A construção civil aquecida e a falta de locais para remoção de terra em Bauru valorizaram o mineral que, de tão escasso, virou alvo de furto. No início deste mês, uma quantidade de terra foi furtada de um depósito do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, no Gasparini. A Polícia Civil investiga o furto e a autarquia descartou a necessidade de uma sindicância interna para averiguar a possibilidade de envolvimento de funcionários, de acordo com informações da assessoria de imprensa do DAE.
O secretário de Obras de Bauru Eliseu Areco Neto prevê que não haverá terra disponível em Bauru muito em breve, e a administração terá que adquirir áreas para extrair o mineral. Ele acrescenta que a aquisição de terrenos está em discussão na prefeitura.
Areco comenta que, no momento, a alternativa é processar resíduos de construção e aplicar em pavimento ou mesmo com brita. Também está prevista uma licitação para compra de material de sobra de pedreira - piçarra - para recompor vias de terra. Eventualmente, a administração consegue doação do mineral.
O secretário ressalta que o preço de mercado de um caminhão de 12 a 13 metros cúbicos de terra chega a custar R$ 180,00. "É um artigo que demanda alguns cuidados ao longo de alguns anos para ter uma reserva e legalizar. Porque vai precisar no futuro", explica o secretário.
Até cerca de 10 anos atrás, a prefeitura retirava terra de áreas públicas, de futuras construções como praças, escolas entre outras. Areco já havia revelado o problema da falta de terra em matéria do JC em setembro de 2009.
Construção civil
O setor da construção civil na cidade também enfrenta dificuldades quando necessita de terra para as edificações. O diretor regional do Sindicato da Construção Civil (SindusCon-SP), Renato Parreira, explica que as empresas fornecedoras de terra não encontram o minério em Bauru.
Ele esclarece que as firmas compram áreas e retiram de forma legal o produto. Parreira explica que o boom de construções de prédios colabora pontualmente para minimizar a falta de terra. Segundo ele, há situações em que são escavados até nove metros para se construir subsolos e as empresas passam a ter estoques para comercializar. "Tirando esses casos pontuais, é muito difícil terra hoje", explica.
Parreira comenta que um fornecedor cobra cerca de R$ 70,00 por um caminhão de seis metros cúbicos e R$ 140,00 por 12 metros cúbicos.
O JC não conseguiu apurar detalhes da terra furtada da área de propriedade do DAE. O local no Gasparini não é fechado ou mesmo possui seguranças, conforme a assessoria de imprensa da autarquia. Um servidor informou à corregedoria do DAE a respeito do furto e um B.O. foi lavrado no 2º Distrito Policial de Bauru.
A cada conserto efetuado pela autarquia é necessário terra nova para recompor a pavimentação, sendo descartada o resíduo retirado do local. Em setembro de 2009, a autarquia utilizava em média 60 metros cúbicos de terra por dia. O DAE fazia diariamente de 30 a 40 serviços de manutenção.