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Atitudes coletivas

Fábio Pallotta
| Tempo de leitura: 3 min

Embora muitos não aceitem, a nossa espécie é tão frágil que estarmos aqui agora é um verdadeiro milagre... O milagre da vida. Milagre que brotou da solução que nós encontramos para sobrevivermos enquanto espécie: tudo que fazemos ou pensamos deve estar voltado para a sobrevivência do grupo e atender a todos, caso contrário seria cada um por si e Deus por ninguém. Essas palavras iniciais são necessárias para falarmos sobre o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro do GARTA - Grupo de Análise de Risco Tecnológico e Ambiental, o geógrafo e engenheiro químico Moacyr Duarte.

Em artigos, entrevistas na mídia e trabalhos acadêmicos, esse profissional empreende uma verdadeira cruzada para alertar a sociedade brasileira sobre os riscos do crescimento desordenado das cidades e o que fazer para combater esses efeitos nocivos. Ele lembra que, muitas vezes, não são as pessoas sem informação e beirando a linha da sobrevivência que invadem áreas de risco ambiental, como ficou provado nos acidentes em Angra dos Reis e na Região Serrana do Rio, onde morreram centenas de pessoas muitas delas sem saber dos riscos que corriam.

Para ele, a solução desses problemas está diretamente relacionada com mais pesquisas, mais trabalhos acadêmicos para identificar essas áreas e resolver os problemas da ocupação desordenada pelo ser humano em geral, não só pelos pobres. As questões ambientais e do enfrentamento dos acidentes naturais, ou não, só devem ser pesquisados e enfrentados de forma coletiva, para que o tecido social seja fortalecido e que a sorte de uns possa ser tratada como a sorte de todos.

Ele chamou a atenção para o drama humano das populações que perdem tudo, todos os anos, nas áreas de risco e não são atendidas. O tempo passa e as pessoas continuam abandonadas, ao leu passando privações inadmissíveis para uma sociedade que se diz civilizada como a nossa. Sobre as enchentes anuais que enfrentamos em cidades ocupadas sem critérios saudáveis como São Paulo, Rio de Janeiro, Blumenau, ele propõe que o poder público faça uma programação visual para os cidadãos urbanos alertando, sobre o risco de enxurradas em locais específicos em casos de chuvas fracas, médias ou fortes. Fala sobre a importância da colocação de Réguas de Marcação para avisar o quanto rápido a água sobe em alguns pontos de risco, como no nosso caso as Nações Unidas.

O que fica claro em todas as intervenções do maior especialista em catástrofes da Américas Latina e seu grupo de estudos é a necessidade de se atuar, sempre em grupo, no coletivo e não apenas para poucas pessoas. Para ele, o exemplo do Japão é em-blemático, onde uma tragédia como a que eles sofreram e que em países menos preparados, seria o caos com a possibilidade de uma guerra civil pelo básico como água, comida, remédios. Lá, pelo sentido do coletivo e pelo preparo social, a situação está aparentemente sob controle.

Entre as catástrofes elencadas por ele, a mais preocupante seria uma pandemia (epidemia sem controle) de alguma doença em que o vetor de contágio se propagasse via aérea, o que para ele não é difícil de acontecer. É só uma questão de tempo. Vide a gripe aviária de alguns anos atrás. Os ensinamentos desse pesquisador deveriam ser levados em consideração pelas autoridades competentes e serem disseminados entre a população para que no futuro possamos continuar sobrevivendo apesar das catástrofes naturais ou não devido as nossas atitudes coletivas.

O autor, Fábio Pallotta, é professor universitário, colaborador de Opinião

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