Política

Câmara pode desistir da estação

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

A atual Mesa Diretora da Câmara Municipal de Bauru reuniu os demais colegas ontem, durante o intervalo da sessão, para manifestar sua intenção de desistência de instalar a nova sede no prédio da estação ferroviária, ao lado da Praça Machado de Mello. Roberval Sakai e Carlinhos do PS, ambos do PP, e José Roberto Segalla (DEM), respectivamente presidente da Casa e primeiro e segundo secretários, disseram que o interesse é pela construção de uma sede, ao invés da reforma da estação.

Contudo, embora a Mesa Diretora tenha autonomia para decidir sobre o assunto, o presidente Roberval Sakai disse, após a reunião de ontem, que vai continuar a discutir o assunto porque não há consenso sobre o caso entre os outros vereadores. Com isso, nos próximos dias, será realizada uma nova reunião entre os parlamentares, a prefeitura e o escritório contratado pelo Executivo para elaborar o projeto executivo da reforma na estação.

A intenção da Mesa presidida por Sakai é demonstrar que não haverá espaço suficiente para as pretensões da nova Câmara na área ferroviária, ao contrário do que havia sido decidido pelos próprios vereadores, por maioria, no ano passado.

Roberval Sakai pontuou que a atual direção da Casa de Leis foi procurada pelo Executivo para que seja dado definição para o assunto. "A Mesa teve o posicionamento de que deixaríamos o espaço para a prefeitura elaborar um projeto para aquela área. Isso foi apresentado hoje aos vereadores. O nosso desejo era ouvir todos, mas não chegamos a uma conclusão", informa Sakai.

Ele adianta que os vereadores solicitaram que o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) aponte qual será o espaço destinado à Câmara efetivamente. Apesar disso, o Executivo já havia dito que os vereadores podem escolher a área que desejarem na estação. "Vamos tirar todas as dúvidas com o prefeito, para que tudo seja esclarecido", destaca.

Embora não esteja definida qual a alternativa para a nova Câmara, Sakai comentou que a proposta do atual comando da Casa é pela construção de um anexo ao lado do prédio atual, na área de estacionamento. Esta proposta já havia sido defendida pelo pastor Luiz Carlos Barbosa (PTB) no ano passado.

Porém, o presidente preferiu não adiantar detalhes. "É uma ideia que foi ventilada. Não tem nada de concreto. Seria prematuro dizer algo sem antes dialogar com os vereadores", pondera.

Mas ele enfatiza que a questão tem de ser definida rápido, para não atrasar ainda mais a reforma da estação, em andamento pelo Executivo. Questionado sobre a disposição dos futuros gabinetes destinados aos vereadores e sobre o número de parlamentares para a próxima legislatura, ele disse que sua expectativa é que o novo prédio tenha espaço suficiente para atender até 27 parlamentares, para absorver demanda futura.

Argumentos


O segundo secretário da Mesa, José Roberto Segalla (DEM) disse que na semana passada o grupo se reuniu para debater o caso. Ele confirma que a Mesa quer desistir de ir para a estação após saber de que lá não haveria espaço suficiente para todas as dependências das secretarias de Saúde e Educação.

De acordo com Segalla, durante a discussão de ontem com os colegas vários pontos foram argumentados e nenhuma decisão foi tomada. "Muitos alegaram que o prédio já foi pago, que o dinheiro já foi dado. Mas, na verdade, apenas devolvemos nossa verba para a prefeitura, que aplicou lá. Também alegaram que já estávamos comprometidos com a aquisição. Como uma parte dos vereadores foi favorável a não ir e outra favorável a ir, não se chegou a uma decisão", confirma.

Outro ponto levantado pelos vereadores é que a Câmara devolveu R$ 3,5 milhões para a compra do prédio, que custou pouco mais de R$ 6 milhões. "Há vários vereadores entendendo que a Casa é dona de metade do prédio e pelo informado ficaria apenas com a metade direita do segundo andar", afirma Segalla. "Por isso, vamos precisar conversar mais", pontua.

Defensor da compra da estação, Roque Ferreira (PT) observa que não há impedimentos para o Legislativo ocupar o local. Para ele, é preciso aprofundar a discussão sobre a sugestão da desistência da mudança e os motivos dessa proposta. Ele reitera que é possível dividir espaço com uma secretaria e ressalta a importância da Câmara ficar na área central da cidade. "Mas não faço disso um cavalo de batalha", ressalta, apontando que o mais importante é a revitalização do Centro de Bauru e da estação.

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Compra de veículos de segunda mão
com o fundo de esgoto é criticada


Na reunião de Câmara de ontem, o vereador Marcelo Borges (PSDB) criticou o uso indiscriminado da verba do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) pelo DAE, em Bauru. Ele classificou como grave a denúncia feita pelo Jornal da Cidade sobre a autarquia receber veículos usados como sendo zero quilômetro. "O governo do Tuga Angerami fez muito mais pelo tratamento de esgoto de Bauru do que o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), que é ambientalista", pontuou. "O que aconteceu é sério. Comprar carro usado, com multa, é grave. Quero saber se houve desvio de finalidade do fundo", afirmou.

Já o presidente da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, Moisés Rossi (PPS), observou que já pediu informações ao presidente da autarquia sobre o problema. "É uma coisa que nos espanta. Em contato com o André Luis Andreoli, ele me informou que já foi instaurado sindicância para apurar a situação", contou. No entanto, Rossi disse que vai solicitar para a autarquia o relatório que será elaborado ao final dessa apuração interna. "Pedirei cópia da sindicância e dos documentos dos veículos, para verificar a situação, fiscalizar o que aconteceu e, se necessário, impulsionar as providências", explicou.

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