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Bauru tem recorde de casos de dengue

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Antes mesmo de terminar apenas o quarto mês do ano 2011, falta a confirmação de apenas mais um registro para que Bauru bata oficialmente o recorde da história da cidade em casos de dengue. Até ontem foram contabilizados 2.063, sendo 2.059 autóctones (adquiridos no município) e quatro importados. Por ora, não há perspectiva de desaceleração na escalada da epidemia.

O maior número havia ocorrido em 2007, mesmo ano em que as estatísticas da prefeitura passaram a ser informatizadas. Na ocasião, foram registrados 2.064 casos da doença durante o ano todo, segundo levantamento da Secretaria Municipal da Saúde. Porém, como a cada dia dezenas de casos são confirmados, no momento em que você lê esta matéria este número, certamente, já foi ultrapassado.

Somente ontem, 73 casos autóctones foram confirmados, o que fez com que o número anterior de 1.990 pessoas doentes saltasse para 2.063. Até o momento, a epidemia de dengue na cidade é causada apenas pelo tipo 1 do vírus, transmitido pelo mosquito vetor Aedes aegypti. Este vírus não difere dos demais (como os tipos 2, 3 e 4) em relação à gravidade da doença, pois tudo depende do sistema imunológico de cada pessoa infectada.

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Bauru, o levantamento de casos da doença é feito pela Secretaria de Saúde desde 1989, no entanto, a informatização do sistema de dados foi tardia e por isso o comparativo só pôde ser feito com base nos últimos quatro anos. Em 2008 foram registrados 141 casos da doença, caindo para 18 no ano 2009. No ano passado foram 648.

A doença silenciosa marca a vida de quem é acometido por ela. Alguns dizem que os sintomas ?voltam? a aparecer de tempos em tempos, mesmo que o vírus só fique no organismo entre 7 e 10 dias.

Outros, como Antônio Lozano, 80 anos, sentem os sintomas como dores no corpo, dores de cabeça, estado febrio e vômitos frequentes, mas não são diagnosticados de imediato.

"Eu nunca fiquei doente e acho que estou com dengue. Fiz o primeiro exame de sangue e não acusou. Vou ao médico novamente amanhã e fazer outro exame. Receitaram paracetamol (medicamento que pode ser ingerido em caso de dengue) para dor, por enquanto", disse.

Isso acontece porque é nos primeiros três ou quatro dias após a contaminação que a doença de fato se instala no organismo, então o resultado preliminar de exames não é fidedigno. Uma das características que indicam a possibilidade de uma pessoa estar com dengue é uma queda significativa no número de plaquetas e leucócitos no sangue.

Conscientização


Antônio Lozano conta que reside na Vila Universitária há 35 anos, e desde que construiu sua residência e começou a morar no bairro, encontra problemas com dois terrenos baldios localizados um do lado direito e outro do lado esquerdo de sua casa.

"Os proprietários não fazem a limpeza desses terrenos e as pessoas ainda jogam lixo por ali. Também tem o problema dos caramujos africanos que se reproduzem nesse local", reclamou.

Ao visitar os terrenos citados, a equipe de reportagem constatou o que Antônio enfrenta. Dentre os objetos ali jogados pela população estão muitas garrafas, sacos plásticos com água armazenada e muitas cascas de caramujos africanos. Conforme o JC divulgou na semana passada, depois de morrer a casca do caramujo fica no local e pode acumular água.

Além do lixo, uma ?cerca? feita com tijolos baianos para demarcar o entorno do terreno pode ser mais um criadouro das larvas do mosquito. "Quando nós vimos que os buraquinhos dos tijolos estavam virados para cima e cheios de água, furamos o tijolo embaixo", conta Antônio.

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Megaoperação


A megaoperação contra a dengue continua em Bauru. Ontem foram feitas mais de 1.200 visitas de bloqueio de criadouros do mosquito Aedes aegypti.

A nebulização feita pela equipe da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) continuará, nas próximas segunda e terças-feira, no Parque Jaraguá e Santa Edwirges.

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Tempo frio x Aedes aegypti


Antigamente, o ambiente propício para a reprodução do mosquito Aedes aegypti eram lugares quentes e úmidos, como garrafas, pneus, pratos de vasos de plantas. Hoje, segundo Mário Ramos, coordenador da megaoperação contra a dengue em Bauru, o mosquito se adaptou às mudanças climáticas e se reproduz o ano todo.

Portanto, mesmo com temperaturas mais amenas e clima mais frio, como no outono e inverno, é importante não deixar de lado os cuidados para evitar que o mosquito se prolifere. O mosquito também se tornou imune a alguns tipos de veneno.

"É claro que o frio influencia na diminuição (da presença) do Aedes, mas nós sabemos que o mosquito já foi encontrado em Campos do Jordão e no Sul do País, onde o clima é bem mais frio. Então, não devemos descuidar", alertou.

É importante não esquecer da higiene constante com os bebedouros de animais e os ralos das casas, mesmo os que ficam no interior delas. Mário Ramos acrescenta que os ovos do mosquito Aedes aegypti podem permanecer até um ano em um determinado local sem eclodir.

Os bebedouros de animais devem ser higienizados com esponja abrasiva e sabão. Para manter os ralos livres das larvas do mosquito vetor da dengue em casa, basta colocar uma pequena quantidade de água sanitária uma vez por semana.

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Triagem continua no PS


A triagem disponibilizada no Pronto-Socorro Central (PSC) em um setor para atendimento exclusivo de pacientes com suspeita de dengue continua sendo feita. Neste local são realizados os exames e diagnósticos preliminares e, havendo a suspeita da doença, os pacientes são encaminhados para as Unidades Básicas de Saúde, onde são realizados os testes de sorologia.

Esse exame deve ser feito a partir do 6º dia de febre (um dos sintomas da dengue) para o diagnóstico definitivo da doença. A medida evita que resultados de falso-negativo sejam emitidos.

Os principais sintomas da doença são febre, dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal, entre outros sintomas.

Uma das principais orientações é para que as pessoas com sintomas, independentemente do resultado, façam uso frequente de líquidos para evitar a desidratação, e que não tomem qualquer tipo de remédio para dor, como aspirinas e anti-inflamatórios não hormonais. Caso a dor seja intensa, o mais aconselhável é a ingestão do medicamento paracetamol e procurar imediatamente atendimento médico.

A dengue é uma doença de comunicação obrigatória. Essa medida contribui para o controle efetivo da doença - efeito de políticas públicas - na cidade e otimização das atividades de prevenção.

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