Notícia do JC, página 16, de 13 de maio de 2011 ("Livro adotado pelo MEC defende falar errado"). Como professores e cultistas da língua pátria, não podemos concordar com o retrocesso de uma literatura tão perfeita, complexa nas suas ideias e pujante em alternativas intelectuais, como a nossa. Nossos escritores, cada um com seu estilo, foram mestres e maestros de nossos poemas e prosas. Depois de ler um Machado de Assis, um Camões, uma Clarice Lispector, um texto descritivo de José de Alencar, como aceitar o "nós pega o peixe" que com a morte da pessoa verbal nem o peixe sobreviverá?
Para quem estudou a Língua Portuguesa, viajando pelo Lácio, absurdo o desaprendizado que não precisa de livro oficial (MEC) para existência, já que na cultura doméstica e regional eles já aprenderam como "pegar o peixe"! Num momento em que os órgãos de comunicação e a Academia Brasileira de Letras, avançam para levar a Língua Portuguesa, culta e mais simplificada, em razão da reforma ortográfica, com o escopo de mostrar a beleza da letra brasileira de um Guimarães Rosa, um Graciliano Ramos, num Nordeste miserável e triste, chegam "autores" da modernidade e da comunicação através da internet, que não definiram ainda, se no poema "Coisas da Vida" o correto seria "ao ponto" ou "a ponto", optarem por aleijar a nossa prosa.
O que será da nossa comunicação oral e escrita daqui a algum tempo? E a figura do professor de Português, que hoje sai da universidade com um aproveitamento de 28%, segundo pesquisa nacional? Poderia estar correto também: enquanto o padre pasta o burro reza. Quando na verdade é assim: enquanto o padre pasta o burro, reza! Ou Jesus disse que amassemos uns aos outros? Não seria: amássemos uns aos outros?
Acreditamos que a ideia dos autores e do governo é justificar de maneira oficial e acadêmica o fracasso do processo educacional e do ensino no Brasil, além de cobrir com cortina de fumaça a flagrante desvalorização da cultura e dos profissionais do magistério. Fica óbvio o desinteresse do governo em formar pessoas cultas para representarem e lutarem pelo sofrido povo brasileiro. Enfim, quanto mais ignorante o povo, mais chances de votar nos seus pares. (Tiririca é referencial no tema). Vale lembrar, conforme dito popular, que o "peixe morre pela boca!"
Catarina Carvalho e Luciano Prock - professores