Tribuna do Leitor

O Caderno da Rosa


| Tempo de leitura: 2 min

Suas folhas contavam de uma travessia

Por uma estrada de pedras e espinhos

De uma mulher que partira vazia

Numa noite escura, por difícil caminho

O caderno inteiro chorava sozinho

E numa prece com fé pedia a Deus

Um longa oração pelo amado filhinho

Que o Senhor já levara num triste adeus

Enquanto suas páginas eu revirara

Aquelas palavras entravam em mim

Aquele caderno me inspirava!

E de velho e feio transformei-o assim:

De um poema de morte falando de lua

Extraí poesias de sol e de vida

E apesar da tristeza da escrita sua

Me perdi na beleza da rima obtida

E o trouxe comigo por todos os anos

Guardado, escondido em minha gaveta

Por mais duros que fossem os desenganos

Valia a pena ler: "Gentil Borboleta"...

Eu sei que parece ter sido "descuido"

Deixá-lo jogado naquela bolsa

O tempo passou e você o achou!

Então minha "Rosa"... agora me ouça:

Muito obrigada, mãezinha querida

Por não tê-lo jogado fora

Pois teu caderno tem me ensinado

A esperar pelo tempo, o dia e a hora

Ensinou-me que a morte faz parte da vida

Que com fé é possível ter o que desejamos

Que nossas lágrimas, apesar de sofridas,

Regam os jardins das pessoas que amamos

Ensinou-me mais que os muitos livros

Os segredos da alma, escrituras, profetas

Ensinou-me humildade e a fé que bendigo. Ensinou-me a amar, perdoar e ser poeta.

Simonne Di Piero

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