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Cracolândia assusta

Gino Crês
| Tempo de leitura: 2 min

Como bauruense há tantos anos, não poderia ficar indiferente à matéria "Na região central, cracolândia assusta", da autoria de Luiz Beltramin, no JC, domingo (8/5). Confesso que fiquei, deveras, assustado, por trazer em seu bojo um problema de nossos tempos, senão o mais grave, mas seguramente o mais preocupante e devastador nos dias de hoje: a questão das drogas na região central da nossa cidade. Certamente, ao ler esta afirmação, pode passar pela cabeça do leitor que estamos exagerando. Entretanto, o narcotráfico faz, hoje, circularem no mundo cifras para nós inimagináveis, ao mesmo tempo que é o principal motor do submundo do crime, produzindo guerras, violência e exploração. Hoje, as drogas em geral, as lícitas e as ilícitas, são motivo de dor, sofrimento, doença e morte. Verdadeiras fábricas de pesadelos, as drogas vão transformando sonhos de apaixonados, idealistas, românticos em desilusão e perda do sentido da vida.

Onde encontrar, então, apoio para um começo de solução para fechar, de uma vez, estas fábricas de pesadelos? Primeiramente, deveríamos procurar em Deus, mas infelizmente, a vida do homem contemporâneo é marcada por um vazio existencial profundo. O relacionamento com o sagrado, quando existe, é um relacionamento exigindo troca de favores. Encara-se a religião como um mercado. Deus entra como um auxiliar para as necessidades e emergências, mas Ele não entra na vida da pessoa.

Em seguida, cabe-nos apelar à família, espaço de crescimento, partilha e amor. Mas a família, ultimamente tem se tornado um lugar de encontros rápidos e impessoais. Muitos são os relatos de casais que, após anos de matrimônio, tornam-se verdadeiros desconhecidos, não restando mais diálogo, respeito, numa palavra, não restando mais amor. Este triste quadro intensifica-se com a realidade dos filhos, vítimas da frieza nos seus lares, que são "compensados" ou com uma falsa liberdade nas ruas ou com presentes e mais presentes para encher o seu tempo, mas não as suas vidas.

Finalmente, como uma tábua de salvação, vem a Escola, lugar de educação e preparação para a vida, que herda o vazio da educação que deveria ser dada pelos pais. Os professores, despreparados na maioria dos casos, assumem o dever de educar para a vida, de passar os valores. No entanto, para lidar com estes problemas, ainda não encontram o apoio dos pais nem da sociedade. Quando se faz necessário agir energicamente, não raras vezes lhes faltam os meios. Castigo, bilhete para os pais, notas baixas... nada disso é mais ameaça. Tudo pode. Tudo é permitido.

É fundamental recuperar o lugar da família e da escola. Certo que se faz necessário, pelos meios constitucionais, endurecer as leis e fortalecer a repressão no sentido de impedir que as drogas cheguem aos lares de nossa cidade; mas a solução mesmo está dentro de nossos lares, ou melhor, dentro de nossos corações. E esta solução se chama amor.


O autor, Gino Crês, é professor

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