Polícia

Casal de idosos é rendido em assalto

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 6 min

Na manhã de ontem, um casal de idosos, morador do Jardim Santana, viveu momentos de desespero após uma sequência de delitos praticados por quatro assaltantes, que são procurados pela polícia, em duas residências. Toda a ação durou pouco mais de duas horas. Na primeira casa invadida, o quarteto, armado com revólver, roubou dinheiro, joias e outros objetos. Uma pessoa que estava em um posto de combustíveis próximo ao local também virou alvo de um dos assaltantes, que usou o veículo para fugir. O casal de idosos da segunda casa invadida viveu momentos de terror e agonia durante um sequestro-relâmpago conduzido pelo grupo armado.

Na primeira residência, que era o alvo dos assaltantes, o valor das joias roubadas não foi divulgado até o fechamento desta edição. Em dinheiro, a estimativa da polícia antes de finalizar o levantamento oficial era de que não chegava a R$ 10 mil.

Os ladrões só não roubaram mais coisas porque a polícia chegou. Mesmo assim, o bando conseguiu escapar, sendo que dois assaltantes resolveram fugir invadindo a casa vizinha, onde o casal de idosos foi rendido, mantido como refém em seu próprio veículo e abandonado numa rodovia.

Outro integrante do grupo fugiu rendendo um cliente de um posto de combustíveis localizado próximo às residências assaltadas, na avenida Nuno de Assis.

Segundo a polícia, o quarteto agiu de forma bastante ousada e planejada. Conforme informações do capitão da 4.ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, Jorge Luís Dias, o crime teve início por volta das 7h de ontem, quando a empregada da residência assaltada desembarcava de um ônibus circular para ir trabalhar. Os donos da casa pediram para ter os nomes preservados.

"Tudo indica que os assaltantes conheciam a rotina desta empregada e a renderam logo quando desceu em um ponto próximo à casa. Assim, eles conseguiram entrar no imóvel após segui-la. Já ameaçada e rendida pelos bandidos, a empregada avisou no portão de entrada sobre sua chegada aos moradores, que abriram o portão eletrônico. Foi assim que eles conseguiram entrar, já que a casa possui cerca elétrica", explicou Jorge Luís.

Com a entrada inesperada dos bandidos, um vigia e o proprietário da casa foram rendidos, junto à empregada, por três homens do grupo, que roubaram as joias e o dinheiro enquanto mantinham as vítimas sob a mira do revólver.

Enquanto isso, o quarto integrante do bando esperava do lado de fora da residência em um Ford Fiesta, com placas de Lins. "Ele aguardava os comparsas terminarem o roubo. Mas, neste momento, um sargento da PM que passava pelo local suspeitou desse veículo estacionado em frente à residência e decidiu fazer uma denúncia", contou o capitão.

Com o comunicado à rede da PM, viaturas chegaram no local para averiguar a suspeita. Momentos antes, o comparsa que aguardava do lado de fora correu em direção à avenida Nuno de Assis. Num posto de combustíveis, rendeu um motorista e obrigou-o a dirigir até o Núcleo Fortunato Rocha Lima. "Ele rendeu esse motorista e não roubou nada dele, apenas exigiu uma ?carona? até o Fortunato para poder escapar da polícia", indicou Jorge Luís.

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Fuga


Depois que o integrante do grupo que ficou do lado de fora da casa fugiu devido à chegada da polícia no local, os outros três assaltantes, ao perceberem a situação, desistiram de continuar o roubo na primeira casa invadida. Um deles conseguiu desativar o funcionamento da cerca elétrica que abrangia todo o entorno do local e, destruindo parte da estrutura, conseguiu escapar pulando o muro.

Nesse mesmo instante, outros dois assaltantes resolveram pular o muro que faz divisa com outra casa, onde vive um casal de idosos. Desesperada para fugir, a dupla rendeu as vítimas, de 69 anos e 71 anos, colocando-as dentro do veículo deles, um Corsa sedan branco que estava na garagem da casa.

Após cerca de 20 minutos circulando pela cidade, os assaltantes abandonaram o casal de idosos nas proximidades da rodovia Marechal Rondon, na altura do Jardim Araruna.

Posteriormente, o carro das vítimas utilizado para a fuga foi deixado na estrada de Val de Palmas, próximo ao Núcleo Fortunato Rocha Lima, bairro onde a polícia fez diligências durante o dia de ontem na tentativa de encontrar os assaltantes.

"Eles não roubaram nada dos dois idosos, apenas queriam um meio para fugir", enfatizou o capitão da 4.ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, Jorge Luís.

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Investigação


Até o fechamento desta edição, os quatro assaltantes que invadiram as duas residências no Jardim Santana e renderam os moradores continuavam foragidos. Em meio às diligências, a Polícia Militar chegou a averiguar três suspeitos, mas que não apresentavam as mesmas características físicas informadas pelas vítimas.

"Mesmo não sendo os assaltantes, uma dessas pessoas averiguadas era foragida da Justiça e outra tinha passagem por estupro", indicou o capitão Jorge Luís, que salienta que a comunidade pode colaborar com a polícia fazendo denúncias que indiquem o paradeiro dos criminosos.

O Ford Fiesta deixado pelos assaltantes no Jardim Santana, que provavelmente seria usado para a fuga dos criminosos, foi apreendido pela polícia.

"Vamos ouvir as vítimas a fim de levantar mais informações sobre os suspeitos. O veículo também vai nos ajudar a chegar aos autores do crime", disse o delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, Cledson Nascimento. A sequência de crimes foi registrada em um único boletim de ocorrência (BO) como roubo.

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Casal relata momentos de desespero


Jurandir e Dalva Poli, o casal de idosos da segunda casa invadida que foi levado como refém pelos assaltantes num sequestro-relâmpago, contaram à reportagem do JC um pouco do drama vivido por eles na manhã de ontem. Dois dos assaltantes usaram o carro das vítimas para fugir da polícia, mas levaram os idosos junto.

"Nós estávamos acabando de acordar, tomávamos o café da manhã no momento em que a empregada estava no quintal e foi surpreendida por dois homens pulando o muro, vindos da casa vizinha", relatou Jurandir, de 71 anos, que há três meses foi submetido a uma cirurgia no coração.

"Então, a empregada começou a gritar e nós vimos eles andando no quintal de um lado para o outro, bem nervosos. Eles queriam o carro para fugir e exigiam dinheiro", contou.

Com ameaças utilizando revólver, os assaltantes obrigaram as vítimas a abrir o veículo estacionado na garagem da casa. "Aí um deles assumiu o volante. Eu tentava o tempo todo os acalmar", disse o dono da casa, muito abalado.

Dalva, que também foi rendida, disse que implorou para que os assaltantes não fizessem nada contra ela e seu esposo. "Eu disse que estava passando mal, mesmo assim eles diziam: ?Fica quieta, nós não vamos fazer nada?. Eu pedia misericórdia, para que eles levassem o carro, mas nos deixassem ficar em casa", relatou.

Além de passar pelo trauma da invasão da casa e do sequestro-relâmpago, o casal foi deixado com trajes mínimos na rodovia Marechal Rondon, na altura do Jardim Araruna.

Sem meios para se comunicar com a família ou a polícia, as vítimas tiveram que ficar à beira da rodovia pedindo ajuda. "Nós ficamos numa situação constrangedora. A sorte foi que uma conhecida passou de carro e nos avistou. Fiquei bastante abalada com tudo que passei", lamentou a mulher.

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