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Apesar de todos os mecanismos de proteção em nossas caixas de e-mail e computadores, volta e meia recebemos alguma mensagem, com o teor, no mínimo duvidoso. Geralmente notícias bombásticas, "desconhecidas" até mesmo pela grande mídia, anúncios de produtos milagrosos ou até mesmo notificações bancárias, independentemente se o destinatário é correntista ou não, ou até mesmo judiciárias.
Os remetentes verdadeiros de e-mails nestas características em nada têm a ver com as instituições que figuram nos endereços e até mesmo logomarcas expostos. É vírus!
Tratam-se de falsários que pretendem prejudicar quem abre esse tipo de mensagem, seja com a instalação de softwares com vírus, algumas vezes letais aos sistema e arquivos, ou até mesmo programas espiões que captam informações vitais ? senhas bancárias por exemplo ? e criam problemas que extrapolam os bits, bytes e megas mundo virtual.
No caso de e-mails simulando instituições, sejam elas bancárias ou governamentais, os fraudadores, observa o advogado e perito digital José Antônio Milagre, geralmente utilizam um mecanismo denominado pishing scan.
Basicamente, explica, o artifício emula a identidade visual de alguma empresa ou órgão oficial para maquiar o remetente e, ao menos tentar, propiciar maior veracidade ao e-mail falso - chamado também de Spam (em miúdos, e-mail falso) ? e, desta forma, fisgar os mais desatentos, atraídos a fornecer dados ou baixar programas.
"Fatos evidentes, como o recente terremoto no Japão, por exemplo, são utilizados para chamar a atenção de quem recebe o e-mail", observa. Outra maneira de fisgar clicadas, que podem ser fatais ao sistema, é instigar a curiosidade de uma forma mais pessoal. "O criminoso ilude o usuário com mensagens do tipo ?você está sendo traído, clique na foto e comprove com seus olhos?", ilustra o perito.
Ao abrir os arquivos anexados, o internauta tanto pode instalar, involuntariamente e num piscar de olhos, programas espiões praticamente imperceptíveis, mas que, uma vez implantados no sistema, observam tudo o que é digitado ao ponto que na primeira informação relevante para o criminoso, a gama de prejuízos pode ser vasta.
"Os trojans (sigla em Inglês referente à Cavalo de Tróia, justamente pelo presente de grego que representa à quem baixa os arquivos das mensagens duvidosas) refletem desde no monitoramento dos PCs, com acesso, inclusive, às contas bancárias de quem usa esse tipo de serviço pela Internet, até em invasões à rotina pessoal", acrescenta. "O trojan é um programa que libera portas do computador para o ato criminoso. Para se ter uma ideia, nosso PC possui 65.536 portas", alerta o professor Claudines Taveira Torres, especialista em Redes de Computadores e Telecomunicações das Faculdades Integradas de Bauru (FIB). Um descuido, segundo ele, pode significar entregar de mão beijada as chaves de sua casa para um ladrão.
Invasão de privacidade
Milagre, um dos poucos advogados no interior que atua na área de crimes virtuais, cita casos que foram parar nos tribunais. Num dos processos, a vítima chegou a ter a webcam disparada sem consentimento, por um estelionatário da rede, a quilômetros distância. "Atuamos neste caso em que o criminoso usou o notebook para extorquir a vítima", detalha. Segundo o especialista, o espião foi identificado.
Esses tipos de fraude, acentua, crescem vertiginosamente no Brasil, que, segundo Milagre, é um verdadeiro berço de falsários nesta categoria. "É uma modalidade de golpe com alta incidência", comenta o especialista, que enumera: a cada dez criminosos virtuais no mundo, três são brasileiros.
E, longe de outras épocas ou dos filmes de ficção em que golpistas virtuais são verdadeiros experts da computação, que só faltavam fazer chover com suas máquinas invocadas, hoje os lobos em pele de cordeiro que mandam e-mails camuflados em nome de instituições respeitadas pode ser qualquer pessoa munida de uma máquina simples.
"Hoje se aprende muito fácil a linguagem HTML apenas pela Internet. Quem não desenvolve os trojans, pode até comprá-los pela rede", revela. "Pessoas com má intenção facilmente se transformam em criminosos digitais, sem conhecimento aprofundado", completa.