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Potencial de consumo de Bauru sobe 11%

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 7 min

Nos 12 meses, a previsão do potencial de consumo do bauruense cresceu 11,5%, conforme o estudo IPC Maps, comparando-se a performance entre 2010 e 2011. Em números absolutos, este crescimento corresponde a um incremento econômico de quase R$ 700 milhões de um ano para o outro ? de R$ 6 bilhões em 2010 para R$ 6,7 bilhões agora.

Na vida real, a alta no po-tencial de consumo é reflexo, por exemplo, da instalação no município de três lojas do segmento de atacarejo, em cerca de dois anos, projetados para a venda de grandes quantidades no segmento de alimentação, como restaurantes, lanchonetes, mercearias e carrinhos de lanches, principalmente. Mais empresas iniciam um negócio, mais postos de trabalho são abertos e a roda da economia gira forte.

É um movimento praticamente sincronizado para atender a demanda. Com isso, Bauru subiu um degrau (do 47ª para o 46ª) no ranking do potencial de consumo no País e no Estado de São Paulo (14º lugar para o 13º lugar), conforme a IPC Marketing Editora, responsável pelos cálculos do estudo IPC Maps (sucessor do antigo IPC Target) para 2011. O estudo avalia o potencial de consumo em 5.565 cidades do Brasil.

Erlon Godoy Ortega, diretor da regional Bauru da Associação Paulista de Supermercados (Apas), atribui o aumentou das vendas e o crescimento no número de empresas no município à maior capacidade de consumo das classes consumidoras C e D.

"O grande aumento em Bauru de supermercados foi no setor atacarejo, com o Assaí, Tenda e Max, que vende para o transformador", detalha.

Ortega ressalta que as classes C e D tiveram um incremento na renda e melhoraram a qualidade de seu consumo de alimentos, de lazer e de refeições fora de casa ? frequência em lanchonetes e restaurantes. "Pode ver que uma coisa está amarrada à outra", define.

Ele cita que o setor supermercadista está em crescimento em Bauru e, como reflexo, sofre com a falta de mão de obra. "Tem vagas abertas em todos os setores na região de Bauru. A economia cresceu, mas há necessita na preparação de profissionais", alerta.

O economista Adriano Fabris explica que a quantidade de vezes que o dinheiro circula na economia ? efeito multiplicador da moeda ? tem feito multiplicar os investimentos na cidade.

Quanto ao consumo, ele diz que a renda direcionada para a classe média é, em grande parte, utilizada para o consumo, diferente se fosse para a classe A. "Porque ela já está no limite máximo de consumo", acrescenta.

Fabri faz um alerta quanto ao endividamento do brasileiro que chega atualmente a 40% de sua renda mensal. Ele comenta que ainda é menor do que da sociedade chilena e norte-americana, contudo é um sinal de perigo. "Não é recomendado que a gente comprometa mais do que 30% da nossa renda com crediários", alerta.

O economista explica que os setores de consumo ainda aquecidos na economia brasileira são de automóveis, linha branca de eletroeletrônicos e material de construção.


Mais empresas


O estudo IPC Maps aponta um aumento significativo no número de empresas em diversos setores produtivos de Bauru. Só o segmento de agribusiness cresceu 540,91%, passando de 132 empresas, em 2010, para 846 atualmente.

A queda de impostos da cesta de materiais de construção, no início de 2010, impulsionou o crescimento de 15% até 20% nas vendas neste segmento, conforme Magno Aparecido dos Santos, administrador de um rede regional de lojas na região de Bauru.

"A crise nos Estados Unidos veio com a boa notícia do corte dos impostos aqui. O consumidor com medo dele voltar rapidinho correu para as compras", explica o administrador.

A pesquisa aponta que em Bauru o número de empresas do setor de material de construção pulou de 413, em 2010, para 798, neste ano. Santos entende que muitas firmas surgiram para atender o aquecimento do setor.

No primeiro quadrimestre deste ano, ele explica que houve uma desaceleração nas vendas devido aos compromissos financeiros comuns ao período ? pagamento de IPTU, IPVA, matrícula e material escolar.

"A perspectiva é de crescimento", salienta Santos. O administrador acrescenta que, com a estabilidade de emprego, o consumidor não teve receio de comprar material a prazo e, portanto, paga as compras do início de 2010.

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Abismo separa pessoas pelo consumo


O estudo de potencial de consumo por categoria IPC Maps, da Target, revela uma diferença bastante acentuada entre quem está situado na faixa E de potencial de consumo em relação a quem está no extremo oposto, A1 em Bauru.

Em qualquer dos 21 quesitos de avaliação de consumo, a condição é extremamente desigual. Em valores absolutos, a projeção do estudo de potencial de consumo da classe E é superior a R$ 7 milhões (0,1%), enquanto que o pessoal da A1 desfruta de mais de R$ 383 milhões (5,7%).

A avaliação de 2010 apontava 563 imóveis na E e 767 na A1. Atualmente, são 727 domicílio na E e no lado oposto 957 na categoria A1.

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Mobilidade social é constatada na cidade


A pesquisa IPC Maps, com dados de 5.565 municípios brasileiros, constata o crescimento significativo na população das classes B2 e C1. Bauru segue a tendência nacional. A cidade possuía 23.713 domicílios enquadrados na classe B2, no ano passado, e, neste ano, já são 27.670, o que representa 25,6% do total de todas as categorias ? E, D, C2, C1, B2, B1, A2 e A1. Somadas às moradias da B1 (15.948), a B tem 43.618 domicílios perfazendo mais de 40% do total, enquanto que, em 2010, este número representava somente 35%.

De acordo com a análise dos técnicos da IPC Marketing Editora, os dados evidenciam a força do consumo da classe média brasileira. Ainda segundo o estudo, o aumento quantitativo de pessoas de uma camada de consumo para outra provém normalmente das classes C2 e D, que em 2011 representa também expansão de renda para consumo.

Nas classes A2, D e E, entretanto, observa-se um contingente menor de pessoas, mas com aumento no potencial de consumo das classes A2 e D, na comparação de 2011 com 2010. O maior crescimento ocorrerá na classe B2, representada por domicílios com rendimento médio de R$ 2.750,00/mês, que contém 20,9% dos domicílios urbanos em 2011 (ante 19,3% em 2010) e será responsável por 25,4% do consumo nacional (ante 23.7% em 2010).

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Perfil exigente faz com que setores sejam aprimorados


Com perfil cada vez mais exigente, os consumidores provocam evolução nos mais variados tipos de comércio. Em conversa com alguns consumidores dos setores de serviços em geral, como os grandes magazines, da construção e de alimentação, a equipe do Jornal da Cidade (JC) constatou: facilidade de pagamento e espaço agradável são sinônimos de negócio fechado.

Na primeira loja visitada pela reportagem, Alexandre Prado Branco, 39 anos, representante comercial, já aguardava no balcão do ?pacote? para receber o ferro de passar que havia acabado de comprar. "Eu tentei arrumar o meu, mas não teve jeito. Minha esposa foi usar ontem e ele quebrou de vez. Então, resolvi comprar outro. Hoje, ficou mais fácil comprar, o preço está acessível e as facilidades de pagamento são muitas", disse Branco, que havia pago R$ 50,00 por um ferro de passar de boa qualidade e com algumas funções extras.

Ainda na mesma loja, mas em outro espaço, o de móveis, estava Roberval Carlos Diniz, representante autônomo, junto de a filha Pâmela Caroline Diniz. Os dois escolhiam móveis para a nova casa, menor do que a atual. "Estamos pesquisando produtos e preços porque temos outras necessidades. Os móveis que temos são muito grandes e precisamos de menores", contou.


Facilidades


Ao responder sobre a facilidade de pagamento, Diniz acaba por imbricar na mesma linha de raciocínio de Branco. "Eu acho que como ficou mais fácil pagar, as pessoas compram mais. Hoje, qualquer um que tem crédito aprovado, compra um carro zero quilômetro em uma concessionária. O difícil é pagar depois", opinou aos risos.

Ao contrário do que pensam Branco e Diniz, Álvaro Luís Cálice, acha que, para a construção, os preços estão altos e os juros sempre aparecem quando a opção é parcelar o pagamento. "Eu estou comprando parte do azulejo que faltou na reforma da cozinha da minha chácara e não achei o preço baixo. Fui comprar uma pia outro dia, também para essa reforma, e encontrei um preço de R$ 390,00 em uma loja e R$ 250,00 em outra. Optei pela mais barata e comprei à vista", ressaltou.


Alimentação


De supermercado, Joana Carlos Arantes entente. A dona de casa percorre vários desses estabelecimentos alimentícios para fazer a compra da semana. Ela procura sempre os melhores preços, além da variedade de produtos.

"Eu acredito que os supermercados estão melhorando cada vez mais tanto na estrutura quanto nos produtos para chamar a atenção dos clientes. Acho que todos eles estão procurando aumentar suas lojas a fim de atrair mais clientes", complementou.

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