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Que desta vez realmente aconteça

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Pela natureza e essência altamente dinâmica e transformadora, a educação e o ensino, de tempos em tempos, têm que sofrer mudanças a fim de se adequarem aos mesmos e às novas realidades, transições que ocorrem através das propaladas e esperadas reformas edu-cacionais. Como a que está prestes a acontecer no Brasil após a homologação pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, transformando-se em lei que deverá ser observada e cumprida tanto pelas escolas oficiais como particulares. O Conselho Nacional de Educação, por unanimidade, aprovou propostas para modificação do ensino médio, oferecendo às escolas a opção de manter seus currículos ou modificá-los de acordo com divisão nas quatro áreas de atuação humana: ciência, tecnologia, cultura e trabalho, com ênfase nas disciplinas da área escolhida, sem, no entanto, subestimar o estudo de nossa língua e da matemática.

O que se pretende é que, com a flexibilização do currículo da escola, esta, se o desejar, atenda à vocação da cidade, região, comunidade e alunos, seja industrial, de música, segurança e outras. O que se quer é dar uma terminalidade ou formação ao concluinte do ensino médio, o que não é fornecido atualmente e nunca o foi com a promulgação da LDB 5692/71. Na verdade, na condição presente, com raras exceções, o ensino médio tem como escopo a preparação do aluno para o vestibular do ensino superior. A futura reforma prevê ainda mais tempo para a conclusão do ensino médio no período noturno, dando ao aluno a oportunidade do ensino a distância exigindo porém um percentual de freqüência. O esperado, com esta nova reforma educacional, é que o concluinte do ensino médio, daquelas escolas que optarem por tal, saiam qualificados para o trabalho, saiam profissionais, técnicos em determinada área das citadas an-teriormente, o que será muito bom tendo em vista a crise que atravessa nosso país pela falta de profissionais qualificados, tanto a nível técnico como superior.

O pretendido é o ideal, que se torne realidade a fim de produzir os resultados desejados a longo prazo, mas, torna-se obvia a afirmação de que em qualquer área escolhida pela escola será ´fundamental a aplicação de recursos, de verbas, de dinheiro. Principalmente nas áreas de ciência e tecnologia, sem laboratórios, materiais e pessoal especializado para ensinar e treinar, o esperado não passará de utopia como tem ocorrido. Este é um desafio e um compromisso muito sério pelos sistemas estaduais e municiais de ensino. Pois realidades excepcionais já existiram principalmente em nosso Estado de São Paulo até a LDB/71, que acabou com a rede de ginásios e colégios industriais existentes, cujos concluintes dos citados colégios que apresentavam invejáveis estruturas, saíram formidáveis profissionais que até hoje são encontrados com atividades de excelente qualificação no mercado de trabalho. Enfim, a nossa educação e o nosso ensino já tiveram excelentes realidades que podem servir de exemplos à pretensões dos educadores da atualidade. A meu ver, três ênfases devem ser observadas para esta reforma que está prestes a acontecer: vontade política, vocação e recursos. Se faltar uma delas, a reforma ficará no papel.


O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor

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