Regional

Dengue já assusta cidades da região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O intercâmbio entre moradores de uma cidade e outra, sejam elas numa mesma região ou não, tem sido um obstáculo para o combate à disseminação da dengue. Cidades referências como Bauru, onde os casos ?explodiram? com três mortes confirmadas e uma suspeita, encontram eco nos municípios vizinhos. Em Promissão, onde não há epidemia instalada, a morte de uma mulher foi notificada como dengue com complicações e, em Lins, a morte de um homem também está sendo investigada.

A diretora regional de vigilância epidemiológica da Divisão Regional de Saúde/6, Márcia Helena Simonetti, entende que as cidades polos podem disseminar a doença para outras, mas também podem receber a doença de municípios menores. "Cidades polos podem levar e receber doentes. Os estudantes, comerciantes e moradores viajam de um lado para outro e podem desencadear quadros de epidemia."

Segundo ela, não é a proximidade de um município com outro que determina a disseminação. "É o deslocamento de pessoas que necessariamente não precisam ser da mesma região. Se várias pessoas vão para a Baixada Santista, por exemplo, podem trazer ou levar a doença. Os deslocamentos favorecem a transmissão de qualquer patologia."

Para a diretora, se as cidades mantivessem baixo índice de infestação do mosquito transmissor, não haveria risco de transmissão. Identificar rapidamente os casos suspeitos e trabalhar a área não é uma receita pronta para evitar uma epidemia. "Ajuda, mas não dá para dizer que evita a epidemia. O diagnóstico precoce é importante, assim como o bloqueio daquela região. Eliminar os focos do mosquito pode controlar o quadro."

O fato de Bauru estar com três casos de morte por dengue hemorrágica não significa que haverá disseminação na região, garante a diretora. "A febre hemorrágica ou de dengue com complicação não está ligada à transmissão. Cada pessoa tem uma resposta ao vírus que é o mesmo. Há quatro tipos de soros de dengue: I, II, III, IV. No País circulam mais o I, II e III. O IV apareceu em São José do Rio Preto e Rio de janeiro. No município de Bauru, por exemplo, temos dengue I e II circulando, já identificados."

A doença, segundo ela, pode ser classificada como clássica ou com complicações. "Os casos mais graves podem ser classificados como febre hemorrágica da dengue, dengue com complicação (DCC) e síndrome do choque da dengue. Essa maneira de catalogar está em desuso pela Organização Mundial de Saúde."

Não são só as cidades maiores que são responsáveis, o intercâmbio das pessoas, deslocamentos no seu retorno que ela encontrar condições propícias ela ter transmissão, seja dengue ou outra patologia.

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