São Paulo - Uma base da Guarda Municipal de Santo André (Grande SP) e um posto da Polícia Militar na Vila Carolina (zona norte de São Paulo) foram atacados a tiros na madrugada de ontem. Ninguém ficou ferido.
Os ataques aconteceram em um intervalo de uma hora e a quatro dias do quinto aniversário dos atentados do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra as forças de segurança do Estado, em maio de 2006. Mas, para a PM, os dois ataques de ontem são pontuais, não têm ligação um com o outro e, até agora, não há indicativo que ligue as ações ao crime organizado.
Era 0h30 quando dois homens em uma moto abriram fogo contra a base da Guarda Municipal de Santo André, na rua Coronel PM Celestino Henrique Fernandes, 200. A sentinela havia ido ao banheiro. Os criminosos dispararam seis vezes no veículo da corporação e fugiram. Os atiradores foram perseguidos por guardas municipais, mas ninguém foi preso.
Na zona norte, uma cabine blindada da PM foi atacada no Terminal de Cargas Fernão Dias, à 1h30.
Segundo PMs, um Gol preto passou pelo local às 23h30 de anteontem, retornou à 1h35 e houve os disparos. Ainda segundo PMs, o veículo voltou às 2h30. Os policiais afirmaram que houve perseguição e troca de tiros.
Foram presos um homem de 27 anos e outro de 18. O mais novo foi baleado e está internado. A PM informou que apreendeu com ambos uma pistola 9 mm.
Os acusados foram levados ao 73.º DP (Jaçanã), onde negaram ter atirado na cabine da PM. Segundo a Polícia Civil, eles não tinham antecedentes criminais.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), negou ontem que os ataques tenham relação com a onda de atos criminosos deflagrada pelo PCC em maio de 2006. Tanto os ataques desta madrugada como os de 2006 ocorreram próximos ao Dia das Mães. "A informação da Secretaria de Segurança Pública é de que não houve nenhuma relação com nenhum outro episódio", disse o governador, se referindo aos ataques de 2006.
O governador preferiu não comentar o resultado de relatório divulgado ontem pela ONG Justiça Global e pela Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard (leia mais ao lado).
A pesquisa mostra que a corrupção policial e a transferência em massa de líderes do PCC para penitenciárias de segurança máxima no Interior também contribuíram para a ocorrência dos ataques.
SP continua vulnerável a
ataques do PCC, diz estudo
São Paulo - Estudo divulgado ontem aponta que São Paulo continua vulnerável a ataques como os promovidos pela facção criminosa PCC em maio de 2006 e que o Estado falhou na resposta aos crimes.
O relatório "São Paulo Sob Achaque", raio X sobre a onda de ataques da facção, foi elaborado durante quatro anos e oito meses pela ONG de defesa de direitos humanos Justiça Global e pela Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard, uma das mais importantes dos EUA.
De acordo com o estudo, problemas que contribuíram para os ataques na época persistem hoje, como a corrupção policial, prisões superlotadas - com o domínio da facção nas carceragens -, agentes e policiais vulneráveis a ataques e aumento da violência policial.
Durante a divulgação do relatório, foi apontada também uma frágil relação entre a facção criminosa e as autoridades, que teriam feito "acordos" para manter a população carcerária sob controle e garantir privilégios aos líderes do PCC. "Há indícios de que é acordado (com as autoridades), mas isso, como sabemos, é algo que não é sustentável. Algum dia acontece alguma coisa, há um outro achaque, isso se rompe e há uma nova onda de violência", afirma Fernando Ribeiro Delgado, um dos coordenadores do estudo.
Ele destaca também que o primeiro trimestre deste ano teve mais mortes de policiais militares em serviço do que o registrado nos três meses que antecederam os ataques de 2006. As 74 unidades prisionais que se rebelaram na época estão ainda mais superlotadas agora - o grau de lotação, em 2006, era de 147%, e agora seria de 195%, segundo dados levantados pelo estudo.
Quanto às medidas contra a corrupção policial, apontada como um dos fatores que levaram aos ataques de 2006, o relatório diz que são insuficientes.