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Entrevista da Semana: Vitor Jacob

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 8 min

Vida de paixão: do esporte aos animais

Um homem extremamente apaixonado. Seja pela família, pelo esporte, por Bauru ou pelos animais, o sentimento é sempre de intensidade para Vitor Bornia Jacob. Aos 38 anos de idade, ele é diretor técnico do Itabom/Bauru, que mesmo eliminado dos playoffs do Novo Basquete Bauru (NBB) na última sexta-feira, saiu de quadra ovacionado pela torcida, graças ao empenho e à garra da equipe, demonstrados ao longo de todo o campeonato.

"A sensação é de que dava para ganhar...", diz Vitor, que há três anos e meio faz parte da diretoria do time de basquete bauruense, de onde não pretende sair tão cedo. "Temos muito o que crescer e, no mês de agosto, já começa a próxima temporada de competições. Queremos trabalhar com o objetivo de conquistar títulos", garante.

Além do basquete, Jacob é empresário e proprietário de duas lojas franqueadas da lanchonete Bob?s. Desde criança na organização de campeonatos de futebol, o empreendedorismo e a vocação para liderança são marcas de um ser humano apegado à família, fanático por futebol e basquete, e que ainda arruma tempo para os animais.

Confira os principais trechos da entrevista concedida por Vitor Jacob ao Jornal da Cidade, onde ele revela histórias curiosas, como a fundação de uma torcida organizada do Palmeiras e se mostra um homem movido por grandes paixões.


JC ? Apesar da derrota do Itabom/Bauru, a equipe recebeu muito apoio do público. Como foi construída a relação do time com a torcida?

Vitor - Nós temos uma diretoria muito boa com a melhor comissão técnica do Brasil, liderada pelo Guerrinha. Além disso, o time é muito carismático dentro e fora das quadras. Das 15 equipes do NBB, nós temos o décimo segundo orçamento, mas conseguimos fazer frente a todos elas. A cidade se identifica com o basquete. Nós não tivemos público de cinco mil pessoas no último jogo porque não temos um ginásio que comporte, mas creio que isso também vá mudar em breve. A bateria do meu celular acabou anteontem por conta das ligações do pessoal atrás de ingresso.


JC ? Como é sua relação particular com a cidade?

Vitor - Sou nascido em Bauru e completamente apaixonado por essa terra. Defendo a cidade e não deixo falarem mal daqui. Sou um entusiasta, porém muito entristecido pelos 20 anos em que ficamos sem governo. Agora a situação parece que está começando a mudar. Só não morei em Bauru por um período de três meses em que estive nos Estados Unidos.


JC ? Quando começou a paixão pelo esporte?

Vitor - Comecei a jogar basquete aos setes anos e também praticava futebol de salão em um time infantil chamado Pelézinho, que foi muito tradicional em Bauru. Eu sou apaixonado por esportes e não sei acompanhar um jogo sem torcer por algum time, mesmo que não sejam os meus. Gosto de todos os tipos de esporte. Há uns anos me arrisquei até a jogar tênis. Na época da faculdade, jogava de quase tudo: futebol, basquete, handebol e vôlei. Foi uma experiência legal.


JC ? Você falou sobre seus times no plural...

Vitor - Apesar da situação triste do Noroeste, sou vidrado por ele. Já fui várias vezes até sozinho a jogos fora de Bauru. Pelo Palmeiras eu sou louco também e, como o Noroeste, também é meu time de coração. É muito difícil para mim quando jogam um contra o outro porque eu não consigo torcer. Não tem jeito de comemorar um gol do Norusca que está sendo tomado pelo Palmeiras e vice-versa. É impossível. Prefiro assistir aos jogos contra outros times.


JC ? Alguma história curiosa por ser torcedor tão fanático?

Vitor - Cheguei a montar uma torcida organizada do Palmeiras em Bauru quando eu tinha 20 anos. Ela chamava ?Espírito de Porco?, mas minha permanência nela durou só um jogo. Nunca gostei das torcidas organizadas e sempre falei que, na primeira confusão, eu sairia. Foi o que aconteceu: no primeiro jogo, em São Carlos, houve uma briga com outra torcida palmeirense e eu já desisti, nem quis voltar para Bauru no ônibus com o grupo. Mas a diversão valeu a pena.


JC ? Em algum momento, teve que escolher entre o esporte e outra carreira?

Vitor ? Sempre joguei nas categorias de base do basquete e até de futebol em Bauru. Quando cheguei na idade da faculdade, foi um divisor de águas. Tive que definir se eu seria um profissional do esporte ou da administração. Como não havia categoria adulta do basquete em Bauru, optei por seguir com a minha empresa, ficar na minha cidade e jogar com os amigos apenas por diversão. Quando cheguei na faculdade, fundei, com a ajuda de colegas, a Atlética da ITE e participei da criação do Economíadas, jogos entre estudantes de diversas faculdades, que já estão na 48.ª edição. Também não tinha tanto talento nem altura para a categoria profissional. Tenho 1,80 metros e jogava como armador. Na minha época, não era um impedimento, mas, hoje em dia, tem armadores com 2 metros de altura.


JC ? De onde veio toda essa paixão?

Vitor - Meu pai não gosta de esporte, não acompanha futebol e os três filhos são esportistas loucos. Não dá para entender o porquê disso.


JC ? Seus filhos herdaram essa característica?

Vitor - Meus filhos são o Léo, de 4 anos, e a Gabriela, de 1 anos e três meses. Sou um esportista fora do normal e tento não passar essa doença para eles, mas acho que está no DNA porque meu filho é palmeirense roxo. Por enquanto, ele leva o esporte mais na brincadeira, bate uma bolinha, mas tudo de forma lúdica, como deve ser na infância.


JC ? O que a paternidade mudou na sua vida?

Vitor ? Completamente, até mesmo na questão do esporte. Antes eu acompanhava os jogos de futebol amador e, se eu ficasse sabendo, ia assistir até campeonato de peteca. Sempre joguei e organizava competições, mas agora isso mudou. Minha esposa trabalha fora também e, nos finais de semana, eu gosto de ajudá-la em casa. É uma troca totalmente justa porque a paternidade é a coisa mais maravilhosa do mundo.


JC ? Como sua esposa lida com tudo isso?

Vitor - Quando ela me conheceu, minha paixão pelo esporte era ainda maior. O meu caso foi melhorando ao longo do tempo, mas a maioria das nossas brigas foi por causa disso, pelo excesso de tempo de dedicação ao esporte. Mas hoje estou mais centrado até por conta dos filhos e ela está me apoiando mais, foi até assistir aos dois últimos jogos contra o Flamengo. Ela foi aluna da minha irmã quando veio de Presidente Prudente para estudar aqui e estamos casados há 10 anos.


JC ? Percebo que você é muito ligado à família...

Vitor - Minha família é o pilar da minha vida. Meus pais e meus irmão são fantásticos, pois facilitaram minha vida em tudo, inclusive no futebol. Um deles era um craque e não seguiu carreira profissional porque não quis. Arrisco dizer que nunca tivemos um problema familiar. A casa da minha mãe é o nosso ponto de encontro e nós estamos sempre reunidos.


JC ? Como é sua vida social?

Vitor ? Estudei em escolas públicas e particulares de Bauru. Além disso, o esporte me proporcionou conhecer muitas pessoas, foi um importante catalisador. Tem gente que diz que eu deveria até me candidatar a um cargo público por isso...


JC ? Sempre o esporte, não é mesmo?

Vitor - Eu não entendo como as autoridades não enxergam o esporte como o melhor e mais barato meio de investir em educação, proporcionando disciplina e responsabilidade aos jovens. O resultado imediato seria a redução do consumo de drogas e da criminalidade. Bauru tem uma vocação esportiva, que não é explorada. Seria possível termos excelência em muitas modalidades. Não adianta esperarmos resultados expressivos na competição porque isso é conquistado a longo prazo, mas a expectativa é de que os Jogos Abertos de 2012 aqui plantem uma semente.


JC ? E sua carreira como empresário?

Vitor - Comecei cedo com o empreendimento no ramo de auto peças e administrei a empresa por 18 anos junto com meu irmão. É um segmento difícil e, depois de tanto tempo, eu acabei cansado. Há dois anos, o Bob?s apareceu como uma oportunidade de trazer para Bauru essa franquia e eu resolvi apostar. Tenho também uma loja de roupas. É muito difícil eu ter apenas um negócio por vez.


JC ? Como foi essa mudança radical de segmento?

Vitor - É muito diferente porque tem a questão do atendimento ao público. E com a franquia é um pouco mais fácil, é praticamente seguir uma cartilha. No começo foi um conflito grande por conta do meu estilo inquieto, mas estou conquistando meu espaço e já faço parte de um grupo de estudos dentro da franquia. Estou conseguindo dar a minha cara para a loja.


JC ? Você também gosta muito de animais...

Vitor ? É outra paixão desmedida porque não trato os animais como animais. Minha cachorra dorme na minha cama e tenho outra na casa dos meus pais. Brinco com a minha esposa de que ela ama a minha cachorra e eu amo qualquer um. Tenho um adesivo amarelo horrível no carro, escrito ?Eu freio para animais?. É feio, mas eu deixo lá porque sinto que faço minha parte. Quando as pessoas entenderem um pouco mais os animais, o ser humano será melhor.


JC - Qual seu maior sonho?

Vitor - Meus sonhos se transferiram para os meus filhos. Minha esposa e eu queremos acompanhar o crescimento e o desenvolvimento deles para que tenham uma vida saudável e façam boas escolhas ao longo da vida. Do ponto de vista profissional, meu lema é fazer acontecer. Eu me sinto muito realizado pois aproveitei tudo na vida no momento certo.

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