Tribuna do Leitor

Sentado à beira do caminho


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Esperava pelo ônibus naqueles tubos, embarcando para a região central de Curitiba, quando observava o brasão da cidade, estampada no terminal que uma araucária destacava-se nesse símbolo. Desde os tempos ginasiais, e nas aulas de geografia, ministrada pela competente professora d. Georgina, admirava essa espécie de árvore.

Retorno à cidade para participar da 20.ª edição do festival de Curitiba, de 29/3 a 10/4, coincidindo também com seu 318.º aniversário, na mostra paralela Fringe/2011.

Lembro-me , desde os tempos de faculdade, em meu curso de propaganda e publicidade, toda campanha publicitária de respeitáveis agências, e clientes antes de serem veiculadas nas mídias, a cidade era escolhida para seu lançamento, uma espécie de termômetro do sucesso ou fracasso.

Em 2009, apresentei-me na mostra com o monólogo "Muro de Arrimo", de Carlos Queiroz Telles que dentre tantos atributos, fôra meu professor. Dessa vez, levei a Curitiba textos de escritores, poetas de nossa região, de nossa cidade: o jovem Thales Wagner, fecundo em sua obra literária, tendo convivido com seus dilemas, sonhos e projetos, deixa em seu " Diário de Bordo" os percalços, embarques e desembarques nessa meteórica viagem que realizou entre nós.

Já o poeta-agricultor José Florêncio Pereira "O Sereno na Flor", deixa sua marca, sua saga e legado na região de Pederneiras, onde morou após sair de sua Baempendi, localizada no sul de Minas Gerais, Jaú, por quem o poeta dedicou e declarou sua simpatia e reconhecimento. Bariri, ali José Florêncio amargou dias indesejados, e desagradáveis na sua vida. Fixa-se, finalmente em Boracéia, onde ali encontrou-se.

Assim, toda minha carreira dirigida desde o anos 70, e concentrada nos versos, poemas e prosa desses artifíces da palavra, coroam essa minha caminhada, o desapego fundamental de meus familiares, que tão bem entendem essa missão.

O Festival de Curitiba é considerado o maior evento teatral do País, e celeiro de grandes nomes: Luís Mello, Mário Bortolotto, José Maria Sanches (em memória), entre outros que também vocacionados respiram o teatro, sobrevivem às duras penas dessa arte.

O festival, bem ou mal, oferece nos 13 dias de diversas manifestações, performances, dança, circo e teatro de rua, e gastronomia, um toque de vanguarda, juventude, e um novo olhar das diferentes "tribos" que curtem o evento.

De volta ao aconchego, trago, a certeza, a coragem, um fortalecimento e ousadia em poder ter a consciência, sem nenhuma pretensão e arrogância em dizer: Eu sou um ator! Agradeço a todos que entenderam, apoiaram, contribuíram para mais uma vez estar na mostra mais democrática e paralela (o Fringe), que possui, às vezes, propostas cênicas, mais interessantes que a própria mostra oficial, patrocinadas por megas empresas. A história do teatro em nossa cidade escreve assim nova página!

E assim vamos disseminando, formando público, acreditando no poder transformador da arte.

Tudo se transforma em versos,

que aliviam minha dor, e

despertam meu coração.

("Sereno na Flor")


se um dia alguém vir a dizer

o que é o amor e a vida?

porque tão conduso e injusta?

satisfeito ficarei.

(Tchau, Nunca Adeus)

Zé Francisco - ator

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