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HB ameaça suspender cirurgias agendadas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Os pacientes que tiverem cirurgias no Hospital de Base (HB) poderão ter uma desagradável surpresa a partir da próxima segunda-feira. Por conta da grave crise financeira vivida pela unidade, os procedimentos eletivos, cujos casos não são considerados de urgência e emergência, poderão ser suspensos a partir da semana que vem.

A informação foi confirmada na tarde de ontem pelo presidente do conselho técnico de intervenção da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Aparecido Donizeti Agostinho. Segundo ele, a entidade aguarda manifestação do governo do Estado a respeito do envio de novos aportes financeiros que possam dar fôlego às atividades do hospital.

O último repasse extra, de R$ 3 milhões, teria sido remetido em fevereiro deste ano e foi suficiente para sustentar os atendimentos sem interrupções até esta semana. "Solicitamos que os recursos chegassem até o dia 18 de maio. Sabemos do compromisso assumido pela Secretaria (de Estado da Saúde) de não deixar o hospital parar. Mas, a partir de segunda-feira, se não tivermos nenhum posicionamento, as cirurgias eletivas terão de ser suspensas."

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da secretaria informou que o último aporte destinado ao HB deveria manter a unidade até o final deste mês e que a pasta ainda avalia a possibilidade de prover novo repasse.

Caso o socorro não chegar até o início de junho, Agostinho adianta que até mesmo os atendimentos de urgência e emergência poderão ser comprometidos pela falta de abastecimento de materiais - como gaze, luvas e máscaras -, medicamentos, próteses e órteses. "Nós trabalhamos com um orçamento bem restrito e tínhamos a expectativa de que esta situação se resolvesse até abril. Não temos mais condições de nos manter", revela.

Entidade que administra o HB e a Maternidade Santa Isabel, a AHB acumula déficit mensal de R$ 1,8 milhão. Com uma receita fixa de R$ 3,7 milhões provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e de convênios com o Instituto de Assistência Médica do Servidor Público (Iamspe) e Prefeitura de Bauru, soma despesas de R$ 5,5 milhões. Nesta conta incluem-se pagamento dos funcionários, aquisição de insumos e medicamentos, além de quitação de dívidas com fornecedores e de parcelas do financiamento junto à Caixa Econômica Federal (CEF). O débito acumulado é estimado em R$ 143 milhões, sem contar processos de dívidas trabalhistas que totalizam R$ 15 milhões.

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