A migração de trabalhadores rurais nas cidades onde ocorrem a colheita de cana diminuiu muito por conta da mecanização. O maior incremento de braçais era usado no corte da cana, serviço substituído por máquinas e que tende a desaparecer totalmente a partir de 2014. Os rurais vinham do País todo, mas especialmente do norte e nordeste.
O sindicalista Luiz Carlos de Souza, presidente do Sindicato Rural de Macatuba, lembra que há dois anos chegavam à cidade ônibus com trabalhadores rurais vindos de toda parte do Brasil. "Mais de 500 trabalhadores vinham anualmente na época da safra. Eles eram da Bahia, Sergipe e outros estados do norte e nordeste. Nesta safra, as máquinas fazem o trabalho de corte e colheita da cana."
Mesmo sem os braçais, a colheita da cana faz a alegria do comércio das cidades onde estão localizadas as principais usinas. Em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), a Usina da Barra do grupo Cosan gera 51% de toda a economia da cidade. É a maior do mundo em produção de álcool.
Segundo o presidente da Associação Comercial de Barra Bonita/Igaraçu do Tietê, Ariovaldo Ari Gabriel, a safra de cana tem reflexos diretos no comércio. "Melhora bastante. Eles movimentam o comércio por seis meses, período da safra. Gastam muito na cidade, acredito que aumentem em 30% o movimento."
Além de adquirem roupas, sapatos e gastarem nos supermercados com produtos de primeira necessidade, os trabalhadores costumam comprar inclusive veículos. "Alguns compram até moto. O comércio comemora a chegada deles. Os comerciantes fazem promoções para atrair esse tipo de consumidor. Os migrantes também mexem com o mercado imobiliário que consegue locar imóveis de porte grande para eles morarem."
O aquecimento do comércio é uma realidade também em Bariri (56 quilômetros de Bauru). De acordo com a Associação Comercial e Industrial, eles movimentam os supermercados, açougues, farmácias e lojas de produtos eletrônicos, diz a presidente Ana Jacob. "Eles fazem crediário e compram muitos aparelhos celulares para falar com a família, além de aparelho de som."
O prefeito de Barra Bonita, José Carlos de Mello Teixeira (PPS), avalia que o impacto do início da safra no município já foi maior. "No passado, o impacto do início da safra era muito grande, a cidade ficava esperando, era um fato de extrema importância. Hoje, a safra tem início e muitas pessoas nem ficam sabendo."
Para ele, isso acontece porque diminuiu muito a migração dos cortadores de cana. "Mudou o cenário da nossa região e desapareceu a figura do gato, aquele empreiteiro que buscava trabalhadores nos estados do norte e nordeste. Hoje, os poucos cortadores são contratados pela própria usina. Tem seus direitos trabalhistas assegurados, uniformes, pagamento em dia e equipamentos de segurança."
Na época da safra, segundo o prefeito, a movimentação no comércio ainda é grande. "Os trabalhadores recebem extras por conta da usina trabalhar 24 horas. Na entressafra, faz bicos e não tem um reforço no orçamento. Todo o dinheiro é gasto nas casas comerciais daqui."