Patrulhamento ostensivo ou ampliação da cidadania? Qual a melhor maneira de evitar a propagação do crack e resgatar o ser humano que ainda existe sob a pele magra dos viciados? Em Bauru, uma operação iniciada nesta madrugada pelo 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), em conjunto com a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), tenta aliar essas duas vertentes para reverter a situação do Centro da cidade.
No último domingo, o JC esmiuçou a triste realidade dessa área central, que se tornou uma verdadeira "cracolândia" no interior. O espaço, compreendido entre a Nações Unidas e ponte JK, prolongado até o viaduto inacabado, abaixo da rua Presidente Kennedy até a linha férrea da "falecida" Paulista, virou o cenário da decadência humana, que, aos bandos, se enfileiram para trocar suas vidas pelo crack.
Então, o que fazer? A ideia da operação que está sendo programada é intensificar o policiamento, entretanto, permeado de cidadania a essas pessoas. Segundo o capitão Paulo César Valentim, comandante da 1.ª Companhia da PM de Bauru, é a política ostensiva aliado ao preventivo.
"O patrulhamento é importante, porém, o foco é o nível de prevenção que ela traz. Iremos identificar o tipo de pessoa que está na rua e quem efetua os roubos a transeuntes, ocorrência que está crescendo na região central. Com isso, poderemos prevenir algo mais grave", explica.
A própria titular da Sebes, Darlene Tendolo, irá acompanhar as ações. "Já verificamos mulheres grávidas vivendo nessa situação. Ao lado do policiamento, iremos levar roupas de frio e um café com chá e bolachas ao local. É um modo de mostrar que não estamos lá somente para punir, mas sim ajudá-los e acolhe-los".