a unidade de saúde, a vítima, mesmo ferida em uma região vital, demonstrava estar consciente de seus atos e proferia frases com sentido.

"Ele só dizia que não queria morrer. Repetiu isso várias vezes no caminho até o PS. Disse que achava que o tiro tinha atingido a cabeça de raspão. E a gente foi conversando com ele para que ficasse acordado", comenta uma das pessoas que o acompanharam no carro.

Segundo outro colega que estava no carro, Paulo também pedia, desesperado, para que o motorista do veículo chegasse logo no hospital, argumentando que sua visão estava ficando turva. A vítima também chamava pelo nome do melhor amigo, pedindo para que o avisassem do ocorrido. "Já no hospital em Bauru, ele pediu isso de novo. Acho que já não estava conseguindo raciocinar direito. Eu nunca vou me esquecer dessa cena, um camarada meu levando um tiro, caído na calçada e depois todo aquele desespero de não saber se ele vai sobreviver ou não. É uma tristeza sem tamanho", relata um amigo.

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