Bairros

Banco de leite: mães que AMAMentam e dão vida

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

"Antes de ser mãe eu não conhecia a sensação de ter meu coração fora do meu próprio corpo. Eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto. Eu não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança. Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão importante."

O poema "Antes de ser mãe", escrito por Patricia Vaughan e traduzido por Silvia Schmidt, retrata, em algumas linhas, os pequenos (e tão importantes) sentimentos e percalços que compõem a rotina de uma mulher e seu filho.

Mas dizem que, na prática, ser mãe é algo bem maior, impossível de se resumir nas linhas de um poema. Mesmo quem ainda não tem um filho é capaz de perceber e sentir isso. Basta observar: o mundo está cheio de mães, inclusive, a sua.

"Ser mãe é amar a vida, colocar-se no lugar de outras mães, especialmente nos momentos de dificuldade, e tentar, de alguma forma, ajudar", define Bruna Aparecida Ferraz da Silva, 17 anos, mãe da pequena Lorena Kauana, que descobriu o significado da palavra com três letras há 13 dias, quando, pela primeira vez, pegou a filha no colo.

E é deste tipo de mãe, heroínas de pequenos-grandes gestos, que o Banco de Leite Humano (BLH) depende para manter-se ativo e garantir a saúde de centenas de crianças.

Ajudar é simples e não custa dinheiro. Basta doar o leite materno excedente da amamentação ao BLH. Em troca, a mãe vivencia a satisfação de saber que, com este gesto, colaborou para a melhoria ou manutenção da saúde de uma ou várias crianças.

"O pessoal do Banco de Leite vem aqui em casa buscar as doações. Meu único trabalho é retirar o leite e armazená-lo no congelador. Além de colaborar com os bebês que precisam, me sinto mais aliviada. Me faz bem doar leite", explica Bruna.

Mas, infelizmente, nem todas as jovens mamães pensam como ela. Em Bauru, as maternidades realizam cerca de 450 partos por mês, porém, a média de doadoras de leite cadastradas no BLH é de apenas 30 mulheres.

Além disso, a rotatividade de doadoras é alta. Isso porque cada mulher consegue doar leite por um tempo médio de dois meses. Depois, a produção começa a diminuir e a se adequar às necessidades do bebê.

Em contrapartida, mensalmente, cerca de 70 crianças precisam das doações, a maioria, inclusive, dependem do leite por um período maior que 30 dias.

"Temos bem menos doadoras do que gostaríamos de ter. Para manter um estoque positivo seria necessário, no mínimo, 50 doadoras. Porém, no momento, a procura por pouco não supera a coleta", explica Maria Nereida Panichi, coordenadora do BLH.

De acordo com ela, alguns fatores podem justificar o baixo número de doadoras, entre eles, a falta de conhecimento, e o trabalho que dá coletar o leite e armazená-lo para doação, além dos períodos de frio.

"Por mais que a gente vá ao hospital, fale sobre a importância da doação, muitas mães acabam se esquecendo. É um momento de muita novidade, de grande euforia, e isso afeta nossa campanha", avalia.


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Zelando pela amamentação

Coletar e repassar o leite materno doado é, sim, uma das principais atividades do Banco de Leite Humano (BLH), mas não a única. Pouca gente sabe, mas as tarefas desenvolvidas na entidade vão muito além disso: compreendem a pasteurização e três análises rigorosas do alimento, além de trabalhos de conscientização e orientação no hospital e consultas clínicas feitas na própria sede do BLH, que tiram dúvidas e diagnosticam problemas referentes ao aleitamento.

Com tantas atividades, os profissionais do BLH não ficam parados. Realizam visitas nas maternidades da cidade no período da manhã e tarde e quando por motivo de feriado ou fim-de-semana não conseguem encontrar todas as mães, realizam o contato durante a semana, por telefone.

Já o atendimento clínico é feito no período da tarde. Muitas mães, inclusive, tornam-se doadoras depois de passar pelas orientações das enfermeiras. Aline Gabriela Leite de Lima, mãe da pequena Beatriz, por exemplo, ficou sabendo do trabalho desempenhado pelo BLH depois de receber a ligação de uma funcionária, alguns dias após o nascimento da filha.

"Eu estava sentindo dores para amamentar, mas achava que era normal. Por sorte, uma das meninas do Banco me ligou e agendamos uma consulta. Descobri que estava posicionando a Beatriz de forma errada. E eu que pensava que tinha pouco leite, me tornei doadora", conta.

Outra atividade é a pasteurização do leite, que se estende não somente aos leites doados como também às mães que optam pelo procedimento para conservar o leite materno por mais tempo.

"As mães trazem o leite e nós pasteurizamos. Depois, elas recolhem e mantém em casa, congelado. Quando voltam a trabalhar e o bebê fica sob os cuidados de outra pessoa, não precisam interromper a amamentação com leite humano", explica Maria Nereida Panichi, coordenadora do BLH.


? Serviço

O Banco de Leite Humano de Bauru fica na rua Professor Gerson Rodrigues, 3-6 ? Vila Nova Universitária, e atende das 7h às 17h. Telefone: (14) 3226-3227.

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